Em entrevista à coluna, o deputado federal Felipe Rigoni (PSB) afirma que quer ser candidato a governador "um dia". Quando perguntamos a ele se essa candidatura seria mais à frente, mas não na eleição do ano que vem, ele responde com um enigmático "não sei". Diz que isso depende de muitos fatores. Mas não descarta de pronto essa ideia de concorrer ao governo já no próximo pleito. Por outro lado, admite que, se o governador Renato Casagrande (PSB) for candidato à reeleição, provavelmente não concorrerá ao Palácio Anchieta já em 2022, pois ambos são "parceiros". "Não sei nem se faria sentido."
"Parceiro", sim. Mas, digamos, um "parceiro crítico". Ao governo Casagrande, Rigoni reserva elogios, mas também algumas críticas. Opina que, no cômputo geral, Casagrande está fazendo um bom governo, com muitas entregas. Em contrapartida, avalia que está faltando uma marca para a atual gestão, que o governo não tem ido bem na área da agricultura e que ainda carece de "uma visão clara de futuro para o Espírito Santo".
Na mesma entrevista, o deputado também discorre sobre o novo grupo político, de viés liberal, que está buscando articular no Espírito Santo. E, esquentando especulações, afirma que o empresário Léo de Castro, ex-presidente da Findes, daria um "excelente candidato" e que, se o empresário quiser entrar na política, terá todo o incentivo dele.
Leia abaixo a primeira parte da entrevista de Rigoni:
O senhor quer chegar um dia à Presidência da República?
Se eu dissesse que não, estaria mentindo.
No meio desse caminho, está nos seus planos ser candidato a governador do Espírito Santo?
Sim. Um dia.
Então o senhor pensa em ser candidato a governador um dia, mas não já na próxima eleição, no ano que vem?
Não sei...
O senhor não descarta, então, ser candidato ao governo já em 2022?
Olha… Tenho duas possíveis candidaturas: a de deputado federal, que é a mais próxima e a que estou traçando, e a de governo. Mas isso depende de muita coisa. E não depende só de mim, muito pelo contrário. Depende muito mais dos capixabas do que da minha vontade.
Mas o senhor avalia ser candidato pelo grupo de Casagrande ou fora do grupo dele?
Eu não avalio isso ainda. Não tenho como dizer. Eu vou sair do PSB, todos sabem disso. Mas não tenho como fazer essa avaliação neste momento. O Renato está construindo uma reeleição quase que por W.O. e está fazendo um bom governo. Eu tenho minhas críticas, mas está fazendo um bom governo. Isso é uma questão muito mais conjuntural e depende de muitos outros atores políticos, mais do que da minha avaliação.
Mas o senhor poderia ser candidato a governador já no ano que vem mesmo se Casagrande for candidato à reeleição?
Ah, isso é muito improvável… Eu sou um parceiro do Renato. Tenho minhas críticas a ele. Não sou um cara que acha que tudo o que ele está fazendo é bom. Mas eu sou um parceiro do governo, então é muito improvável que eu seja candidato contra ele. Não sei nem se faria sentido.
Quais são as suas principais críticas e diferenças em relação ao governador, seu pensamento e seu governo?
Primeiro que o Renato é um político de esquerda e eu não sou. Sou um liberal, um liberal por inteiro, não só na economia. O governo do Renato é um governo que entrega, tá? Está executando muitas coisas. Acho que está gerindo muito bem a crise da pandemia. Essa decisão dele, lá de fevereiro do ano passado, de fazer só leitos permanentes, foi muito acertada. Tem feito uma boa gestão nessa área. Não extraordinária, mas boa. Acho, porém, que falta uma marca ao governo. Apesar de ser um governo que entrega, o governo do Renato é o governo do quê? Não acho que tenha feito uma boa gestão na agricultura, que é uma área à qual sou ligado. A agricultura em todo o Brasil, inclusive no Espírito Santo, tem vários problemas a serem resolvidos, como por exemplo o do superendividamento. Você tem que trazer esse mundo 4.0 para o Espírito Santo, e a agricultura é parte disso. Isso pode acontecer agora, com as mudanças no secretariado, o Tyago [Hoffmann] mudando de função e, em especial, a junção da Secretaria de Ciência e Tecnologia com a de Desenvolvimento. Mas ainda não acho que o governo tenha uma visão de futuro tão clara para o nosso Estado. O Espírito Santo pode ser uma vitrine tecnológica para o Brasil. E a Grande Vitória deveria ser um destino de turismo tecnológico.
O senhor está construindo o seu próprio grupo político no Espírito Santo?
Sim, estou tentando. Estou fazendo isso. Eu acho que, depois de Renato e Paulo [Hartung], não se tem lideranças políticas ou pelo menos um grupo político que vá liderar o Espírito Santo. Esse grupo ainda está para ser formado. E acho que dá para a gente criar um grupo que não seja nem o Renato nem o Paulo e que seja essa junção de um grupo mais liberal. Eu estou me colocando para tentar construir isso. Não necessariamente eu serei o líder disso, mas estou querendo achar pessoas, e estou em busca disso agora, que queiram fazer isso acontecer.
Na prática, então, o senhor já está indo a campo, já está mesmo realizando esse trabalho de mapear quadros, convidar e agregar jovens líderes políticos ao seu redor no mesmo grupo?
“Indo a campo” nem tanto, não tanto quanto eu gostaria, por causa da pandemia. Mas sim: já estou conversando com várias pessoas, para a gente tentar começar esse grupo.
O Léo de Castro, ex-presidente da Findes, pode ser um deles?
Léo é um cara incrível. Eu adoro ele. Tem uma visão crítica muito boa, conhece o setor produtivo. Isso é muito importante para mim. Acho que os políticos têm que conhecer o setor produtivo, têm que conhecer a pobreza, têm que ir lá, para a gente poder fazer o governo governar e representar as pessoas de forma decente. O Léo é um cara muito bom.
Vocês já tiveram conversas sobre uma agenda política comum que pode convergir para algum tipo de movimento?
Rapaz, faz uns seis meses que não falo com o Léo… Por quê? Você acha que ele vai fazer alguma coisa?
É uma especulação crescente a de que ele possa ser candidato a alguma coisa no ano que vem. O senhor tem essa percepção?
Ele seria um excelente candidato.
Excelente candidato a quê?
Aí é com ele.
Mas o senhor acha que ele tem essa inclinação? Vontade de entrar na política?
Nunca conversei com ele sobre isso. Não posso dizer.
Mas, se ele quiser disputar algum mandato eletivo, o senhor o encoraja?
Eu o encorajo.