Em matéria de jingles de campanha, o maior hit desta eleição chama-se “O Homem Disparou”. Como serve para qualquer candidato, inúmeros no Brasil inteiro estão adaptando a musiquinha (que, acredite, é grudenta mesmo; se nunca ouviu, sugiro dar um Google). Mas, como bem observou a personagem Raposa Política, é negócio meio perigoso cantar “o homem disparou” para candidatos que têm porte de arma (como é o caso do deputado e delegado Lorenzo Pazolini). Acontece que não dá para negar: o homem disparou mesmo. Pelo menos no que diz respeito à arrecadação de recursos para fortalecer sua campanha a prefeito de Vitória.
O partido de Pazolini, Republicanos (antigo PRB), está mesmo investindo com força na campanha do deputado na capital capixaba, injetando maciçamente recursos do Fundo Eleitoral – principal modalidade de financiamento público de campanha na presente eleição. Conforme mostrou reportagem de A Gazeta na última quarta-feira (28), ele é, em todo o Espírito Santo, o candidato que já recebeu mais recursos de campanha. Mas tem mais: Pazolini é de longe o candidato que recebeu mais dinheiro até agora da direção do Republicanos, entre todos os candidatos do partido a prefeito de capitais do país, proporcionalmente ao número de eleitores de cada cidade.
Na relação “gasto por eleitor”, o investimento do Republicanos até agora na campanha de Pazolini em Vitória supera muito o investimento do partido até na campanha das suas estrelas nacionais: Marcelo Crivella no Rio de Janeiro e Celso Russomanno em São Paulo. Isso prova o quanto a eleição do delegado de polícia em Vitória tornou-se prioridade não só para a direção estadual do Republicanos como também para a cúpula nacional da sigla, comandada no Brasil pelo deputado federal Marcos Pereira (que tem raízes no município de Linhares).
Em todo o país, o Republicanos lançou candidatos a prefeito em dez capitais de Estado nestas eleições municipais, incluindo todos os da região Sudeste. Em números absolutos, entre esses 10 candidatos, Pazolini é o terceiro que mais recebeu recursos da direção do partido. O primeiro lugar é de Crivella. Mas a diferença entre os dois é pequena, e a capital fluminense, onde o prefeito tenta se reeleger, tem quase 20 vezes mais eleitores que Vitória.
Também é preciso sublinhar o fato de que, mesmo em números absolutos, Pazolini até o momento recebeu mais apoio financeiro dos dirigentes do Republicanos que Russomanno – 2º lugar nas últimas pesquisas eleitorais em São Paulo.
Vitória tem, oficialmente, segundo dados do repositório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 251.464 eleitores registrados e aptos a votar no próximo dia 15. Até a manhã deste domingo (1º), a campanha de Pazolini havia declarado à Justiça Eleitoral ter recebido um total de R$ 1,24 milhão do Fundo Eleitoral, sendo R$ 740 mil repassados diretamente pela Executiva Nacional do Republicanos e os outros R$ 500 mil, pela direção estadual.
Isso significa que, até a manhã deste domingo, contando só repasses do Fundo Eleitoral, a campanha de Pazolini foi abastecida com R$ 4,93 para serem gastos por eleitor da cidade de Vitória.
Agora perceba a diferença, ou melhor, o contraste:
No Rio de Janeiro, também até a manhã deste domingo, a campanha de Crivella declarou ter recebido um total de R$ 1.936.710,96, via Fundo Eleitoral, sendo R$ 1.436.710,96 da direção nacional e os outros R$ 500 mil da estadual. A capital fluminense possui, oficialmente, 4.851.887 eleitores registrados neste ano. Isso representa o quociente de R$ 0,40 (ou 40 centavos) para gastar por eleitor, até o momento: 12 vezes menos que Pazolini em Vitória.
Enquanto isso, em São Paulo, a campanha de Celso Russomanno declarou ter recebido, até a manhã de domingo, um repasse total de R$ 870.443,81 via Fundo Eleitoral, assim divididos: R$ 625 mil da direção estadual e R$ 245.443,81 da municipal. Nada da nacional. A capital paulista, maior cidade e maior colégio eleitoral do Brasil, tem 8.986.687 eleitores habilitados a votar neste ano. Isso perfaz a insignificante média de R$ 0,096 para Russomanno gastar por eleitor (menos de dez centavos por cabeça).
Já em Belo Horizonte, o candidato do Republicanos, Lafayette Andrada, declarou até agora ter recebido R$ 652 mil da direção partidária, via Fundo Eleitoral. Não faz nem cócegas no candidato do partido em Vitória.
Proporcionalmente, dos dez candidatos do Republicanos a prefeituras de capitais, quem mais se aproxima de Pazolini é o postulante a prefeito de São Luís, Duarte. Ele é o único nome lançado pelo partido da Igreja Universal do Reino de Deus em todas as capitais do Nordeste, o que pode ajudar a explicar a concentração de recursos da legenda nele nessa região do país. Ainda assim, observem: o valor investido por eleitor na campanha em São Luís, até agora, não chega perto dos quase R$ 5,00 por eleitor de Vitória na campanha de Pazolini.
Até a manhã deste domingo, Duarte recebeu diretamente da direção nacional do partido a soma de R$ 1,32 milhão. Como a capital do Maranhão tem 699.954 eleitores registrados, isso corresponde a um investimento, até aqui, de R$ 1,88 por eleitor.
Veja abaixo quando receberam até agora, do Republicanos, os outros cinco candidatos do partido à prefeitura de capitais, por meio de repasses do Fundo Eleitoral:
Manaus (AM) – Capitão Alberto Neto: R$ 775.000,00
Porto Alegre (RS) – João Derly: R$ 300.800,00
Porto Velho (RO) – Lindomar Garçon: R$ 260.000,00
Belém (PA) – Vavá Martins: R$ 196.505,00
Palmas (TO) – Barison: nada