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Vilmara Fernandes

Tráfico planejava ‘núcleo de inteligência’ para eliminar rivais no ES

Investigação do Ministério Público aponta que proposta teria partido de traficante que foi transferido nesta segunda (13) para presídio federal em Rondônia

Públicado em 

14 abr 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Armas
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly
Um grupo de criminosos ligados à facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) planejava a criação de um ‘núcleo de inteligência’ para identificar, rastrear e executar rivais do tráfico de drogas. Os alvos seriam os integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), com ligações ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A proposta teria partido de Cleuton Gomes Pereira, o Frajola, apontado como liderança do PCV na Região 5 de Vila Velha, e que foi transferido nesta segunda-feira (13) para a Penitenciária Federal de Porto Velho (PFPV), em Rondônia.
Investigações realizadas pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), revelam que a intenção era formar um grupo restrito, com pessoas de confiança dele, responsável pelas informações mais sigilosos.
Contaria com o apoio de um traficante em liberdade para coordenar as ações, auxiliando na seleção de alvos para execuções nos pontos de tráfico. O objetivo era neutralizar os rivais e reduzir os confrontos em sua área de atuação.
O núcleo ficaria ainda encarregado de ações estratégicas para a manutenção e expansão do domínio territorial e da manutenção do poder da facção. Em bilhetes apreendidos nas operações realizadas pelo Gaeco e na extração de dados de celulares apreendidos, foi identificada a preocupação com a “infiltração de rivais” em seus territórios, eliminando aliados.
A guerra do tráfico promovida pelo PCV de Frajola contra o TCP/PCC se arrasta desde o ano passado na Região 5, de Vila Velha — que reúne mais de 20 bairros da Grande Terra Vermelha e adjacências —, deixando um rastro de mortes, feridos e moradores ameaçados por frequentes trocas de tiros.

A dominação

Cleuton foi condenado a mais de 70 anos de reclusão e responde a outras em ações penais. Preso desde 2017, cumpria pena na Penitenciária de Segurança Máxima II (PSMA II), em Viana.
Mas as investigações realizadas pelo Gaeco apontam que ele continuava comandando os integrantes da facção mesmo estando recluso, uma atuação que motivou o pedido de transferência em caráter emergencial feito pelo MPES e aceito pela Justiça estadual.
De acordo com informações das três fases da Operação Telic, a última delas realizada no final de março, Cleuton utilizava dos atendimentos jurídicos — foram 651 entre janeiro de 2022 a agosto de 2025 —, além de familiares, para receber e repassar suas ordens.
Mensagens  destinadas à gestão do tráfico, do comércio, distribuição e guarda de armas de fogo/munições, homicídios, lavagem de dinheiro e até para a corrupção de agentes públicos.  Sob a tutela dele também estariam os ataques contra os rivais e o  “Tribunal do Crime” na região da Grande Terra Vermelha, com determinações para a execução de desafetos.
Houve ainda a identificada de uso das redes sociais para divulgação de ações criminosas, com recrutamento de novos integrantes e fortalecimento da influência do grupo, inclusive com referências diretas à liderança exercida por Frajola.
Segundo o MP, foram localizados pelo menos 19 perfis ligados ao PCV que atuam na Grande Terra Vermelha, também denominada pelo grupo como “Complexo do Terrão/Iraque”.

A liderança

Frajola faz parte do grupo de lideranças mais antigas do PCV, um dos últimos que, embora preso, ainda permanecia no Estado. Uma situação que deu a ele mais peso, sendo considerado “homem de confiança da alta cúpula” da facção.
Foi transferido nesta segunda (13) para a unidade federal em Rondônia, onde já estão detidos João de Andrade, Carlos Alberto Furtado da Silva, Geovane de Andrade Bento, Geovani Otacílio de Souza e Pablo Bernardes, desde 2021. A informação é de que todos são mantidos em espaços individualizados.
Já Fernando Moraes Pereira Pimenta, o Marujo, outra liderança do PCV, foi levado para a unidade federal em Catanduvas, no Paraná, em 2024.
A transferência de Cleuton foi autorizada pelo Juízo da 7ª Vara Criminal de Vila Velha, com anuência da Justiça Federal de Rondônia.

O que diz a defesa

A defesa de Cleuton é realizada pelo advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho. Ele destaca que a ida de seu cliente para um presídio federal ocorreu em uma inclusão emergencial.
“Já estávamos monitorando este pedido e recebemos a informação da transferência dele. Agora terá uma fase de contraditório para que os advogados possam se manifestar, o que faremos esta semana, avaliando se houve algum erro processual e questionando a real necessidade de transferir Cleuton para o presídio em Porto Velho”, assinala.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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