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Mercado financeiro

Selic: efeito da rigidez da política monetária deve definir nova taxa

Há dois vetores nos índices de inflação: o de baixa, concentrado em energia e combustíveis, e o de alta, concentrado nos preços dos alimentos. É questão de tempo para que fique claro qual será dominante

Publicado em 01 de Agosto de 2022 às 09:06

Públicado em 

01 ago 2022 às 09:06
Luiz Alberto Caser

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Luiz Alberto Caser

  • Luiz Alberto Caser

Nesta semana, teremos a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Serão dois dias (terça, 2, e quarta, 3) de discussões. O comitê terá duas funções primordiais: a primeira, está reservada para a definição da nova taxa Selic; enquanto a segunda, deverá mostrar aos investidores como o Banco Central está enxergando a inflação.
Com a alta nos preços dos combustíveis, se tornou fundamental investir em um carro econômico
Com a alta nos preços dos combustíveis, se tornou fundamental investir em um carro econômico Crédito: Freepik/Prostooleh
A Selic está atualmente em 13,25% ao ano. A percepção do mercado é de que a taxa referencial deverá ser elevada em meio ponto percentual, ou seja, para 13,75% ao ano. E, pela edição mais recente do Relatório Focus, essa pode ser a última elevação do ano.
Outro ponto é a interpretação que o BC tem sobre o futuro inflacionário. O dilema está em resolver a equação se o rápido e intenso endurecimento da política monetária está fazendo efeito.
A queda de preços já é uma realidade, mas ainda está localizada. Concentra-se nos itens Transportes - onde houve uma deflação de 2,88% - e Educação, Leitura e Recreação - com baixa de 1,31%.
Voar, por exemplo, ficou 6,92% mais barato depois de os preços das passagens aéreas terem decolado na segunda quadrissemana, com alta de 4,65%. No acumulado do mês, os preços do etanol recuaram 9,83%, e a gasolina nas bombas ficou 8,61% mais barata.
Outra alteração significativa foi na Habitação. Os preços recuaram 0,37% na terceira quadrissemana de julho, após terem ficado praticamente estáveis na quadrissemana anterior e de terem aumentado 0,62% na terceira quadrissemana de junho. Nesse caso, a baixa deveu-se à retração dos preços da eletricidade residencial, que retrocederam 3,51%.
Apesar disso, a questão da inflação é um pouco mais complexa. Há um ponto em comum às principais baixas de preços. Todas elas foram provocadas por intervenções do governo, com baixa de tributos sobre combustíveis e eletricidade. A lei federal foi posteriormente incorporada no âmbito das legislações estaduais, contribuindo para o recuo de preços observado nesses grupos, causando forte queda nesses itens.
Nos demais preços da economia, como alimentos, por exemplo, a pressão de alta de preços segue firme. Segundo a FGV, no acumulado de julho até a terceira quadrissemana, o preço do leite longa vida subiu 22,44%. Ou seja, há dois vetores nos índices de inflação: o de baixa, concentrado em energia e combustíveis, e o de alta, concentrado nos preços dos alimentos.
É questão de tempo para que fique claro qual desses vetores será dominante. No entanto, a maneira como o Banco Central enxerga a questão vai balizar as expectativas dos investidores e deverá influir no resultado da inflação para este ano.

Luiz Alberto Caser

Formado em Administração, com MBA em Finanças pelo IBMEC e pós-MBA em Inteligência de Mercado pela FGV. Credenciado junto à CVM como Agente Autônomo de Investimentos na Valor Investimentos desde 2007. Tornou-se sócio da empresa em 2011, sendo responsável a partir daí também por projetos de Planejamento Estratégico, Marketing, Educação e Gestão de Pessoas. Atualmente é também professor em programas de pós-graduação e palestrante de temas relacionados a finanças e investimentos.

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