Ontem, bombardearam pelas redes sociais a tremenda satisfação com a Karol Conká no paredão do "BBB 21". Eliminada com quase 100% dos votos (99,17%) na noite de terça-feira (23), Karol conseguiu desagradar boa parte do público com seus comportamentos e atitudes dentro da casa, virando alvo de críticas de praticamente a totalidade dos espectadores que acompanham e comentam o reality nas redes sociais. Com tamanha rejeição e indicada ao ‘paredão’, sua saída era praticamente certa.
Todavia, ao fazer uma releitura da ação, podemos utilizar duas lentes: uma é a lente da ação-reação da Karol, que recebeu o que plantou; e a outra lente evidencia uma outra ação-reação, agora por parte dos votantes que a cancelaram (eliminaram) quem cancelou. Mas, proponho uma terceira lente, a da ação empática que nos leva a dialogar com quem cancela, se aproximar de quem elimina, compreender ao invés de ajuizar.
Me chamou a atenção, diante desse cenário, a Avon e a Amstel focarem suas mensagens no pós-jogo, com posts que lembravam que a críticas e desavenças sobre a participação da cantora deveriam ficar no programa e não a acompanhar quando ela deixasse a casa. “Nós não acreditamos em cancelamento. Nós acreditamos em conversas. E, por isso, queremos propor esse diálogo sobre o assunto que tomou a internet hoje”, postou a Avon no Twitter. A Amstel, outra patrocinadora do reality, também usou as redes sociais em uma ação que condenava o ‘cancelamento’ da cantora depois que ela deixasse a casa. A marca de cerveja usou personalidades como Preta Gil e Thelma Assis (campeã do "BBB 20") para falar sobre tolerância.
A primeira lente parece que vem do nosso instinto. A segunda, recebemos da sociedade. A terceira, precisa nascer de dentro da gente. Ao eliminar ou cancelar a participação da Karol do "BBB", nós exercemos o juízo social, nosso instinto, e achamos correto, mas e agora? Será que a Karol pertencerá à rua dos descartados, dos isolados? Será que ela vai habitar na residência dos “sem noção” permanentemente? Ora, o exercício de eliminar e de colocar no paredão as incoerências é rápido, dá audiência, palmas e afins, mas o de compreender o outro... esse necessita de resistência, resiliência e discernimento. Venhamos e convenhamos: será que possuímos?
A reflexão que estamos abrindo não tem em nenhum momento a força de defesa pelos atos praticados pela Karol, mas como próprio de toda reflexão, é fazer pensar... e pensar dói! Ontem pela manhã, muitos acordaram aliviados porque na casa do "BBB" não existia mais uma “Karol Conká”. Mas, agora, ela voltou para a sociedade e para as relações reais, e não de um reality. Talvez agora seja a nossa vez de “ir para o paredão” também, e nos questionarmos sobre a eliminação da Conká. E uma pergunta sugestiva para todos nós: o que queríamos eliminar em nós com a eliminação da Karol? Ou será que não existe um pouco da Karol em um pouco de nós?
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta