Não. Quero manifestar a minha discordância em relação a essa análise. Não tem luta de tese interna no governo. O governo, para tomar suas decisões, se baseia na matriz de risco, que já vem sendo adotada há praticamente trinta dias. O secretário Nésio, da Saúde, na minha opinião, usou uma frase que foi, não por maldade, mas por interpretação descontextualizada, para indicar como se ele falasse em… E acho até que ele se expressou mal mesmo, tá? O que o secretário Nésio quis dizer, na minha opinião, que é o que eu estou dizendo também, por isso insisto que não há discordância nas teses, é que as medidas mais restritivas que decorrem de chegarmos ao risco extremo em alguns municípios estão previstas no modelo e podem, sim, acontecer. Isso está claro. A nossa comunicação com a sociedade visa deixar isso muito claro. O elemento central hoje, e você já registrou isso em colunas anteriores, é a questão dos leitos. Se nós chegarmos a um indicador geral acima de 90% de ocupação dos leitos, chegaremos ao risco extremo para uma parte dos municípios. E, chegando ao risco extremo em uma parte dos municípios, vamos ter medidas mais restritivas. Isso é algo previsto na matriz de risco. Mas não vamos tomar nenhuma medida que não seja indicada pela matriz de risco. E nós estamos nos esforçando com um volume grande de abertura de leitos para que nós não tenhamos que chegar a isso. Agora, que de fato há o risco, há. Nós estamos alertando a sociedade o tempo inteiro sobre isso: da necessidade do isolamento social. Que de fato esse risco existe, isso é claro. E nós estamos numa luta, numa corrida, como você mesmo expressou, para abrir leitos, para evitar que cheguemos a isso, insistindo com as pessoas quanto à necessidade do isolamento social. O que nós estamos adotando como premissa básica da nossa visão dentro da matriz de risco é que o isolamento social é responsabilidade de todos. E estamos tentando, num modelo de compensações, deixar que todo mundo tenha um pouco de autorização para funcionamento de atividades econômicas. Afinal de contas, você tem aí um conjunto de famílias, seja de trabalhadores, seja de donos de negócios, que também dependem da abertura desses negócios para a sua sobrevivência. Então nós temos que tentar buscar, dentro do que chamamos de “plano de convivência”, uma tentativa de conciliação das atividades econômicas com a questão dos leitos, sempre deixando claro que a prioridade é a vida, é a saúde. É por isso que o modelo é gradativo.