Erramos: Na primeira versão desta coluna, publicada às 5 horas desta quarta-feira (9), informamos que o vereador Davi Esmael (PSD) concorrerá ao seu quarto mandato seguido na Câmara de Vitória. A informação correta, publicada às 13h15 desta quarta-feira (9), é que ele disputará o seu terceiro mandato consecutivo no Legislativo municipal, aonde chegou na eleição de 2012.
Em 2016, aos 35 anos, o advogado Mazinho dos Anjos disputou e venceu a sua primeira eleição, tornando-se vereador de Vitória pelo PSD, com votação principalmente na região da Praia do Canto e bairros vizinhos. Agora, perto de encerrar seu mandato na Câmara Municipal e prestes a completar 39 anos, o vereador se prepara para um desafio bem maior: concorrer pela primeira vez à Prefeitura de Vitória, pelo mesmo partido e, provavelmente, sem coligação. Para essa disputa, Mazinho se apresenta, declaradamente, como candidato de oposição à atual gestão, liderada pelo prefeito Luciano Rezende (Cidadania).
“Eu me considero um candidato de oposição à atual gestão porque uma das coisas que me motivou a ser candidato é a situação atual da Prefeitura de Vitória: sem planejamento, sem equipe técnica, sem eficiência na gestão, lenta.”
Quando se olha a lista de pré-candidatos, Mazinho pode ser considerado um azarão, mas está se preparando muito seriamente para esse processo eleitoral. Sua campanha e seu plano de governo estão sendo planejados desde junho do ano passado, quando decidiu ser candidato.
Para isso, o meticuloso vereador conta com um time técnico de colaboradores que já atuaram no governo estadual sob a chefia de Paulo Hartung e de Renato Casagrande (o próprio Mazinho colaborou em vários cargos comissionados em administrações de ambos, de 2008 a 2014). Entre seus conselheiros está o jornalista Tião Barbosa, secretário estadual de Comunicação e chefe de gabinete do governador entre 2003 e 2008, nos dois primeiros governos de Hartung. Na campanha de Mazinho, Tião responde pelo direcionamento do marketing e da estratégia política.
Sobrinho do deputado estadual Enivaldo dos Anjos (também do PSD), Edmar Lorencini dos Anjos militou em movimentos de jovens empreendedores antes de entrar na política. Definindo-se como um político liberal, com olhar voltado para o mercado, chegou à Câmara de Vitória com discurso em prol do empreendedorismo e da desburocratização. De fato, foram essas as principais bandeiras empunhadas por ele em sua atuação parlamentar.
Ao longo do mandato na Câmara, firmou-se gradativamente como vereador de oposição à administração de Luciano – como ele mesmo admite. Mais recentemente, formou uma parceria política nesse campo oposicionista com o vereador Davi Esmael (ex-PSB), filiado por ele ao PSD na janela de março/abril para concorrer a seu quarto mandato seguido na Câmara.
Outra forte aposta de Mazinho para essa campanha é a força de seu partido, que lhe permite abdicar de uma ampla coligação. Por ter a terceira maior bancada na Câmara dos Deputados, o PSD possui recursos para financiar a campanha e, pelos cálculos de Mazinho, lhe dará, sozinho, cerca de 1 minuto e 40 segundos de tempo de TV no horário eleitoral.
O plano de governo de Mazinho, antecipa o vereador, será dividido em 10 áreas: saúde; segurança; educação; infraestrutura, obras e saneamento; mobilidade urbana, urbanismo e habitação; desenvolvimento econômico; turismo; gestão pública; assistência social; meio ambiente, sustentabilidade, esporte e lazer.
“Saúde, turismo e desenvolvimento econômico serão as matrizes do nosso plano, que vão impactar todas as outras áreas”, destaca o candidato, cujo nome foi homologado na convenção do PSD de Vitória no último sábado (5).
Confira abaixo os melhores trechos do nosso bate-papo com Mazinho sobre Luciano, Paulo Hartung, Enivaldo e o que ele propõe para a cidade.
PRINCIPAIS PROPOSTAS DE CAMPANHA
“Minhas principais propostas virão do desenvolvimento econômico sustentável, para a gente poder destacar a criação de empregos, a diversificação da economia, a expansão dos negócios na cidade. Olhar para a receita. Infelizmente a Prefeitura de Vitória não olha para a receita. Ela só olha para a despesa. Então temos também que aumentar a receita para poder levar investimento para a cidade. Vitória precisa recuperar a sua capacidade de investimento e, automaticamente, melhorar a qualidade de vida. Vamos focar muito na questão do desenvolvimento econômico, com uma matriz muito voltada para turismo e inovação, para podermos recuperar essa capacidade de investimento e investir nas áreas prioritárias: saúde, educação e segurança. E queremos focar numa gestão pública eficiente, para trazer resultado nas principais áreas para o cidadão que está na ponta.”
A CAMPANHA EM 2016 E A RELAÇÃO COM LUCIANO
“Meu mandato foi o quê? Qual foi o meu compromisso com o eleitor de Vitória? Cumprir o que eu falei durante a campanha em 2016. Então minha pauta prioritária eram o empreendedorismo, a desburocratização, a simplificação administrativa. Fiz alguns compromissos de campanha. O meu mandato não era nem de situação nem de oposição. Na minha primeira conversa com Luciano Rezende, em 2017, quando ele me chamou para conversar no início do mandato, ele me perguntou exatamente isso: 'Mazinho, como é sua posição?' Participou dessa conversa o Davi Diniz, que era secretário municipal da Fazenda e com quem tenho muito boa relação. Eu disse: 'Prefeito, minha atuação será cumprir o que me comprometi com o cidadão de Vitória na minha campanha, e o que for bom para a cidade vai ter o meu apoio e o meu aval'. Não é à toa que, se você pegar esses três anos e oito meses de mandato, eu diria que votei a favor de 90% dos projetos do prefeito, porque acredito que a pessoa eleita tem o direito de administrar a cidade. Não vou fazer oposição por oposição. Vou dar um exemplo simples: votei a favor do empréstimo de R$ 200 milhões do Finisa para Vitória em 2018.”
E ONDE FOI QUE HOUVE DISCORDÂNCIAS?
“O tratamento do Executivo com a Câmara não é um tratamento de diálogo permanente e de construção. É um tratamento de imposição. E comigo isso não funciona. Gosto de ler todos os projetos, de estudar todos os projetos e de opinar sobre todos. Se você manda um projeto para a Câmara sem antes discutir com os vereadores, de modo unilateral, como começou a ser o modus operandi do Executivo, eu vou discordar, e comecei a discordar. Então esse foi um posicionamento do Executivo que não me agrada. E não tem nenhum tipo de convencimento diferente, porque eu não fico pedindo poda de árvore, não sou um vereador de bairro nem muito menos fico pedindo cargos para o Executivo. Nunca nem toquei nesse assunto com o Luciano. A minha postura é de debater a cidade. Para você ter uma ideia, em três anos e oito meses de mandato, acho que eu estive três vezes com o Luciano Rezende.”
CANDIDATURA DE OPOSIÇÃO
“Eu me considero um candidato de oposição à atual gestão porque uma das coisas que me motivou a ser candidato é a situação atual da Prefeitura de Vitória: sem planejamento, sem equipe técnica, sem eficiência na gestão, lenta. Quando assumi o mandato, estudei bastante a administração da cidade e vivencio aquilo. Conheço a fundo praticamente todos os contratos da Prefeitura de Vitória. Conheço praticamente todos os equipamentos públicos da cidade. Já visitei as 29 unidades de saúde, já visitei mais de 80 escolas e creches, já visitei diversas obras que estão em execução e que já estão prontas, os equipamentos da assistência social. Então eu conheço a administração pública de Vitória. E vejo que as coisas ficaram paradas no tempo.”
CRÍTICAS À ATUAL ADMINISTRAÇÃO
“Se você pegar o contrato do Finisa, de R$ 200 milhões, nenhuma das obras que foram pactuadas com os vereadores e com a cidade está sendo executada. Nenhuma. Zero. Eles estão torrando o dinheiro com insumos do dia a dia. Dei meu aval para o empréstimo. Mas, a partir do momento que isso está sendo feito, eu, como parlamentar, tenho a obrigação de apontar o dedo e mostrar que está errado. Então isso me tornou um vereador de oposição, porque infelizmente a prefeitura não aceita esse tipo de postura. Então esse tipo de gestão, que para mim não é gestão, mas uma gestão política, é que me motiva a disputar a eleição. Quero mostrar que é possível fazer uma gestão técnica, eficiente, sem compromissos políticos.”
PAULO HARTUNG E CASAGRANDE
“Eu não tenho o apoio nem do Paulo nem do Renato. Eu acho que nenhum dos dois tem a intenção de me atrapalhar, o que já está bom demais. Mas apoio eu não tenho de nenhum do dois e acho que não vou ter. Eu tive uma conversa com o ex-governador no ano passado, dizendo a ele que seria candidato. Ele me disse que me via como um bom nome para a disputa, mas nada além disso.”
TIÃO BARBOSA
“Tião está vindo mais pela minha relação com o Guilherme Barbosa, que é meu amigo há mais de vinte anos. E também porque acredita que temos condições de disputar e ganhar a eleição.”
ENIVALDO DOS ANJOS
“Enivaldo vai disputar uma eleição de prefeito também. Ele está muito focado na eleição dele lá em Barra de São Francisco. E essa questão da pandemia também o prejudica muito porque ele está no grupo de risco. Ele está sem muita mobilidade por causa da pandemia. Mas com certeza vai me ajudar e me apoiar. É meu tio e tenho com ele uma relação de carinho e de admiração familiar. A gente se dá super bem na família. Mas, politicamente, eu tenho o pensamento um pouco diferente dele. Enivaldo sempre foi centro-esquerda, brizolista, aquela visão mais de trabalhador e tal... Eu já tenho uma visão mais liberal, mais voltada para o mercado. A gente tem essa divergência ideológica.”
O ALMOÇO DE DOMINGO DA FAMÍLIA DOS ANJOS
“Na família do meu pai são dez irmãos. Dois deles ainda acham que Lula é um Deus na Terra. O falecido tio Edgar era de extrema-direita... No almoço de domingo, a família brigava quando começava a falar de política. E eu ficava ali, pequenininho, vendo aquela confusão toda...”