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Mobilidade, Saúde e Educação devem ser encaradas como prioridade pelas futuras gestões
Mobilidade, Saúde e Educação devem ser encaradas como prioridade pelas futuras gestões. Crédito: Ilustração/Amarildo

Com população mais dependente do poder público, serviços vão precisar de atenção

Retração da economia deve levar a população a usar mais os serviços públicos. Especialistas apontam quatro áreas que vão demandar esforços dos prefeitos nas próximas gestões: saúde, educação, mobilidade urbana e assistência social

Publicado em 31/10/2020 às 08h40

Além da saúde, a Covid-19 causou uma crise no mercado de trabalho durante a pandemia. Com a retração da economia, as cidades experienciaram o aumento do desemprego e a redução do poder econômico da população.

Esse cenário alimenta a dependência das pessoas do Estado, o que deve ficar ainda mais evidente em 2021. Para especialistas, quatro áreas devem ter prioridade e vão demandar a maior parte dos esforços dos prefeitos nas próximas gestões: saúdeeducação, mobilidade urbana e assistência social.

"Temos uma sociedade com uma demanda alta, mas prefeituras com poucos recursos. Gerir com eficiência vai ser olhar para o caixa, ver o que tem e definir o que é necessário. Tudo aquilo que é voltado para o lado social deve ser encarado como prioridade", destaca Gabriela Lotta, especialista em Administração Pública.

Setor que mais demandou esforços na pandemia, a saúde continuará tendo protagonismo no orçamento das cidades.

"Vamos ver um aumento da população dependente do SUS, de doenças não tratadas durante a crise sanitária, e até mesmo efeitos da Covid-19, que ainda são incertos. Muita gente deixou de fazer prevenção durante a pandemia e de ter plano de saúde", analisa Lotta.

Na educação, além de lidar com os problemas trazidos pela paralisação das aulas durante a pandemia, os municípios vão enfrentar a demanda por vagas nas escolas e nas creches municipais. Para o cientista político Maurício Santoro, é esperado uma sobrecarga no sistema público de ensino.

Maurício Santoro

Cientista Político e professor da UERJ

"A educação sempre foi um setor problemático no Brasil e os municípios estão na base dessa pirâmide. Vamos ter um cenário difícil de lidar, com alunos sem estudar há mais de um ano, voltando para a escola, déficits e danos pedagógicos e o aumento exponencial da demanda"

"Muitos pais retiraram os filhos de escolas particulares na pandemia por não conseguirem pagar mais. A busca por matrículas na rede pública será um desafio para os municípios", completa Santoro.

A redução da circulação de pessoas, necessária durante a pandemia, não será uma realidade em 2021. Com o retorno das atividades, a população voltará a circular mais e, consequentemente, a usar o transporte público.

Além da demanda que já existia, os municípios devem contar com um número maior de usuários nos coletivos, conforme analisa a economista Juliana Inhasz.

Juliana Inhasz

Economista e professora do Insper

"Pessoas que antes não usavam ônibus devem começar a depender desse serviço devido à crise econômica. Os prefeitos precisam agir nesse sentido para não deixar o sistema de transporte não sobrecarregado"

"Não dá para implantar projetos ambiciosos de mobilidade, mas é essencial que os prefeitos deem o mínimo de condição para o transporte eficiente", pondera.

Apesar de a assistência social ter ficado, em sua maior parte, a cargo dos governos federal e estadual durante a pandemia, os municípios também têm um papel importante para atender a essas demandas.

Para Maurício Santoro, a realidade de pessoas em situação de rua e de extrema pobreza será um grande problema a ser tratado pelas cidades.

"Muita gente perdeu o emprego e viveu até o momento com o auxílio. Mas, e quando a ajuda acabar? É preciso elaborar políticas públicas para essas pessoas, que vão além do assistencialismo. Programas de moradia e acolhimento dessas pessoas é fundamental."

OBRAS EM SEGUNDO PLANO

Se por um lado, áreas como saúde e educação vão necessitar de mais atenção a partir de 2021, por outro, projetos de infraestrutura devem ser deixados em segundo plano. De acordo com o auditor do Tribunal de Contas de Pernambuco João Eudes, com o orçamento enxuto, não será um bom momento para realização de obras.

João Eudes Bezerra Filho

Professor da Fucape e auditor externo do Tribunal de Contas de Pernambuco

"É uma área que os prefeitos vão ter que ver se vai sobrar dinheiro para investir, não dá para sair fazendo projetos faraônicos, prometer grandes desembolsos. As propostas ‘visíveis’ vão ser aquelas que as populações vão menos se beneficiar"

A economista Juliana Inhasz acredita, contudo, que algumas obras vão acabar saindo do papel mesmo assim. Isso porque os prefeitos querem imprimir sua marca e serem lembrados por aquilo que construíram durante a gestão. A pesquisadora alerta que quem escolher realizar projetos como esses vai ter que deixar algo de lado.

"Ou é fazer uma ponte, ou é aumentar a merenda na escola. E aí, cabe ao prefeito ser um bom gestor e identificar o que é uma vaidade e o que é necessidade da população", diz.

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