Candidata a prefeita de Guarapari pelo Republicanos, sigla dos deputados Erick Musso e Amaro Neto, a vereadora Fernanda Mazelli faz um pungente desabafo contra seu próprio partido. Afirma ter sido abandonada por Amaro e pelo Republicanos após ter confirmado candidatura. E alega não ter recebido os recursos prometidos pela direção partidária para sustentar a campanha na cidade da Região Metropolitana.
“Não aguento mais ser humilhada do jeito que estou sendo aqui. Não sei o que fiz para esses caras. Fui chamada para vir para o partido, para ser candidata, e depois fui largada por todos.”
Eleita em 2016 pelo PSD, a vereadora filiou-se ao Republicanos, a convite dos líderes estaduais do partido, entre março e abril, perto do fim do prazo para filiação de pré-candidatos nestas eleições municipais.
Em Guarapari, conforme declarou à coluna, Amaro apoia publicamente a reeleição do atual prefeito, Edson Magalhães (PSDB). No Estado, o Republicanos é presidido pelo ex-diretor-geral da Assembleia, Roberto Carneiro (exonerado temporariamente do cargo para se dedicar à campanha).
Até o momento, de acordo com o sistema de prestação de contas do site do TSE, Mazelli só recebeu R$ 50 mil (dinheiro do Fundo Eleitoral, repassado pela direção nacional do Republicanos no último dia 13, em parcela única).
Os adversários mais conhecidos dela de fato arrecadaram mais, de fontes de diversas. Até a noite desta quarta-feira (28), o ex-vereador Gedson Merízio tinha R$ 180.600,00 (R$ 180 mil do Fundo Eleitoral, repassados pela direção estadual do PSB).
O atual prefeito, Edson Magalhães (PSDB), tinha R$ 121 mil (R$ 105 mil do Fundo Eleitoral, repassados pela direção nacional do PSDB). E o deputado estadual Carlos Von (Avante) tinha R$ 72.700,00 (quantia formada só por doações de pessoas físicas).
Fernanda Mazelli reclama:
“Amaro me disse que queria me apoiar, mas me largou antes da convenção [em setembro]. O partido me prometeu uma verba. Antes da convenção do Republicanos em Guarapari, me prometeram um valor. Vim candidata, botei o bloco na rua e estou fazendo minha campanha. O valor prometido para mim era de R$ 250 mil. Até agora, só depositaram R$ 50 mil. Segundo o presidente estadual, R$ 50 mil foi o que autorizaram e não viriam mais recursos para mim. É uma campanha pé no chão, na rua, sem contratar ninguém, e estou sofrendo pressões de todos os lados.”
De acordo com Mazelli, para ser candidata nessas condições, teria sido melhor que a direção do partido tivesse pedido a ela para não vir, enquanto ainda havia tempo.
“Fiquei numa bola dividida… Em vez de no dia da convenção me dizerem ‘Fernanda, não vem...’, eles me deixaram vir. Ninguém nem fala meu nome na campanha. Hoje todo mundo me largou. Ninguém me atende, ninguém fala nada e ninguém quer mais saber de Guarapari. Estou isolada, abandonada pelo próprio partido, essa é que é a verdade. Me deixaram vir candidata e depois me abandonaram. Por que fizeram isso? Não sei se fizeram para me sacanear. É isso que eles fazem com as mulheres no Espírito Santo?”
AINDA NÃO BATEU
Diante da escassez de recursos, circularam fortemente em Guarapari, nos últimos dias, rumores de que Mazelli estaria propensa a retirar sua candidatura. Até o pessoal do PDT, partido coligado com o Republicanos no município, está percebendo uma campanha muito tímida. Mas a ex-campeã de jiu-jitsu nega que tenha batido no braço do adversário e dado a luta por encerrada.
“Sou candidata. Estou aí. Acredito que até o fim é possível. Mas os líderes do Republicanos deviam ter me dado apoio desde o início. Podiam ter falado para eu não vir, mas me deixaram vir candidata com o aval da direção estadual e promessa de recursos do Fundo Eleitoral.”
O OUTRO LADO
Desde a noite desta quarta-feira, procuramos o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, para obter sua resposta a respeito das críticas da candidata, mas, até o momento da publicação desta coluna, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação do dirigente, e a coluna será atualizada com eventual resposta dele.