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Análise

Aproveitem a euforia da renda fixa, pois o mercado é cíclico

Os últimos seis meses foram muito importantes para o mercado de capitais brasileiro e, por si só, foram uma aula de finanças corporativas

Publicado em 09 de Fevereiro de 2022 às 13:43

Públicado em 

09 fev 2022 às 13:43
Pedro Lang

Colunista

Pedro Lang Pedro Lang
Os últimos seis meses foram muito importantes para o mercado de capitais brasileiro e, por si só, foram uma aula de finanças corporativas. No auge do ciclo de flexibilização monetária, com a taxa de juros nas mínimas e a bolsa de valores nas máximas, o número de novas empresas oferecendo ações de suas companhias no mercado explodiu.
Num processo conhecido pela sigla americana IPO (initial public offer), as empresas aproveitaram o momento positivo para captar recursos, fortalecer suas estruturas de capital e fomentar iniciativas de crescimento.
Ciclo econômico
Ciclo econômico Crédito: Shutterstock
Como no Brasil as mudanças acontecem de maneira repentina, com o aumento da inflação muito acima do esperado, as taxas de juros de mercado precisaram subir, e a janela para captação de recursos através de ofertas públicas em ações se fechou.
Desde o último trimestre do ano a dinâmica de interação das empresas com o mercado mudou, mesmo que a necessidade de financiamento para sustentar o crescimento não tenha diminuído. Num ambiente em que os juros voltam a subir e a atratividade dos investimentos ligados à renda fixa volta a aparecer, a solução para o problema das empresas precisou vir de outra parte do balanço patrimonial das companhias, o passivo.
Gosto de lembrar que os CFOs (diretores financeiros) das empresas têm duas decisões básicas a tomar todos os dias pela manhã: pego dinheiro emprestado ou vendo uma parte do meu negócio?
Essa decisão elementar talvez seja uma das mais importantes de todo o mundo empresarial, uma vez que a estrutura de capital (relação entre dinheiro próprio e endividamento) define o nível de retorno sobre o investimento de cada um dos acionistas.
Por conta do aumento da taxa básica e a menor atratividade das ofertas de ações, o mercado de ofertas públicas privadas de renda fixa roubou todos os holofotes. Os chamados títulos privados voltaram a aparecer como uma alternativa interessante para as empresas e são esperadas muitas ofertas nesse primeiro semestre do ano.
A mensagem que fica para todos é de que essa janela será de muitas oportunidades para quem tem interesse em reforçar a parte de renda fixa da carteira, bem como diversificar o portfólio.
Certamente surgirão oportunidades em títulos lastreados na inflação, no CDI e títulos pré-fixados, aproveite para diversificar entre os diversos emissores (tentar manter no máximo 3% do patrimônio total em cada empresa) e diversos prazos possíveis. Tenha títulos mais longos (5 a 10 anos) para a parte do seu recurso reservada para longo prazo e títulos mais curtos (1 a 5 anos) para aquele pedaço que pretende usar por agora.
Aproveitem, porque o mercado é cíclico. Hoje estamos passando por um momento de euforia nas ofertas de renda fixa, assim como vivemos no último ano a euforia na renda variável. Estamos no Brasil e não me surpreenderia se essa realidade se alterasse completamente nos seis meses que estão por vir.

Pedro Lang

Pedro Lang Pedro Lang

Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Começou a carreira operando ações na antiga corretora do Banestes e desde 2016 é chefe da mesa de renda variável da Valor Investimentos, onde se tornou sócio em 2018. É um dos responsáveis pelo comitê de alocação de ativos. CFA® Program participant, CFA Institute.

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