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Discussão do decreto

Quarentena: os bastidores da reunião de Casagrande com os prefeitos

Pela 3ª vez seguida, Lorenzo Pazolini não atendeu ao convite do governo. Presidente do TCES fez fala duríssima contra negacionistas, enquanto Nésio Fernandes fez fala emocionada. Prefeitos expressaram preocupação e pediram ajuda à PMES

Publicado em 18 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

18 mar 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Reunião entre governador, prefeitos, secretários e outras autoridades do ES para tratar sobre o deccreto estadual da quarentena
Reunião entre governador, prefeitos, secretários e outras autoridades do ES para tratar sobre o deccreto estadual da quarentena Crédito: Fonte da coluna
A convite do Palácio Anchieta, 63 dos 78 prefeitos capixabas se reuniram na noite desta quarta-feira (17), virtualmente, com o governador Renato Casagrande (PSB), secretários de Estado e chefes de outros Poderes para tratar do decreto do governo estadual que instituiu 14 dias de quarentena em todo o território capixaba, contados a partir desta quinta-feira (18), para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus.
Os bastidores da reunião merecem alguns destaques, como a nova ausência do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que, pela terceira vez seguida em cinco dias, não atendeu a um convite do governador para discutir multilateralmente medidas de combate à pandemia. Casagrande chegou a perguntar por Pazolini. Ao ser informado sobre a ausência do prefeito da Capital, disse que ele mesmo telefonaria para Pazolini para pedir o seu empenho pessoal na contenção do acesso do público às praias de Vitória. Entramos em contato com o prefeito, por mensagem de texto, na manhã desta quinta-feira (18), perguntando-lhe o motivo de sua ausência, mas não obtivemos resposta.
Por sua vez, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCES), Rodrigo Chamoun, fez uma fala duríssima dirigida a prefeitos “negacionistas”, enfatizando que os prefeitos que eventualmente se recusarem a cumprir as regras impostas pelo decreto do governador, como o fechamento de atividades essenciais até 31 de março, serão responsabilizados legalmente por isso. “Não há espaço para gestor negacionista”, alertou o conselheiro, segundo relatos.
Já o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB), fez uma fala marcada por números e emoção, focada na preocupação maior em salvar vidas. Para justificar a adoção da quarentena, o secretário mostrou os dados que provam a evolução do contágio, das mortes e da procura por leitos exclusivos para Covid-19 no Espírito Santo. Em dado momento, ficou com a voz embargada.
Ainda na seção “fortes emoções”, dois prefeitos compartilharam relatos em tom de desabafo. Victor Coelho (PSB), de Cachoeiro, e Daniel da Açaí (PSDB), de São Mateus, contaram que, desde a última terça-feira(16), dia do anúncio do governador, têm enfrentado manifestações contrárias ao fechamento das atividades não essenciais, com direito a carros de som postados em frente à sede das respectivas prefeituras, em protestos insuflados pela postura de prefeitos negacionistas.
A sala virtual teve o expressivo total de 160 participantes. Quase todos os 15 prefeitos faltosos se fizeram representar por algum integrante de sua equipe. Um deles foi o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (DEM), que, alegando um problema de pressão, enviou no seu lugar a secretária municipal de Saúde. Muitos dos prefeitos presentes também fizeram questão de ser acompanhados pelos respectivos vice-prefeitos e secretários municipais.
A reunião se estendeu por mais de duas horas: das 17h30 até perto das 20h. Cerca de 30 gestores municipais usaram a palavra. Não foi registrado nenhum foco de resistência e não houve nenhuma manifestação explícita de contrariedade com o decreto. O tom geral das intervenções dos prefeitos foi de apoio às medidas decretadas pelo governo estadual, mas, acima de tudo, de preocupação quanto às dificuldades práticas para a execução das medidas restritivas e à fiscalização do seu cumprimento. Muitos fizeram questionamentos específicos sobre a parte prática e operacional.
“A responsabilidade passa a ser do prefeito. O cara tem um boteco aberto. Vou ter que ir lá fechar… Como é que eu faço?”, exemplificou um prefeito, em conversa com a coluna logo após a reunião.
Exatamente por isso, houve muitos pedidos ao governo estadual de apoio para a aplicação e a fiscalização das medidas, principalmente com o auxílio da Polícia Militar (PMES). Em sua intervenção final, o governador garantiu isso aos prefeitos e chegou a cobrar do comandante-geral da tropa, Douglas Caus, presente na reunião, uma ação enérgica da PMES nos municípios.
Alguns prefeitos também registraram preocupações relacionadas à limitação de pessoal nas respectivas prefeituras para conseguir fiscalizar todas as atividades e à onda de denuncismo que deve surgir a partir desta quinta-feira.
Por outro lado, alguns chegaram a dizer que pretendem determinar, em suas cidades, restrições pontuais ainda maiores que aquelas previstas no decreto do governador. Tecnicamente, prefeitos têm autonomia para isso. O que não podem fazer é aplicar em suas cidades restrições mais brandas que as do decreto estadual. Tampouco recusar-se a cumprir o que diz a letra do decreto assinado pelo governador.
Na reunião desta quinta, Tiago Rocha se fez presente, mas não pediu a palavra. Outro prefeito que chegou a cogitar não pôr em prática as medidas foi o de Iúna, Romário (PP). Ele também participou da reunião e também não usou a palavra. Mas, segundo uma fonte do governo, ele prontamente voltou atrás e agora apoia o decreto estadual.

AS ADVERTÊNCIAS DOS OUTROS PODERES

A propósito, quem estivesse cogitando confrontar o governo do Estado e desobedecer ao decreto recebeu, durante a reunião, alguns motivos para reconsiderar essa aventura. O presidente do TCES, Rodrigo Chamoun, afirmou, em tom de advertência, que a Corte de Contas vai cobrar e acompanhar a execução do decreto pelos gestores municipais e que os que não o cumprirem serão responsabilizados.
Quem também participou da reunião foi a procuradora-geral de Justiça, Luciana de Andrade, que voltou a manifestar seu pleno apoio ao decreto estadual (construído, na verdade, com o auxílio direto do Ministério Público Estadual).
A exemplo de Chamoun (porém em tom mais suave), a chefe do MPES fez uma fala de advertência aos prefeitos, deixando clara a possível responsabilização cível e até penal de eventuais descumpridores do decreto. Mas não foi só isso. A procuradora também se apresentou de forma colaborativa.
Por um lado, frisou que o MPES não se furtará a fiscalizar o cumprimento adequado das medidas em todos os municípios; por outro, colocou o MPES à inteira disposição dos prefeitos para auxiliá-los no trabalho de execução e fiscalização do cumprimento das medidas.
A chefe do MPES também deixou aos prefeitos uma forte recomendação para que todos se envolvam no esforço coletivo. Recomendou, ainda, que os prefeitos limitem o acesso a parques, praias, praças públicas e feiras livres, também afirmando que o MPES estará com eles para auxiliá-los a executar essa difícil tarefa.

MAIS PEDIDOS E COMPROMISSOS

O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), comprometeu-se a fazer todo o esforço de contenção da presença de pessoas nas praias da cidade. Foi nesse momento que Casagrande perguntou especificamente se o prefeito de Vitória estava presente na sala. Não estava.
O prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), também falou no sentido de limitação de acesso às praias e disse que solicitou à Secretaria de Estado da Saúde alguns equipamentos para o município, como mais oxímetros.
O de Colatina, Guerino Balestrassi (PSC), propôs ao governo do Estado que mexa na tabela da Secretaria de Saúde e eleve os valores pagos aos médicos plantonistas que atuam na rede estadual, pois, segundo ele, Colatina está correndo o sério risco de perder profissionais da área, neste momento crítico, para outros Estados que os estão assediando, como São Paulo.
O de Linhares, Guerino Zanon (MDB), participou da reunião, mas não falou. Ouviu da chefe do MPES elogios por seu trabalho na pandemia.

FORÇA-TAREFA DO GOVERNO

Em nome do governo, além do próprio governador, participaram da reunião a vice-governadora, Jaqueline Moraes (PSB); o secretário de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB); o secretário de Governo, Gilson Daniel (Podemos); o secretário de Planejamento, Álvaro Duboc; a secretária de Turismo, Lenise Loureiro (Cidadania), que, apesar da nova área, ajudou muito na elaboração do decreto.
E, ainda, o secretário de Segurança Pública, Alexandre Ramalho; o comandante-geral da PMES, Douglas Caus; o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda; o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, Alexandre Cerqueira; o representante do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira; e o procurador do Estado Luiz Henrique Pavan.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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