Possível, é. Embora bem pouco provável, não é de todo
impossível uma definição já no próximo domingo, em primeiro turno, da disputa
para governador do Espírito Santo – a favor de Ricardo Ferraço (MDB) ou de
Lorenzo Pazolini (Rep). Ainda que as probabilidades de segundo turno entre os
dois sejam bem maiores, com base na última pesquisa Quaest para a Rede Gazeta,
divulgada na última sexta-feira (25), essa é, matematicamente, uma hipótese viável.
Na última Quaest, Ricardo e Pazolini empataram tecnicamente
na liderança. Na intenção estimulada de voto, os resultados foram os seguintes:
. Ricardo Ferraço: 33%
. Lorenzo Pazolini: 31%
. Helder Salomão: 12%
. Brancos e nulos: 11%
. Indecisos: 11%
. Outros: 2%
É sempre bom reforçar duas regras do nosso sistema eleitoral. Em primeiro lugar, para um candidato a governador se eleger em turno único, ele precisa atingir 50% dos votos válidos mais um (ou seja, alcançar a maioria simples dos votos válidos).
Em segundo lugar, “votos válidos” são
aqueles dados aos candidatos que disputam o cargo. Para efeito de contagem,
apuração e declaração dos resultados oficiais, a Justiça Eleitoral desconsidera
os votos brancos e nulos.
Assim, descartando os votos brancos, nulos e os indecisos,
podemos fazer uma nova conta, convertendo as intenções de voto acima em votos
válidos. Foi o que fizemos. Eis os resultados:
. Ricardo: 42,3%
. Pazolini: 39,7%
. Helder: 15,3%
. Outros: 2,5%
Logicamente, como o campo da Quaest (com 804 entrevistas feitas
pessoalmente) foi realizado na semana passada, esse já não é o “retrato do
momento”. Nos últimos sete dias, o quadro já pode inclusive ter sofrido
alterações. Na última terça-feira (29), por exemplo, houve o debate final da TV
Gazeta, com ampla audiência. Mas é o retrato mais recente que temos.
Nesse caso, notem bem: com base nos números acima, Ricardo
estaria a apenas 7,7 pontos de uma hipotética vitória no primeiro turno; Pazolini,
a cerca de 10 pontos. Não é uma “meta inalcançável”. Improvável? Sim.
Impossível? Não.
Porém, para a concretização dessa hipótese, tanto para um
quanto para o outro, seria necessária uma combinação de fatores. O primeiro
deles: combinar com Helder.
Eventual definição no primeiro turno dependeria, em primeiro
lugar, de uma grande desidratação do candidato do PT nesta reta final de
campanha. Hoje (sexta-feira, 2 de outubro), não temos nem um só elemento que aponte nessa direção.
Aliás, pode se dar o contrário: detentor de 15,3% dos votos
válidos na última Quaest, o deputado pode inclusive já ter crescido desde então
e crescer ainda mais até domingo (ele foi muito bem, por exemplo, no debate da
TV Gazeta).
Convicto de que irá para o segundo turno, Helder tem
repetido isso, e sua campanha tem investido na estratégia de buscar dar um sprint nestes
últimos dias, “virando
votos” principalmente de Ricardo: votos de muitos eleitores de esquerda, inclusive
simpatizantes do presidente Lula (PT), que, até a última Quaest, estavam indo para o
colo de Ricardo. Como o levantamento demonstrou, Helder estava perdendo para o
governador até nesses segmentos do eleitorado capixaba, incluindo eleitores declaradamente lulistas.
Nos últimos dias, o slogan
da campanha do deputado petista passou a ser “Voto útil é votar em Helder
Salomão”. Isso tanto nas redes sociais como nas considerações finais do
candidato no debate da TV Gazeta.
Enquanto isso, a campanha de Ricardo tem buscado gerar justamente o efeito contrário. Para o atual governador conseguir a reeleição em primeiro turno, além de crescer sobre eleitores indecisos, ele precisaria receber uma tempestade de “votos úteis” da centro-esquerda para a esquerda, no domingo.
Já no caso de Pazolini, para ele atingir a mesma meta, além
de conquistar os votos de uma boa parcela de indecisos, seria necessário virar
votos de governador e receber uma enxurrada do voto de direita que hoje está
com Ricardo ou dos bolsonaristas eventualmente ainda “escondidos”.
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