"Um prefeito inteligente e efetivo vai se apropriar de evidências"
O cenário para o ano que vem é de grande imprevisibilidade, redução drástica da capacidade arrecadatória e uma população ainda mais dependente das políticas do Estado. Se antes já era importante que as decisões dos prefeitos fossem acertadas, agora é um momento em que eles não podem errar, vão ter que acertar de primeira ao fazer políticas. Não vão ter margem para manobra, para escolher uma obra errada, experimentar algo para ver se vai dar certo. Por isso, é imprescindível que os gestores se baseiem em evidências, peguem exemplos do que já foi feito e deu certo. Temos exemplos no mundo todo. Um prefeito inteligente e efetivo vai se apropriar de evidências para trazer soluções certeiras para as demandas da população.
"A parceria público-privada vai ser muito importante"
O ano que vem vai ser muito difícil porque a pandemia continua e a economia ainda vai estar muito parada, recursos não vão chegar com facilidade, nem a receita vai aumentar tanto. Primeira coisa que o prefeito vai ter que fazer é um diagnóstico na prefeitura e identificar o que é ineficiente em todos os setores, inclusive naqueles que são prioridades, para racionalizar recursos. Ele vai ter que cortar gastos naquilo que não ajuda no desenvolvimento do município, enxugar a máquina pública, cargos comissionados, caso contrário poderá gerar um colapso econômico. Não é o momento também de prometer empregos, até porque não há dinheiro para investir e gerar postos de trabalho. Nesse sentido, uma das alternativas para isso é levar a iniciativa privada para o município, atrair indústrias para se instalar. A parceria público-privada vai ser muito importante neste momento em que as prefeituras estarão com orçamento apertado, sem possibilidade para grandes investimentos.
"O caminho é cortar o que é desnecessário, realocar recursos"
Os futuros prefeitos terão que pensar em como remanejar gastos, porque as prefeituras terão menos dinheiro. Eles vão ter que pensar em como mexer as peças para dar conta das demandas da sociedade com uma renda bem menor. O caminho é cortar o que é desnecessário, realocar recursos para pastas prioritárias, reduzir o número de servidores comissionados. Grande parte do descompasso fiscal vem disso, de duas pessoas para fazer o serviço de uma, e os gestores não podem ignorar essa realidade. É preciso muito foco e conhecimento de finanças e da cidade. Tem que negociar com o governo federal, aprender economia na marra. Teremos uma sociedade com muitas demandas, mas os prefeitos não serão capazes de atender todas, por isso é importante estabelecer prioridades.
"Tudo que diz respeito à saúde deve ser prioridade"
Ainda não temos uma vacina e problemas sociais e econômicos, como o desemprego, devem ficar ainda mais evidentes no que vem. Além disso, com a queda de arrecadação, o orçamento dos municípios estará apertado. Todas as prefeituras, com raras exceções, vão ter pouco dinheiro disponível para o ano que vem, mas uma série de demandas. Vai ter uma demanda enorme em tudo que diz respeito à saúde e isso deve ser prioridade. Por mais que essa gestão seja compartilhada com o Estado e o governo federal, o município é o responsável pelo atendimento de primeira ordem nos postos de saúde. A recuperação vai ser lenta. Não tem como um candidato chegar e dizer que tem dinheiro e vai implementar diversos programas, que ele vai fazer e acontecer, porque ele estará mentindo. Estamos vivendo uma crise e os municípios precisarão de muito tempo para se recuperar.