Uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi suficiente para abalar o mercado: o dólar, que por semanas vinha em quedas sucessivas e já rondava os R$ 4,90, voltou para a casa dos cinco reais em poucas horas. Esse episódio ilustra bem como a política interfere diretamente na economia e no seu bolso.
Não foi a primeira vez nem será a última em que você verá o cenário político ser o protagonista das manchetes econômicas. Mercados financeiros dependem de ambientes regulatórios e institucionais em pleno funcionamento e, a depender do contexto, uma faísca pode causar um pequeno incêndio capaz de queimar dinheiro. É na bolsa e no dólar que a sirene toca primeiro, mas a fumaça incomoda a renda fixa também.
Políticas públicas ajudam a definir os rumos do desenvolvimento. O mercado interpreta os sinais vindos de Brasília e precifica o custo do dinheiro. Ruídos aumentam a percepção de risco e fazem o capital “correr” para onde se sente mais seguro: juros e dólar sobem, retirando recursos do mercado e tornando a vida mais cara.
Para quem investe, é sempre válido pensar em meios de minimizar um pouco os impactos destes acontecimentos nas carteiras. A diversificação de ativos funciona para todos os gostos e perfis. Imóveis costumam ser uma alternativa tradicional como método de trazer menos volatilidade para o patrimônio, mas há quem prefira apenas ativos digitais, como versões tokenizadas de ouro ou simplesmente fundos de índice (ETFs) que simplificam a forma de investir.
Uma ferramenta em ascensão entre investidores é a diversificação internacional. Transferir parte do patrimônio do Brasil para outros países, investindo diretamente no exterior, pode ajudar a proteger o próprio bolso dos riscos políticos que causam atrito no mercado local. Para complementar essa camada de proteção, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas sugere que o brasileiro deveria ter investimentos internacionais de 16% a 18% do seu patrimônio apenas para “equilibrar” a inflação causada pela variação do custo do dólar no dia a dia.
Sobre como fazer isso, escrevemos em A Gazeta em outra ocasião. Mas a proteção em moeda forte não é infalível. Há custos e riscos envolvidos, como a própria oscilação do dólar frente a outras moedas ou mudanças regulatórias que limitem fluxos de capitais. O risco político também existe em outros países, o que sugere uma diversificação geográfica mais ampla, de modo a não concentrar demais nem no Brasil e nem em qualquer outro lugar. Por isso, a decisão de investir no exterior deve considerar horizonte de investimento, perfil e objetivos financeiros para não se tornar ineficaz ou frustrar expectativas.
Como uma boa dose de equilíbrio sempre ajuda, a combinação de estratégias como títulos indexados à inflação, fundos multimercado com gestão ativa e ouro continua sendo um meio para suavizar o impacto de choques políticos. Para os mais arrojados e que suportam volatilidade, as criptomoedas são apresentadas como alternativa para evitar riscos locais.
Tudo depende do perfil do investidor e de sua tolerância a riscos. No fim das contas, a política sempre fará parte do cenário econômico e da vida financeira de cada um. A boa notícia é que, ao contrário de um incêndio inesperado, fatos políticos são riscos previsíveis: o investidor não controla quando eles virão, mas pode decidir o quanto estará protegido quando acontecerem, evitando que a estruturação de patrimônio dependa apenas de um único cenário ou de cruzar os dedos torcendo para que tudo dê certo.