Foi preso na noite desta quinta-feira (18) Sérgio Bassini Masioli, motorista que causou o acidente e a morte de uma família de quatro pessoas na BR 101, em Jaguaré, Norte do Espírito Santo. Após a colisão, ele abandonou o veículo sem prestar socorro às vítimas, que morreram no local, na véspera do Natal de 2025.
Bassini foi localizado em um ônibus de turismo, com destino a São Paulo, parado por uma equipe do Centro de Inteligência e Análise Telemática da Região Norte (CIAT-Norte), da Polícia Civil, em Carapina, na BR 101, próximo a um hospital particular na Serra. Ele tentava deixar o Estado e, apos ser detido, foi levado para a delegacia regional de Aracruz.
Os policiais cumpriram mandado de prisão preventiva que havia sido expedido pela Juízo da Vara Única da Comarca de Jaguaré. A ação foi acompanhada pelo titular da Delegacia de Jaguaré, que conduz as investigações, Erick Esteves, e pelo delegado Leandro Esperandio.
A prisão foi decretada após o magistrado aceitar a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o que tornou Bassini réu.
Segundo informações da polícia, na decisão foi apontado que as medidas cautelares diversas da prisão mostravam-se insuficientes para o caso, destacando os seguintes pontos:
Risco à ordem pública - Bassini participava de evento social onde fez consumo prolongado de álcool horas antes do acidente e ignorou os apelos da esposa para que não dirigisse. Ele também já teria se envolvido em acidentes anteriores, quando alcoolizado, e apresentava resistência a tratamentos para alcoolismo.
Risco à instrução criminal - a investigação apontou que Bassini manteve contato com testemunhas e vítimas sobreviventes após os fatos, o que foi avaliado como risco de interferência na obtenção de provas.
Ocultação de provas - segundo a polícia, Bassini retornou ao local do acidente com um detector de metais, o que foi apontado como uma tentativa de resgatar uma arma de fogo que teria perdido na área de mata durante a fuga.
Ele foi denunciado quatro vezes por homicídio simples com dolo eventual. O entendimento foi de que, devido à embriaguez, excesso de velocidade e fuga do local, o condutor assumiu o risco de produzir o resultado morte.
Também foi acusado de lesão corporal pelas outras três vítimas dos demais veículos atingidos no acidente. Foi considerado ainda que ele deixou de prestar socorro, fugiu do local e praticou condução de veículo estando alcoolizado.
Tragédia
No acidente, que completará seis meses na próxima semana, morreram quatro pessoas: o advogado Denis Carlos Rolim, 43 anos, que conduzia o Fiat Palio, a esposa Valdenice Alves de Oliveira, 39 anos, e as filhas Débora Vitória Alves Rolim, de 10 anos, e Sara Cristina Alves Rolim, de 7 anos. Outros dois veículos foram atingidos, deixando três vítimas com lesões. (veja vídeo abaixo)
Para o advogado Fábio Marçal, que representa a família do advogado morto no acidente, a prisão do motorista é uma resposta e para a sociedade.
“A sociedade já não tolera comportamentos desta natureza, com desprezo pela vida humana. Quero parabenizar o trabalho firme da Polícia Civil em relação a um caso que não pode ser tratado como um simples acidente de trânsito. Uma atuação firme pode ajudar a reduzir a incidência de mortes no trânsito, situação que está alarmante”, assinalou.
Alta velocidade
A conclusão das investigações foi de que Bassini trafegava a uma velocidade extrema aferida em 143 km/h, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de apenas 60 km/h. O acidente que resultou nas mortes ocorreu por volta da 00h, no km 95 da Rodovia BR-101, localidade de Água Limpa, no município de Jaguaré.
A caminhonete colidiu contra a traseira do um Fiat Pálio da família, que trafegava de maneira regular, projetando-o para a faixa contrária e causando colisões sucessivas com outros dois automóveis (um Chevrolet Cruze e um Toyota Corolla).
Segundo as investigações, após provocar o sinistro, o motorista fugiu do local a pé, sem prestar socorro às vítimas ou identificar-se perante as autoridades.
Condução coercitiva
Uma das dificuldades envolvendo o inquérito foi obter informações oficiais dos outros dois motoristas envolvidos no acidente. Foi necessário, segundo o delegado, obter uma ordem judicial para que as duas testemunhas fossem conduzidas, coercitivamente, a prestar as informações.
Nos depoimentos relataram que o advogado de Bassini fez contato com com cada um deles, informando que iria custear as despesas médicas. “Já recebi os depoimentos e relataram que a cada um deles foi enviado R$ 11 mil a título de despesa médica”, informa o delegado.
O advogado de Bassini, Paulo Braga, não foi localizado, mas o espaço segue aberto à manifestação.
Atualização
O texto foi atualizado com novas informações da Polícia Civil.