O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), desta vez não “deu um bolo” no governador Renato Casagrande (PSB) e no governo estadual. Nesta quinta-feira (25), às 17 horas, o governador e secretários de Estado reuniram-se, de maneira remota, com os prefeitos da Grande Vitória, para discutir a fiscalização das novas medidas restritivas à circulação e à interação das pessoas, anunciadas pelo governador mais cedo, às 14 horas. E enfim puderam contar com a presença do prefeito da Capital.
Todos os prefeitos da região foram convidados pelo Palácio Anchieta. E, desta vez, todos compareceram. Nas últimas três oportunidades, de maneira consecutiva, o prefeito da Capital não atendeu ao convite e nem sequer enviou um representante para tomar parte na reunião.
Até pela sequência de "faltas injustificadas", a ausência de Pazolini, logo o prefeito da Capital, havia chamado a atenção geral, dentro e fora do governo, nas três reuniões anteriores realizadas por Casagrande com prefeitos desde que o governo passou a caminhar rumo à decretação da quarentena no Estado. Nas três ocasiões, não houve justificativa oficial do prefeito para a não participação.
No dia 12 de março, uma sexta-feira, a última Matriz de Risco divulgada pelo governo apresentou uma alta de um para 17 municípios considerados em risco alto (vermelho), o que acendeu um alerta geral no Executivo estadual. No dia seguinte, um sábado, houve uma primeira reunião virtual, com prefeitos da Grande Vitória, para apresentação dos dados que atestavam o agravamento da situação da pandemia do novo coronavírus no Espírito Santo nas últimas semanas. Pazolini foi o único que não compareceu e não se fez representar.
Dois dias depois, uma segunda-feira (15), o governo chamou nova reunião, exclusivamente com os prefeitos da Grande Vitória. Esse encontro teve caráter preventivo para as medidas que seriam anunciadas por Casagrande no dia seguinte. A ausência de Pazolini se repetiu.
Na terça-feira (16), Casagrande anunciou a quarentena. Na noite de quarta-feira (17), o governo realizou uma reunião de inédita abrangência no formato virtual, dessa vez aberta a todos os prefeitos do Estado, para explicar as novas medidas restritivas, esclarecer dúvidas e pedir a colaboração de todos os gestores municipais na execução e na fiscalização do cumprimento das novas regras em suas cidades.
Dos 78 prefeitos capixabas, 63 compareceram. Alguns fizeram questão de se fazer acompanhar na sala pelo vice-prefeito e por secretários municipais. Quase todos os que não puderam participar, como Euclério Sampaio (DEM), de Cariacica, enviaram um representante. Pazolini, mais uma vez, ficou de fora e não se fez representar.
Desde o início do processo relatado acima, A Gazeta, incluindo o signatário desta coluna, buscou obter de Pazolini, diretamente ou via assessoria de imprensa, uma explicação para os três consecutivos “bolos” no governo, que denotavam distanciamento (não social, mas político) em relação às medidas impopulares tomadas pelo Executivo estadual, antipáticas principalmente para os setores mais diretamente afetados por elas: comerciantes e lojistas de áreas consideradas não essenciais pelo governo. Não obtivemos resposta.
Desta vez, contudo, sinalizando uma possível mudança de postura, Pazolini respondeu "presente".