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Vitor Vogas

Magno Malta: o grande vencedor da pré-campanha eleitoral no ES

Antes da largada oficial da campanha, inaugurada neste domingo (16), Magno Malta conseguiu deixar à sua feição a chapa liderada pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini

Publicado em 16 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

16 ago 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Magno Malta discursa em encontro estadual do PL
Magno Malta discursa em encontro estadual do PL Fernando Madeira

Conhecido colecionador de polêmicas, o senador Magno Malta colecionou vitórias políticas na temporada que antecedeu o período eleitoral (a chamada “pré-campanha”). Entre todos os políticos do Espírito Santo que não disputam pessoalmente algum cargo, o presidente estadual do Partido Liberal (PL) pode ser considerado o maior vencedor. Hoje com locomoção limitada, devido a uma série de cirurgias, o senador deitou e rolou.


Após mais de um ano “ameaçando” lançar candidatura própria do PL ao Palácio Anchieta (chegou a dizer que ele mesmo poderia concorrer), por não ver outro candidato de direita genuinamente comprometido com os valores e as causas do bolsonarismo, Magno conseguiu deixar à sua feição a chapa liderada pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, candidato a governador agora oficialmente apoiado pelo PL e pelo próprio senador.


Dizendo-o de modo bem direto: Magno conseguiu botar na chapa quem ele queria. Mais que isso: conseguiu retirar da chapa, ou garantir a não inclusão, daqueles com quem não queria dividir o palanque de Pazolini.


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A coligação em questão, de oposição ao atual governo e ao núcleo de Ricardo Ferraço (MDB) com Renato Casagrande (PSB), é formada por três partidos: o Republicanos de Pazolini, o PL de Magno e o Democrata. Este último é muito pequeno. Os dois pilares da coligação são o Republicanos e o PL, partidos de grande porte nacionalmente.


O Republicanos é uma sigla conservadora de centro-direita para direita, que deita raízes na Igreja Universal do Reino de Deus. O PL é o partido bolsonarista por excelência, agremiação de direita com um pezão na extrema-direita (como o próprio Magno).


O desenho final da chapa ficou assim:


Candidato a governador: Pazolini (Republicanos)


Candidata a vice-governadora: Bispa Eliane Leal (PL)


Candidatos ao Senado: Evair de Melo (Republicanos) e Maguinha Malta (PL)

Magno Malta, Maguinha Malta, Bispa Eliane Leal (vice), Lorenzo Pazolini, Evair Melo e Erick Musso
Magno Malta, Maguinha Malta, Bispa Eliane Leal (vice), Lorenzo Pazolini, Evair Melo e Erick Musso Divulgação

À primeira vista, pode-se argumentar que a divisão ficou meio a meio: dois candidatos majoritários para cada, com vantagem para o Republicanos, que ocupa a cabeça da chapa. Dois partidos igualmente fortes, com espaços divididos entre eles. Isso se nos ativermos ao retrato final.


Mas, quando analisamos o filme, o percurso que nos trouxe até aqui, chama a atenção o poder acumulado por Magno nessa coligação e o grau de concessões feitas por Pazolini ao senador, a fim de atender ao PL e garantir a presença do partido dos Bolsonaro em seu palanque.


Aceitar absorver Maguinha e declarar apoio à filha de Magno? Check!


Não abraçar a candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado? Check!


Declarar apoio a Flávio Bolsonaro e incorporar em seu discurso de campanha, ainda que moderadamente, algumas das pautas do PL? Check!


Aceitar, no fim das contas, que o PL emplacasse não só Maguinha, mas também a candidata a vice-governadora? Check, check, check!


Por sua vez, Magno chega ao umbral do período oficial de campanha ostentando, no mínimo, uma tripla conquista:


1) Impôs Maguinha na coligação;


2) Barrou Meneguelli (e, de quebra, Paulo Hartung), afugentando o PSD;


3) Ainda por cima emplacou a vice, uma quase total desconhecida até mesmo no meio político, oriunda do séquito dele.

Vice-governadora: a concessão mais importante

A concessão mais evidente diz respeito à escolha da companheira de chapa de Pazolini. Tudo bem sopesado, o que pode ser mais importante, para um candidato a governador, do que a escalação de seu companheiro ou companheira de chapa? Ora, em caso de vitória nas urnas, será ela a substituta imediata e a primeira na linha sucessória. De uma semaninha de férias à eventual impossibilidade de dar sequência ao mandato, é ela quem estará ali, na cara do gol...


Ninguém espera que fatalidades ou imprevistos ocorram, mas o conceito de “imprevisível” é exatamente este: algo inesperado, que ninguém poderia ter previsto e a que todos nós estamos sujeitos. Qualquer vice-governador(a) pode realmente assumir o governo. Por isso, para o titular, deve ser alguém em quem ele possa confiar cegamente, com quem mantenha excelente diálogo e entrosamento político. Isso no plano ideal.


Ora, a Bispa Eliane não era o plano A de Pazolini. Nem o B ou C... Os dois mal se conhecem. Policial militar da reserva, pastora e pregadora evangélica, da Igreja Tabernáculo de Adoração, em Colatina, a Bispa pode ser entendida como um aceno de Pazolini ao eleitorado feminino e ao evangélico. Mas o que preponderou, de verdade, foi o fato de ser a indicação pessoal de Magno. 

Bispa Eliane Leal e Magno Malta
Bispa Eliane Leal e Magno Malta Reprodução Instagram

A vice preferencial para Pazolini, efetivamente convidada por ele, era a oncologista Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina. Não só pelo perfil dela, mas porque traria com ela o PSD, outro partido de grande relevância. Ora, se pararmos para pensar, qual foi o real motivo, a origem da não vinda de Lívia senão... Magno Malta?!?


Ao se unir à coligação de Pazolini, o senador deu um chega para lá no PSD, vetando a candidatura de Meneguelli ao Senado... Sem espaço, o PSD espirrou para fora da coligação. E assim, jogada para escanteio, Lívia ficou impossibilitada de ser a vice de Pazolini (como ambos gostariam).


Mesmo que indiretamente, Magno impediu Pazolini de ter ao seu lado a vice priorizada por ele... e, como se não bastasse, o senador ainda emplacou a vice de sua inteira confiança, feita da sua costela política. Nesse caso, para o ex-prefeito de Vitória, a distância entre a expectativa e a realidade foi a distância entre a Doutora Lívia e a Bispa Eliane, entre a médica e a pastora.


A Bispa é um calço para Magno. Se Pazolini vencer e por qualquer eventualidade precisar transmitir o cargo, quem governará de fato o Espírito Santo? É uma pergunta legítima. 

Vice de Pazolini não terá “Bispa” no nome de urna

Eliane Leal Vieira, 50 anos, já disputou uma eleição na vida: em 2024, foi candidata a vice-prefeita de Luciano Merlo em Colatina, na chapa puro-sangue do PL. O pleito foi vencido por Renzo Vasconcelos (PSD), marido da já citada Lívia.


Nesta eleição, a pastora seria candidata a deputada estadual na chapa do PL e assim chegou a ser registrada pelo partido.


Como candidata a deputada, ela foi inscrita com o nome de urna Bispa Eliane Leal, conforme consta no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Entretanto, por decisão da campanha de Pazolini, ela não foi registrada como candidata a vice-governadora com o mesmo nome de urna. O Republicanos cortou o título “Bispa”, deixando só Eliane Leal. É assim que consta agora nos registros do TSE, no programa de governo de Pazolini e no material de campanha do candidato.


A explicação que recebemos de uma fonte do QG republicano é que encurtar o nome de urna era melhor para a produção do material (atrasada, dada a demora na definição), pois “Bispa Eliane Leal” seria muito longo.


Pode ser...


Mas também não deixa de ser uma maneira de suprimir do material de campanha o título e a “aura religiosa” da companheira de chapa. O termo “Bispa” poderia gerar estranhamento e até afastar potenciais eleitores de outros credos e crenças.


Cumpre lembrar que o próprio Republicanos, partido de Pazolini, mantém profunda relação histórica e institucional com a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fundada pelo Bispo Edir Macedo.


A legenda também abriga familiares diretos de Macedo, como o ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (o Bispo Crivella), pastor da IURD, e outras figuras proeminentes dessa denominação evangélica, como o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do partido e bispo licenciado da mesma igreja.


Enfim, a vice de Pazolini não tem mais “bispa” no nome de urna, mas o partido do candidato é o “partido dos bispos”.

À sua feição

No início deste texto, escrevi que Magno conseguiu deixar a chapa de Pazolini à sua feição.


Por curiosidade, no dia 1º de agosto, durante a convenção estadual do PL, o próprio senador disse o seguinte a respeito do aliado:


“É quem mais se parece conosco neste momento, tem mais traços, parece mais as rugas conosco, parece muito mais com as nossas orelhas e tal... Então, nós vamos nos aproximar e estar juntos com quem parece um pouco mais conosco. E, neste momento, ele parece mais conosco”.


Mas a chapa também ficou com os traços e as orelhas de Magno... uma de cada lado da cabeça da chapa (Pazolini). 


To be continued...

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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