Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

ES é vergonha nacional em número de mulheres com mandatos. E quadro não deve mudar

Infelizmente não parece ser desta vez que os capixabas ampliarão a presença de mulheres no exercício de mandatos eletivos. No domingo, não haverá progresso. Ou, se houver algum, será mínimo. Conheça aqui os números atuais e as minhas previsões

Publicado em 01 de Outubro de 2026 às 05:00

Públicado em 

01 out 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
No sentido da leitura, Manu Pedroso, Jack Rocha, Iriny Lopes e Capitã Andressa
No sentido da leitura, Manu Pedroso, Jack Rocha, Iriny Lopes e Capitã Andressa Fotomontagem

A representatividade feminina na política brasileira, nos três Poderes e nas três esferas (municípios, estados e nação), é uma lástima. Em que pesem alguns pequenos avanços e conquistas nas últimas décadas em termos de participação das mulheres na sociedade, mercado de trabalho etc. (ainda muito aquém do ideal), no universo político, a presença feminina em espaços de poder ainda é pífia.


Na Câmara dos Deputados, hoje, só 91 dos 513 parlamentares são mulheres (menos de 20%). No Senado, são só 16 de 81 (menos de 20%).


No Supremo Tribunal Federal (STF), de 11 ministros (com 10 vagas ocupadas no momento), só uma é mulher: Cármen Lúcia. Havia duas, mas em 2023 Rosa Weber se aposentou. Para o lugar dela, o presidente Lula (PT) indicou Flávio Dino. Pouco antes, Cristiano Zanin substituiu Ricardo Lewandowski. Depois, para a vaga de Luís Roberto Barroso, Lula indicou Jorge Messias, rejeitado pelo Senado em maio deste ano. O presidente não priorizou o critério de gênero.


Hoje, só há duas governadoras no universo de 27 unidades da federação: Raquel Lyra, candidata à reeleição em Pernambuco, e Fátima Bezerra, encerrando o segundo mandato consecutivo no Rio Grande do Norte.


Mas o quadro no Espírito Santo é particularmente vexatório. Nunca tivemos uma governadora. Neste ano, não há candidata ao cargo. Só candidatas a vice-governadora, como a Bispa Eliane Leal (PL), vice de Lorenzo Pazolini (Rep), e a Professora Valdirene (PT), vice de Helder Salomão (PT). 


> Quer receber as publicações da Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui


Tivemos uma vice-governadora, Jacqueline Moraes (PSB), de 2019 a 2022. Depois ela se tornou a primeira secretária estadual de Políticas para Mulheres, pasta criada no último governo de Renato Casagrande (PSB).


Até hoje, os capixabas só elegeram uma senadora: Rose de Freitas (MDB), em 2014, não reeleita em 2022. Já tivemos outras representantes no Senado, mas elas assumiram o cago como suplentes: Luzia Toledo tornou-se senadora quando José Ignácio elegeu-se governador em 1998; Ana Rita Esgário, do PT, chegou ao Senado quando Casagrande elegeu-se governador pela primeira vez, em 2010.


Em nossa Assembleia Legislativa, das 30 cadeiras, só 4 são ocupadas por mulheres na atual legislatura (13%). São elas: Camila Valadão (PSol), Iriny Lopes (PT), Janete de Sá (PSB) e Raquel Lessa (PP). Ao longo deste século, nas últimas seis legislaturas, a média tem sido essa, sem grande variação: de três a cinco mulheres na Casa, no máximo: na melhor hipótese, uma mulher a cada seis deputados.


No Congresso Nacional, a situação é ainda pior. A bancada capixaba na Câmara é pequena: só temos 10 assentos. No Senado, como todos os estados, temos três. Desde 2023, das 13 cadeiras, só uma é ocupada por mulher: a deputada Jack Rocha, do PT. Dá constrangedores 7,7%. Foi o resultado que saiu das urnas no Espírito Santo em 2022.


Aliás, nas últimas eleições gerais, piorou um cenário que já era ruim. Até 2022, a bancada capixaba tinha três mulheres entre os 13 congressistas. Além de Rose, senadora eleita em 2014, havia as deputadas federais Norma Ayub e Soraya Manato – eleitas em 2018 e esposas, respectivamente, de Theodorico Ferraço e Carlos Manato. Antes delas, houve os dois mandatos da cantora gospel Lauriete, que foi casada com o senador Magno Malta. 


Aqui é preciso fazer outra observação: a chamada “bancada das esposas” comprova que muitas das poucas mulheres que conseguem chegar lá se elegem, em grande medida, graças à influência política dos respectivos cônjuges ou companheiros. 


Quando “descemos” para a esfera municipal, acreditem: “pior do que tá, fica”. Na Câmara de Vitória, por exemplo, das 21 atuais cadeiras, só três são ocupadas por mulheres: Ana Paula Rocha (PSol), Karla Coser (PT) e Mara Maroca (PP). Média: uma em cada 7. Na Câmara de Cariacica, só há a vereadora Açucena (PT), num universo de 19 edis.


E agora vem o pior...


O Espírito Santo tem 78 cidades. Vocês sabiam que, nas últimas eleições municipais, em 2024, só duas elegeram mulheres? Duas prefeitas num total de 78 municípios! Isso equivale a 2,5%. 


Entre todos os estados brasileiros, o Espírito Santo foi, proporcionalmente, o que elegeu menos prefeitas. Foram a de Montanha, Iracy Baltar, e a de São Domingos do Norte, Ana Malacarne. A população somada dessas duas cidades é de 30 mil pessoas (menos de 1% da população capixaba).


Desde abril, há também a prefeita de Vitória, Cris Samorini, que governa mais de 300 mil munícipes. Mas ela foi eleita vice-prefeita em 2024 e assumiu no lugar do então prefeito Pazolini, que renunciou ao cargo para disputar o Palácio Anchieta.

Quadro não tende a melhorar

Penso de verdade que precisamos refletir sobre esse assunto, sobre o que esses números dizem sobre o Espírito Santo e sobre o povo capixaba, pois é um problema crônico. Se os números no país são ruins, são ainda piores no recorte estadual.


Aumentar a representatividade feminina nos espaços de poder é fundamental. E é especialmente importante nas casas legislativas: nesta eleição, Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado.


Afinal, o Parlamento é a “casa do povo”. É um reflexo da sociedade, e vice-versa. Acredito que esse reflexo precise começar a ficar mais fidedigno e menos distorcido.


Infelizmente, porém, não parece ser desta vez que os capixabas ampliarão a presença de mulheres no exercício de mandatos eletivos. No domingo, não haverá progresso. Ou, se houver algum, será mínimo.


Na Câmara Federal, dos dez deputados, serão eleitas de 0 a 3 mulheres no Espírito Santo. Na pior hipótese (plausível), nenhuma; na melhor hipótese, três.


Mas é difícil que sejam eleitas três.


Conforme demonstramos aqui, dos pouco mais de 20 candidatos a deputado federal que efetivamente disputam as 10 vagas, só podemos destacar três mulheres: Jack Rocha e Iriny Lopes (ambas do PT), e Manu Pedroso (PSB).


A eleição de Manu, na chapa do PSB, é uma possibilidade, mas não é certa. Ela está entre os quatro principais cotados, lutando por uma das duas vagas que a chapa deverá preencher. Na chapa do PT, Jack e Iriny lutam por uma vaga. A eleição de ambas é uma possibilidade remota, já que ainda há João Coser na briga, e o PT deverá fazer de um a dois federais em solo capixaba.


A única mulher que acredito que possa surpreender é a Capitã Andressa (PP), uma incógnita nas urnas. Como influencer que é, ela até poderá obter uma boa votação. A dificuldade para Andressa é que ela concorre em uma chapa muito pesada, que poderá eleger de dois a três federais, mas conta com outros candidatos muito fortes (todos homens), como Da Vitória, Marcelo Santos, Dr. Bruno Resende, Amaro Neto e Messias Donato.


Já na Assembleia Legislativa, minha aposta é que se deve manter a média histórica muito baixa, com a eleição de três a, no máximo, seis mulheres num conjunto de 30 (1/5 do total, ou 20%).

Leia mais colunas de Vitor Vogas

ES é vergonha nacional em número de mulheres com mandatos. E quadro não deve mudar

Análise: Ricardo bem mais afiado e debate centrado em Vitória na TV Gazeta

Quem está de verdade na disputa pela Câmara dos Deputados no ES (atualizado)

A parábola política de Paulo Hartung

Fogo cruzado entre Helder e Ricardo é um perigo para os dois

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Tatuagem, piercing e idade: as novas regras para doação de sangue
Imagem de destaque
Mulher que seria executada no Tennessee sobrevive a duas injeções letais
Ferrovia, linha de trem
EF 118: construção da ferrovia deve ser prioridade para o próximo governador

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados