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Pediu e levou

Secretário de Saúde de Vila Velha ganha R$ 70 mil em abril

O contracheque de Jarbas de Assis incluiu R$ 52,7 mil, em uma tacada, no mês passado, retroativos a janeiro de 2017, após a área jurídica da prefeitura entender que ele pode ser pago com base no teto do funcionalismo estadual, por ser servidor do Estado

Publicado em 14 de Maio de 2020 às 19:03

Públicado em 

14 mai 2020 às 19:03
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Jarbas de Assis
Jarbas de Assis Crédito: Jarbas de Assis
Um valor chama atenção na folha de pagamento da Prefeitura de Vila Velha referente ao mês de abril: a remuneração do secretário municipal de Saúde, Jarbas Ribeiro de Assis Junior (PSDB), veio muito acima da média do funcionalismo público e do valor mensal que ele mesmo costuma receber pelo exercício do cargo. No total, a remuneração bruta paga a Jarbas no mês passado beirou R$ 70 mil. Precisamente, R$ 69.526,48. Com descontos, o secretário ganhou, em valores líquidos, R$ 42.770,00.
A título de comparação, no mês anterior, Jarbas recebeu a quantia total de R$ 16.779,57, em valores brutos. Com descontos, seu salário líquido em março foi de R$ 11.913,10. Todos esses números estão disponíveis no Portal da Transparência da Prefeitura de Vila Velha. Ainda de acordo com o portal, o salário bruto de um secretário municipal de Vila Velha (com a nomenclatura de “agente político”) está fixado, atualmente, em R$ 11.550,00.
O que explica, então, essa diferença assombrosa registrada no contracheque de abril do secretário? A resposta começa, justamente, na análise do contracheque. Na descrição dos valores pagos, há o intrigante item “diferença de salário”: R$ 52.746,91. Foi esse valor extra que turbinou os vencimentos do secretário em abril a ponto de sua remuneração total beirar os R$ 70 mil no mês. Mas que “diferença de salário” é essa?
A pedido da coluna, a assessoria do secretário transmitiu as explicações. Basicamente, ele mesmo pediu (e recebeu) o pagamento de uma diferença a que ele julgava ter direito.

R$ 69,5 MIL

FOI A REMUNERAÇÃO TOTAL, BRUTA, PAGA AO SECRETÁRIO JARBAS DE ASSIS NO CONTRACHEQUE DE ABRIL
Jarbas de Assis é médico de carreira do governo estadual, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Desde janeiro de 2017, início da atual administração de Max Filho (PSDB), está cedido pelo Estado à Prefeitura de Vila Velha.
Desde a sua nomeação, o salário de Jarbas é calculado com base no teto remuneratório praticado no município de Vila Velha. O teto do funcionalismo municipal equivale ao salário do prefeito, hoje fixado em R$ 14.493,15. O que eventualmente ultrapassar esse limite é descontado do contracheque do servidor – o chamado “abate-teto”.
Contudo, por ser servidor do Estado, Jarbas ingressou com um processo administrativo na Procuradoria-Geral da Prefeitura, pleiteando o direito de ter o salário calculado com base no teto remuneratório aplicado ao funcionalismo público estadual. Nessa esfera, o teto corresponde ao salário do governador do Estado, hoje fixado em R$ 23.803,68.
Na prática, como o teto estadual é maior que o teto municipal, Jarbas poderia receber uma remuneração maior do que a que vinha recebendo desde janeiro de 2017. Daria uma diferença mensal de, aproximadamente, R$ 2 mil. E foi o pagamento retroativo dessa diferença que ele requereu à área jurídica da prefeitura.
Lê-se, no processo: “O pleito visa à análise do teto remuneratório, por isonomia, atribuindo-se ao cargo de agente político e o enquadramento salarial ao teto adequado, com consulta à Procuradoria-Geral do município se aplica-se o teto do órgão cedente [governo do Estado] ou cessionário [prefeitura]”.
A Procuradoria-Geral da prefeitura concluiu que o secretário tinha razão no pleito e, portanto, o direito de receber, de forma retroativa, a diferença solicitada. Num primeiro momento, porém, o órgão da prefeitura determinou à Secretaria Municipal de Administração a aplicação do teto remuneratório estadual no contracheque de Jarbas a partir de 1º de abril de 2019.
O secretário não se deu por satisfeito e “promoveu novo pleito de pagamento, desta vez requisitando os valores retroativos do teto do órgão cedente no período de 16.01.2017 [data da sua posse] a março de 2019, uma vez que nesse período aplicou-se o abata-teto no limite do órgão cessionário”.
Dando novamente ganho de causa a Jarbas, a Procuradoria-Geral calculou o valor da diferença e determinou à Secretaria de Administração o pagamento de todos os valores devidos ao secretário, retroativamente a janeiro de 2017. E foi isso que ocorreu agora, no contracheque dele em abril.
Ou seja, a tal “diferença de salário”, de R$ 52,7 mil, incluída no último contracheque, corresponde ao “pra trás” pedido (e recebido) pelo secretário. A Secretaria de Administração de Vila Velha pagou a ele, de uma só vez, no contracheque de abril, toda essa diferença acumulada referente aos meses em que ele teve o salário calculado conforme o teto aplicado aos servidores municipais.

ADENDO: EMBASAMENTO LEGAL

Conforme parecer da Procuradoria-Geral da Prefeitura de Vila Velha, a decisão de acolher o requerimento do secretário municipal de Saúde está amparada em entendimentos firmados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCES) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU): 
"Após análise e revisão de análise, a PGM entendeu que 'o teto remuneratório aplicável aos servidores cedidos a outros órgãos/entidades ao município (em que este figure cessionário) deve obedecer ao regramento estabelecido para o instituto da cessão pelo órgão/entidade cedente [e] verificou a necessidade de revisão dos valores com base no teto do órgão cedente, conforme entendimentos adotados pelo TCEES (AC 176/2017) e TCU, portanto, deverá ser observado o teto do governador do Estado."

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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