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Árbitro capixaba com maior número de atuações nacionais e internacionais, especializado em gestão esportiva,e que atuou em dez finais do Campeonato Capixaba, além de partidas das séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro.

"O árbitro que está no VAR quer apitar o jogo", diz Márcio Rezende de Freitas

Ex-árbitro que se destacou nos anos 90 e no início dos anos 2000, acredita que muitas vezes interferência passa dos limites

Publicado em 05/04/2021 às 09h39
Atualizado em 05/04/2021 às 09h39
Ex-árbitro Marcio Rezende de Freitas
Ex-árbitro Marcio Rezende de Freitas fez sucesso nos anos 90 e no início dos anos 2000. Crédito: Reprodução/Globo

Márcio Rezende de Freitas é um dos maiores nomes da história da arbitragem nacional. Em 2005 foi o árbitro brasileiro mais bem colocado no ranking da Fifa. Teve presença na Copa do Mundo de 1998, na França, em que apitou o jogo de estreia da equipe da casa e também foi o juiz que representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Entre 2006 e 2020, foi comentarista de arbitragem da Rede Globo em Minas Gerais.

Ele foi um dos principais juízes de futebol dos anos 90. Esteve também na Copa América de 2004, além de ter atuado em diversas finais de Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

Como todo árbitro que se preza, tem algumas polêmicas na carreira. De personalidade forte e respeitado no mundo da bola, aceitou nosso convite e falou para a coluna sobre a atual arbitragem brasileira. Confira a entrevista.

Qual a sua avaliação da arbitragem brasileira atualmente?

A arbitragem brasileira vem melhorando, mas enfrenta sempre os mesmos e antigos problemas. Falta investimento em capacitação e qualificação, e não vejo uma vontade maior dos gestores nesse sentido. O material humano vem se renovando, mas sem investimento forte não adianta trocar nomes de presidentes de comissão de arbitragem e direção da Escola Nacional de Árbitros, se não tiver um trabalho contínuo de formação. Tem que inovar para melhorar sempre.

Você acha que a introdução do VAR influenciou de forma positiva ou negativa no desempenho dos árbitros?

O VAR veio para ficar, é inquestionável. Houve um apelo enorme pelo uso do VAR e hoje muitos daqueles que pediram que fosse colocado em prática são os mesmos que o criticam. O VAR é uma máquina operada por humanos, então os erros sempre vão ocorrer. No primeiro momento, vimos muita demora nas decisões devido a tudo ter sido muito rápido. Os profissionais escalados para seleção e operação de imagens e os árbitros temiam muito em errar. Eu falei no início que havia uma certa "VAR dependência", uma espécie de muleta por parte dos árbitros. Alguns não se saíram bem e outros foram melhores. Arbitragem é pensar. Se não pensar, não produz. Muitas vezes o árbitro que está no VAR quer apitar o jogo. Todos já conhecem o protocolo e houve uma subversão de valores nesse sentido. Aqui no Brasil se entra muito no jogo, diferente da Europa. Na final da Taça Libertadores entre Palmeiras e Santos, por exemplo, não houve interferência do VAR. É importante respeitar mais as decisões do árbitro no campo de jogo. O problema é que no Brasil em qualquer lance corriqueiro o VAR quer entrar, e não pode ser dessa forma. Por isso essa dificuldade do árbitro brasileiro com o VAR.

Cite dois clássicos de maior rivalidade que você apitou na sua carreira.

Exemplo de resposta!Foram vários clássicos que apitei pelos estados do Brasil, mas o primeiro sem dúvida é o clássico aqui do meu Estado (Minas Gerais), Atlético-MG x Cruzeiro, que apitei vários, mas foi sempre muito difícil pela rivalidade. Outro clássico importante e muito difícil que apitei foi Corinthians x Palmeiras decidindo um campeonato brasileiro.

Quais os árbitros, que na sua avaliação, devem representar o Brasil na Copa do Mundo no 2022 no Catar?

Quem a gente vê hoje com chances para ser o árbitro brasileiro no Catar 2022 é o goiano Wilton Sampaio, que está muito bem, e o paulista Rafael Claus, que é um excelente árbitro. Não posso deixar de citar também a Edina Alves, que fez um estupendo trabalho no Campeonato Brasileiro 2020. Mas para mim fica entre o Wilton Sampaio e o Rafael Claus.

CURIOSIDADE DO DIA

  • Traves e penalidade máxima: As redes das traves apareceram no futebol em 1890, com o objetivo de identificar mais claramente a marcação dos gols. Nesse mesmo ano, as faltas dentro da área passaram a ser penalizadas com a marcação de um pênalti.

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