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Economia

O que esperar da Black Friday em tempos de pandemia?

É preciso controlar a expectativa para não se frustrar, pois a pandemia mudou muita coisa e a Black Friday não escapou das mutações do coronavírus

Públicado em 

26 nov 2020 às 04:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Mulher faz compras usando máscara
Pandemia impulsionou o e-commerce e muitos brasileiros continuarão comprando on-line na Black Friday Crédito: Freepik
Sininhos já foram ativados e pesquisas já começaram a ser feitas, mas esse ano a Black Friday apresenta uma particularidade: acontece em meio a uma pandemia que interferiu na produção de produtos e abaixou a escala de produção. Os estoques estão amenos, o que tende a provocar uma Black Friday não tão interessante, por isso muitas marcas abortaram a ideia para segurar os produtos para o Natal, período sazonal que tende a produzir efeitos mais rentáveis nas vendas do que a própria Black Friday. 
A verdade é que em um ano totalmente fora dos antigos formatos, acabamos convivendo com uma Black Friday estendida desde meados da pandemia, com lojas de todos os tamanhos criando formas de manter as vendas oferecendo descontos para os clientes. Por outro lado, a tal sexta-feira sempre ganhou muito mais relevância no e-commerce do que nas lojas físicas, e esse ano não será diferente.
Assim, em tempos de pandemia, o comportamento do consumidor também foi modificado e poderemos ver uma acentuação nas compras de produtos muito diferentes dos outros anos. A Folha de São Paulo destacou em reportagem publicada ontem realçando que “o consumidor deve manter na Black Friday desse ano hábitos adquiridos na pandemia”. A matéria realça que itens para casa, home office e bem-estar estão entre as preferências dos consumidores.
Um fato é que a pandemia da Covid-19 impulsionou o e-commerce e, de acordo com pesquisa da Criteo, os novos comportamentos desenvolvidos pelos brasileiros durante o período de distanciamento social terão grande impacto nas vendas deste final de ano. O levantamento revelou que 80% dos consumidores brasileiros continuarão comprando presentes de forma on-line para datas comemorativas, ou seja, 80% dos brasileiros farão compras on-line na Black Friday, e 67% descobriram pelo menos uma nova forma de compra on-line que manterão. 
Segundo realça o Meio Mensagem, site onde a pesquisa foi publicada, o levantamento ainda mostrou que, além de descobrirem novas lojas on-line favoritas durante a pandemia, os consumidores brasileiros aumentaram a diversidade de produtos que compram on-line, comportamento que deve permanecer em alta durante a Black Friday.
Se por um lado temos um grande desafio na produção e na escala de produtos, por outro temos os brasileiros com expectativa e dispostos a gastarem suas granas nessa Black Friday. O que esse paradoxo pode render? Ainda não sabemos! A razão é que parece termos uma adesão significativa por compra e um risco do produto logo se esgotar, ou então não ter produto para entrega e muitos não terem produtos para serem colocados na vitrine da Black Friday. Precisamos trabalhar nossa expectativa para não haver nenhum tipo de frustração, pois a pandemia mudou muita coisa e a Black Friday não escapou das mutações desse vírus.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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