O governador
Renato Casagrande (PSB) decidiu substituir o secretário estadual de Justiça. O delegado federal carioca
Luiz Carlos de Carvalho Cruz deixa o cargo, ocupado por ele desde o início do governo. No lugar dele, entra o defensor público
Marcello Paiva de Mello. A Secretaria de Justiça (Sejus) é responsável por administrar o sistema penitenciário estadual.
A troca, pelo que apuramos, passou por uma avaliação de perfil. Na cúpula do governo, Cruz era visto como um secretário "idealista", um formulador com perfil mais teórico. Tinha grandes projetos para a Sejus, mas que demandavam muito tempo para implementação. Casagrande buscou, então, um substituto com maior experiência específica na área de gestão do sistema prisional.
Marcello Paiva de Mello chegou a ser chefe do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) durante o governo Temer, quando o ministro da Justiça e da Segurança Pública era o hoje ministro do STF Alexandre de Moraes. No governo Casagrande, a avaliação é que ele conhece o sistema penitenciário de todo o país, incluindo todas as unidades prisionais do Espírito Santo e que tem bom trânsito entre os Poderes.
Não se pode dizer que essa troca em particular tenha tido motivações políticas, até porque um técnico é substituído por outro. A "leitura política" possível é que, com menos de dois anos restantes no governo e uma possível tentativa de reeleição pela frente, Casagrande busca resultados melhores e mais imediatos para apresentar à população até 2022 também na área do sistema prisional, que é sempre um barril de pólvora para qualquer governador.
Delegado de carreira da Polícia Federal, Luiz Carlos Cruz voltará a trabalhar na instituição no Rio de Janeiro, seu Estado de origem.
O até então secretário de Desenvolvimento, Marcos Kneip Navarro, assumiu uma diretoria no Bandes, enquanto a pesquisadora Cristina Engel Alvarez, até então secretária de Ciência e Tecnologia, passou a presidir a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes). Ambos agora estão subordinados à nova secretaria chefiada por Hoffmann.
Assim como Cruz, Roberto Sá é delegado de carreira da Polícia Federal e também é do Rio de Janeiro, onde chegou a ser secretário estadual de Segurança. E, exatamente como no caso de Cruz, pesou na decisão de trocar Sá a avaliação de que o então chefe da Sesp possuía um perfil mais teórico e formulador, de intelectual com ótimas ideias, mas não tão resolutivo em sua delicadíssima pasta.
Ao lado de Álvaro Duboc, também delegado federal e ainda secretário estadual se Planejamento, os dois integravam o que
chegamos a chamar aqui de "República da Federal", constituída no governo Casagrande em sua primeira fase. Dos três, só resta Duboc na equipe. A "República" desmoronou.