O governador Renato Casagrande (PSB) decidiu substituir o secretário estadual de Justiça. O delegado federal carioca Luiz Carlos de Carvalho Cruz deixa o cargo, ocupado por ele desde o início do governo. No lugar dele, entra o defensor público Marcello Paiva de Mello. A Secretaria de Justiça (Sejus) é responsável por administrar o sistema penitenciário estadual.
A troca, pelo que apuramos, passou por uma avaliação de perfil. Na cúpula do governo, Cruz era visto como um secretário "idealista", um formulador com perfil mais teórico. Tinha grandes projetos para a Sejus, mas que demandavam muito tempo para implementação. Casagrande buscou, então, um substituto com maior experiência específica na área de gestão do sistema prisional.
Marcello Paiva de Mello chegou a ser chefe do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) durante o governo Temer, quando o ministro da Justiça e da Segurança Pública era o hoje ministro do STF Alexandre de Moraes. No governo Casagrande, a avaliação é que ele conhece o sistema penitenciário de todo o país, incluindo todas as unidades prisionais do Espírito Santo e que tem bom trânsito entre os Poderes.
Não se pode dizer que essa troca em particular tenha tido motivações políticas, até porque um técnico é substituído por outro. A "leitura política" possível é que, com menos de dois anos restantes no governo e uma possível tentativa de reeleição pela frente, Casagrande busca resultados melhores e mais imediatos para apresentar à população até 2022 também na área do sistema prisional, que é sempre um barril de pólvora para qualquer governador.
Delegado de carreira da Polícia Federal, Luiz Carlos Cruz voltará a trabalhar na instituição no Rio de Janeiro, seu Estado de origem.
Essa troca na Sejus também faz parte da reforma do secretariado iniciada por Casagrande no fim de fevereiro. A primeira foi na Secretaria de Governo, em que Tyago Hoffmann (PSB) deu lugar ao ex-prefeito de Viana Gilson Daniel (Podemos). Hoffmann, por sua vez, foi deslocado para o comando de uma nova pasta, resultante da junção de outras duas secretarias: a de Desenvolvimento com a de Ciência, Tecnologia e Inovação.
O até então secretário de Desenvolvimento, Marcos Kneip Navarro, assumiu uma diretoria no Bandes, enquanto a pesquisadora Cristina Engel Alvarez, até então secretária de Ciência e Tecnologia, passou a presidir a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Ambos agora estão subordinados à nova secretaria chefiada por Hoffmann.
Na última quinta-feira (4), o governador anunciou que a até então secretária de Gestão e Recursos Humanos, Lenise Loureiro (Cidadania), vai para a chefia da Secretaria de Turismo, que era comandada por Dorval Uliana. No lugar dela, o servidor de carreira Marcelo Calmon assume a Seger.
Conforme publicamos aqui no dia 26 de fevereiro, o chefe da Procuradoria-Geral do Estado também será substituído. A pedido, Rodrigo de Paula deixa o cargo, que será preenchido por Jasson Hibner Amaral, procurador de carreira do Estado. Essa troca, no entanto, só será concretizada em abril.
SEMELHANÇAS COM ROBERTO SÁ
Curiosamente, os motivos que levaram Casagrande a se decidir pela substituição de Luiz Carlos Cruz na Sejus são muito parecidos com os que o fizeram trocar o comando da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), em abril de 2020. Na ocasião, o secretário Roberto Sá foi substituído pelo coronel da PMES Alexandre Ramalho.
Assim como Cruz, Roberto Sá é delegado de carreira da Polícia Federal e também é do Rio de Janeiro, onde chegou a ser secretário estadual de Segurança. E, exatamente como no caso de Cruz, pesou na decisão de trocar Sá a avaliação de que o então chefe da Sesp possuía um perfil mais teórico e formulador, de intelectual com ótimas ideias, mas não tão resolutivo em sua delicadíssima pasta.
Ao lado de Álvaro Duboc, também delegado federal e ainda secretário estadual se Planejamento, os dois integravam o que chegamos a chamar aqui de "República da Federal", constituída no governo Casagrande em sua primeira fase. Dos três, só resta Duboc na equipe. A "República" desmoronou.