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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

O velho Madureira é o novo aliado de Casagrande

Em seu improvável retorno à Assembleia Legislativa, o ex-conselheiro do Tribunal de Contas tem expressado lealdade e proximidade política com o governador. Não é o único

Publicado em 11/02/2021 às 02h00
Atualizado em 11/02/2021 às 02h03
Madureira jura lealdade a Casagrande
Madureira jura lealdade a Casagrande. Crédito: Amarildo

Assentada a poeira da última eleição municipal e com o pleito estadual do ano que vem ainda relativamente distante no calendário político, o governo Casagrande ingressou naquela zona de serenidade neste início da segunda metade do mandato. No momento, praticamente não encontra oposição no Estado. Ao contrário, tem conseguido expandir seu condomínio de aliados. Dentre os recém-chegados à base, ou neocasagrandistas, ninguém chama mais a atenção do que o deputado estadual Marcos Madureira (Patriota).

Ex-presidente da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Contas do Estado, Madureira retorna ao Legislativo estadual, como suplente de Lorenzo Pazolini (Republicanos), absolutamente alinhado e entrosado com o governador Renato Casagrande. O novo antigo deputado segue envolto em mistério, sem contato algum com a imprensa, mas uma coisa é certa, pelos sinais que deu até aqui: ele chega para reforçar a base do governador na Assembleia.

Tão logo tomou posse, no começo de janeiro, Madureira foi ao encontro do governador, para um clássico ato de beija-mão. Tem sinalizado lealdade e proximidade política com Casagrande. Foi ouvido pelo governador e acompanhou o governo no processo de eleição da Mesa Diretora da Assembleia, que culminou com a reeleição do presidente Erick Musso (Republicanos), no último dia 1º.

Até na nota que fez circular expressando sua vontade de sair do Patriota, no último dia 3, Madureira deu a entender que só tomará qualquer decisão após se aconselhar pessoalmente com o governador. Reclama da “absoluta ausência de comunicação com o presidente estadual do partido” (Rafael Favatto), diz que estuda convites de outras duas legendas, que cogita ingressar com ação no TRE pedindo o reconhecimento de justa causa para desfiliação… e conclui:

“De qualquer forma, no decorrer dessas duas próximas semanas que virão, irei conversar pessoalmente com o governador nesse sentido”.

Ou seja: Casagrande virou conselheiro do ex-conselheiro do TCES, afastado do cargo pela Justiça em fevereiro de 2012 e aposentado do tribunal, espontaneamente, no ano seguinte.

Madureira presidiu a Assembleia de 1993 a 1995. Nos primeiros anos da década de 1990, ele e Casagrande foram contemporâneos na Casa de Leis. No ano 2000, no auge da Era Gratz, foi nomeado conselheiro do TCES, onde ficou por 12 anos. Em 2018, voltou a disputar um mandato de deputado estadual, pelo Partido Republicano Progressista (PRP), o mesmo pelo qual Pazolini concorreu, incorporado ao Patriota em 2019 por não ter superado a cláusula de barreira.

Ficou como 1º suplente de Pazolini e, com a eleição do deputado à Prefeitura de Vitória, faz agora o seu inusitado retorno à Assembleia. Acaba de ser escalado para compor a cobiçadíssima Comissão de Finanças, como membro titular. Quem o escolheu foi o líder do governo no plenário, Dary Pagung (PSB), a quem coube a atribuição de montar as comissões permanentes da Casa.

É mais um fortíssimo indício de que Madureira, hoje, é membro de carteirinha do Clube de Casagrande.

QUEM NÃO TEM COLÍRIO…

Como cantava Raul Seixas, “quem não tem colírio usa óculos escuros”... Na sessão da eleição da nova Mesa, no dia 1º de fevereiro, Madureira atraiu os olhares por ficar de óculos escuros dentro do plenário (apoiados no alto da cabeça). Já o governador, sei não… pode estar precisando de óculos de grau. Ou de lentes de aumento.

TENTE OUTRA VEZ

Uma resistência pulverizada ao nome de Marcelo Santos (Podemos), até então não plenamente captada pelo Palácio Anchieta, despontou do processo de especulações e negociações do governo Casagrande com deputados, em janeiro, tendo em vista a eleição da Mesa Diretora.

Quando o governador e seus emissários, nas rodadas de conversas com os deputados, testaram o nome de Marcelo como possível candidato à presidência, encontraram mais resistência do que esperavam. Resultado das arestas acumuladas com os pares por alguém que quase sempre age nos bastidores e que está na Assembleia desde o início do século.

Com a nova a vitória de Erick, apoiado por ele, Marcelo segue co-mandando na Assembleia. E continua na 1ª vice-presidência da Mesa.

EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS

Por acaso, três das objeções mais contundentes vieram de três dos deputados mais idosos (um time no qual também joga Hércules Silveira): Madureira e Theodorico Ferraço (DEM) são inimigos de Marcelo por questões inauditas. Já Luiz Durão (PDT) tornou-se adversário de Marcelo desde que este – em acordo com Casagrande – desistiu de assumir a Secretaria Estadual de Esportes a fim de evitar que Durão, o 1º suplente da coligação, assumisse a sua vaga na Assembleia.

Marcelo ainda estava no PDT, e Durão havia acabado de ser acusado de estuprar uma adolescente em motel na Serra. Ele foi absolvido da acusação pela Justiça estadual em 1ª e 2ª instâncias.

BASE EXPANDIDA

Durão é outro, aliás, que voltou à Assembleia mostrando-se fidelíssimo a Casagrande – de quem, na verdade, já era próximo politicamente. Somando-se a ele e a Madureira o ex-líder do governo Freitas (PSB), os três suplentes que assumiram o mandato em janeiro chegaram para reforçar o time de Casagrande no plenário.

ALIÁS, PROCURA-SE OPOSIÇÃO

No momento, está difícil encontrar oposição real a Casagrande no Espírito Santo. Em todos os matizes do espectro político, da esquerda à direita, passando pelos 50 tons de Centrão, quase todo mundo é aliado do governo hoje. E quem não é, está enfraquecido ou alheio.

Paulo Hartung (sem partido) está distante do dia a dia da política local. Para todos os efeitos, “desencarnou”. Audifax Barcelos (Rede), agora na planície, espera a próxima eleição… Pazolini, outrora pedra no sapato, agora está fora da Assembleia e precisando, como prefeito, de uma boa parceria com o governo...

O Republicanos foi fagocitado (com Erick, Meneguelli e o próprio Pazolini)... Manato está em viés de baixa... O bolsonarismo foi muito mal nas urnas no Espírito Santo em novembro… O PSDB de Vandinho Leite e o MDB de Lelo Coimbra (ou de Rose?) está em processo de atração...

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