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Vitor Vogas

Quem está de verdade na disputa pela Câmara dos Deputados no ES (atualizado)

Quais os partidos que realmente estão no páreo, com chances reais de fazer pelo menos um federal? E quais são os candidatos que estão de fato na briga por uma das 10 cadeiras?

Publicado em 30 de Setembro de 2026 às 05:05

Públicado em 

30 set 2026 às 05:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Plenário da Câmara dos Deputados Wilson Dias/Agência Brasil

Este texto é daqueles para guardar e cobrar o colunista mais à frente (precisamente, no dia 4 de outubro): exercício de antecipação – com base em nosso conhecimento sobre a realidade político-eleitoral capixaba e sobre os personagens envolvidos na disputa, bem como apurações com fontes que entendem muito de eleições legislativas.


No começo de agosto, cheguei a publicar uma coluna com este mesmo objetivo. De lá para cá, porém, a campanha começou oficialmente, e houve alguns fatos importantes que alteram o cenário, como a rejeição da candidatura de Gilvan da Federal (PL) pelo TRE-ES. O essencial, porém, não mudou.


No Espírito Santo, só meia-dúzia de partidos ou federações brigarão verdadeiramente pelas dez vagas em disputa na bancada capixaba na Câmara dos Deputados. São eles, por ordem alfabética: a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), a Federação União Progressista (União Brasil e PP), o Partido Liberal (PL), o Podemos, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Republicanos.


Esses seis partidos ou federações lançaram chapas completas no Estado (com 11 candidatos a federal, sendo pelo menos quatro mulheres). Com altíssima dose de realismo, podemos dizer que são essas as chapas que têm chances verdadeiras de eleger pelo menos um federal no Espírito Santo.


Pelo meu prognóstico, analisando a composição das chapas e as possibilidades de votação total de cada uma, as 10 vagas serão distribuídas da seguinte maneira. Em negrito, marquei o número de eleitos que acredito ser mais provável em cada caso:

. Federação União Progressista: 2 ou 3


. Partido Socialista Brasileiro (PSB): 2


. Podemos: 1 ou 2


. Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB): 1 ou 2


. Partido Liberal (PL): 1 ou 2


. Republicanos: 0 ou 1

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Vale lembrar que, desde a eleição de 2018, partidos não podem formar coligações nas disputas proporcionais (para vereadores, deputados estaduais e deputados federais, caso aqui tratado). Isso significa que cada partido ou federação precisa montar e registrar a própria chapa, sem contar com a ajuda de terceiros.


Na eleição para a Câmara dos Deputados, o sistema eleitoral de distribuição das vagas é o proporcional, baseado no quociente eleitoral calculado em cada unidade da federação. Este é o resultado do número total de votos válidos para deputado federal no estado dividido pelo número de vagas em disputa (o tamanho da bancada daquele estado).


No Espírito Santo, dirigentes partidários e advogados eleitoralistas projetam para o próximo domingo um quociente eleitoral de cerca de 215 mil votos, ou um pouco menor (projeção de 2,1 milhões de votos válidos para deputado federal, divididos por 10 cadeiras em jogo).


A chapa que atingir uma votação total superior a essa marca garante uma cadeira na Câmara. A votação total da chapa corresponde à soma dos votos nominais de todos os seus candidatos, mais os possíveis votos na legenda. 


Assim, 215 mil é o número mágico com que trabalham os partidos. Mas, logicamente, o quociente poderá ser diferente, para mais ou mais para menos, dependendo do número total de votos válidos, o qual, por sua vez, dependerá de uma série de fatores, como o índice de abstenção. Este, por sua vez, depende de outros fatores imponderáveis, como o ânimo da população e até o tempo que fará no Espírito Santo no domingo (se chover, por exemplo, menos gente tende a votar). 

 

De todo modo, vamos trabalhar com essa estimativa de 215 mil votos. Nesse caso, ainda é possível que determinada chapa consiga eleger um federal, nas sobras, se ultrapassar 172 mil votos (80% do quociente eleitoral) e se o candidato em questão ultrapassar, individualmente, 43 mil votos (20% do quociente eleitoral).


No mercado político capixaba, a estimativa é a seguinte:


. para fazer 1 federal (quociente eleitoral): pelo menos 215 mil votos (sendo possível brigar por uma vaga nas sobras, nas condições explicadas acima)


. para fazer 2 federais: pelo menos 270 mil votos


. para fazer 3 federais: pelo menos 410 mil votos

Os candidatos mais competitivos

A outra conclusão é a seguinte: “na real”, as nossas 10 cadeiras estão sendo disputadas por um rol bastante restrito de candidatos, que não chega a 30 nomes.

 

Abaixo, passo a especificar os nomes mais competitivos, com base em minhas informações e avaliações ouvidas de um conjunto de fontes diretamente envolvidas no processo.

. Federação União Progressista (União Brasil e PP): certamente fará 2 e é a única chapa que tem chances reais de fazer 3 federais

 

Chances maiores de eleição: Da Vitória (PP), Marcelo Santos (União) e Dr. Bruno Resende (União). Correndo por fora, estão Amaro Neto (PP) e Messias Donato (União). Os cinco brigam pelas duas ou três vagas.

 

. PSB: chances muito grandes de fazer 2

 

Chances maiores de eleição: Tyago Hoffmann, Emanuela Pedroso (Manu), Felipe Rigoni e Freitas. Correndo por fora, Dr. Victor, Rafael Pacheco e Vitor de Angelo.

 

A chapa do partido do ex-governador Renato Casagrande (candidato ao Senado) é a “chapa dos ex-secretários”, pois reúne um número sem precedentes de ex-secretários de Estado. À exceção de Dr. Victor, que disputa a reeleição, todos estavam no alto escalão do governo Casagrande e renunciaram aos respectivos cargos em abril para se candidatarem.

 

É uma chapa muito nivelada, com enorme concorrência interna. Difícil cravar quem tem mais chances... Mas é possível apontar certo favoritismo para os quatro primeiros.

 

No PSB, há quem sonhe em fazer 3 federais... Mas isso só será possível no caso de um resultado muito ruim de PL e Republicanos (se essas duas chapas não elegerem ninguém).

 

. Podemos: seguramente fará 1, com chances reais de chegar a 2


Chances maiores de eleição: Serginho Vidigal e Gilson Daniel. Se o Podemos fizer dois, serão eles. Se fizer um, ambos brigarão por essa vaga.

 

. Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): fará seguramente 1 federal, podendo chegar a 2

 

Chances maiores de eleição: João Coser é apontado como favorito. Jack Rocha e Iriny Lopes brigam pela eventual segunda vaga, com certo favoritismo para a primeira. Todos são do PT.

 

. PL: mais provável que faça 1


Chances maiores de eleição: Lucas Polese. O desfalque de Gilvan prejudicou significativamente as chances de a chapa fazer 2. Embora pouco provável, isso ainda poderá ocorrer, dependendo do desempenho das outras chapas, do voto de legenda no PL e da votação do substituto de Gilvan, que herdou o número de urna dele.

. Republicanos: mais provável que consiga fazer um, mas, deste seleto rol, é a única chapa apontada com risco de não eleger ninguém

 

Chances maiores de eleição: Erick Musso, Coronel Ramalho, Manato, Capitão Assis e Agente Dias.

Com as desfiliações de Amaro e Messias em março e a perda de Evair (que virou candidato a senador) em agosto, a chapa perdeu competitividade. Mas poderá garantir um federal no embalo da campanha de Pazolini a governador e com a ajuda política da Prefeitura de Vitória. A prefeita Cris Samorini (PP), por exemplo, declarou apoio a Erick. 

 

Entre os que ficaram, vê-se uma chapa muito nivelada. Difícil dizer quem tem maiores chances entre esses cinco.

Observação: surpresas sempre pode haver

Todos os nomes citados acima têm chances, maiores ou menores, de beliscar uma das dez vagas na Câmara. Não se pode descartar, por óbvio, uma possível surpresa: alguém que tenha escapado a meu radar e que não tenha sido aqui incluído ou incluída. 

Olho neles

Entre os nomes citados acima, dois talvez não chamem tanto a atenção da mídia, mas, segundo vários relatos, possuem chances verdadeiras de pegar uma vaga.

 

Um deles é o Dr. Bruno Resende (União), médico oncologista e deputado estadual no primeiro mandato. Ocorre que ele se tornou uma grande aposta para “varrer votos” nos municípios do Sul do Estado, onde desfila praticamente sozinho.

 

De todos os nomes citados acima, ninguém, além do médico de Cachoeiro, tem reduto eleitoral fixo no Sul. Além disso, ele obteve o apoio de ninguém menos que o prefeito cachoeirense, Theodorico Ferraço (PP), membro da mesma federação.

 

O segundo é um agora velho conhecido do eleitorado capixaba: Felipe Rigoni (PSB). Surpresa maior da eleição para a Câmara no Espírito Santo em 2018 (quando, muito jovem e desconhecido, elegeu-se federal com uma das maiores votações), ele sabe fazer campanha nas redes sociais como ninguém. Em 2022, não renovou o mandato, por causa da legenda, apesar de ter sido bem votado.

 

Após quatro anos sem mandato e chefiando a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Rigoni volta fazendo campanha do mesmo jeito: sem estardalhaço, voando abaixo do radar da mídia e dos concorrentes diretos... “Ele é ‘liso’. Você não sente a presença dele, mas ele está ali”, define uma fonte.

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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