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Vitor Vogas

A eleição para governador do ES pode ser definida no domingo, no 1º turno?

Ainda que as probabilidades de segundo turno entre Ricardo e Pazolini sejam bem maiores, com base na última pesquisa Quaest para a Rede Gazeta, divulgada na última sexta-feira (25), a hipótese de decisão em turno único não é de todo impossível

Publicado em 02 de Outubro de 2026 às 10:36

Públicado em 

02 out 2026 às 10:36
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Pazolini, Ricardo e Helder
Lorenzo Pazolini, Ricardo Ferraço e Helder Salomão em campanha Fotomontagem (Reprodução do Facebook)

Possível, é. Embora bem pouco provável, não é de todo impossível uma definição já no próximo domingo, em primeiro turno, da disputa para governador do Espírito Santo – a favor de Ricardo Ferraço (MDB) ou de Lorenzo Pazolini (Rep). Ainda que as probabilidades de segundo turno entre os dois sejam bem maiores, com base na última pesquisa Quaest para a Rede Gazeta, divulgada na última sexta-feira (25), essa é, matematicamente, uma hipótese viável.


Na última Quaest, Ricardo e Pazolini empataram tecnicamente na liderança. Na intenção estimulada de voto, os resultados foram os seguintes:


. Ricardo Ferraço: 33%

. Lorenzo Pazolini: 31%

. Helder Salomão: 12%

. Brancos e nulos: 11%

. Indecisos: 11%

. Outros: 2%


É sempre bom reforçar duas regras do nosso sistema eleitoral. Em primeiro lugar, para um candidato a governador se eleger em turno único, ele precisa atingir 50% dos votos válidos mais um (ou seja, alcançar a maioria simples dos votos válidos). 


Em segundo lugar, “votos válidos” são aqueles dados aos candidatos que disputam o cargo. Para efeito de contagem, apuração e declaração dos resultados oficiais, a Justiça Eleitoral desconsidera os votos brancos e nulos.


Assim, descartando os votos brancos, nulos e os indecisos, podemos fazer uma nova conta, convertendo as intenções de voto acima em votos válidos. Foi o que fizemos. Eis os resultados:


. Ricardo: 42,3%

. Pazolini: 39,7%

. Helder: 15,3%

. Outros: 2,5%


Logicamente, como o campo da Quaest (com 804 entrevistas feitas pessoalmente) foi realizado na semana passada, esse já não é o “retrato do momento”. Nos últimos sete dias, o quadro já pode inclusive ter sofrido alterações. Na última terça-feira (29), por exemplo, houve o debate final da TV Gazeta, com ampla audiência. Mas é o retrato mais recente que temos.


Nesse caso, notem bem: com base nos números acima, Ricardo estaria a apenas 7,7 pontos de uma hipotética vitória no primeiro turno; Pazolini, a cerca de 10 pontos. Não é uma “meta inalcançável”. Improvável? Sim. Impossível? Não.


Porém, para a concretização dessa hipótese, tanto para um quanto para o outro, seria necessária uma combinação de fatores. O primeiro deles: combinar com Helder.


Eventual definição no primeiro turno dependeria, em primeiro lugar, de uma grande desidratação do candidato do PT nesta reta final de campanha. Hoje (sexta-feira, 2 de outubro), não temos nem um só elemento que aponte nessa direção.


Aliás, pode se dar o contrário: detentor de 15,3% dos votos válidos na última Quaest, o deputado pode inclusive já ter crescido desde então e crescer ainda mais até domingo (ele foi muito bem, por exemplo, no debate da TV Gazeta).


Convicto de que irá para o segundo turno, Helder tem repetido isso, e sua campanha tem investido na estratégia de buscar dar um sprint nestes últimos dias, “virando votos” principalmente de Ricardo: votos de muitos eleitores de esquerda, inclusive simpatizantes do presidente Lula (PT), que, até a última Quaest, estavam indo para o colo de Ricardo. Como o levantamento demonstrou, Helder estava perdendo para o governador até nesses segmentos do eleitorado capixaba, incluindo eleitores declaradamente lulistas. 

Nos últimos dias, o slogan da campanha do deputado petista passou a ser “Voto útil é votar em Helder Salomão”. Isso tanto nas redes sociais como nas considerações finais do candidato no debate da TV Gazeta.


Enquanto isso, a campanha de Ricardo tem buscado gerar justamente o efeito contrário. Para o atual governador conseguir a reeleição em primeiro turno, além de crescer sobre eleitores indecisos, ele precisaria receber uma tempestade de “votos úteis” da centro-esquerda para a esquerda, no domingo.  


Já no caso de Pazolini, para ele atingir a mesma meta, além de conquistar os votos de uma boa parcela de indecisos, seria necessário virar votos de governador e receber uma enxurrada do voto de direita que hoje está com Ricardo ou dos bolsonaristas eventualmente ainda “escondidos”.

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Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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