O Prêmio Estadual de Direitos Humanos é o reconhecimento às pessoas e instituições que ao longo do ano tenham se destacados na defesa, promoção, proteção ou educação em Direitos Humanos. Promovido pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos, que completa 25 anos, é o mais alto reconhecimento da área no Estado do Espírito Santo.
No ano de 2020, dentre as diversas personalidades e entidades indicadas, e entre as quatro escolhidas, está uma mulher que tem sido considerada perigosa no que tange a defesa da vida e dos Direitos Humanos em tempos de pandemia. Uma mulher que utiliza a ciência como sua principal arma para enfrentar todo o negacionismo, que nessa quadra da nossa história tem provocado tantas mortes em decorrência do coronavírus. Ao enfrentar o necropoder instalado, a nossa premiada contraria aqueles que deveriam cuidar da população e não o fazem.
A bem da verdade, não é a primeira vez que ela colide com o governo de plantão, que não tem compromisso com os fundamentos do estado democrático de direito e muito menos com os princípios humanitários que precisam garantir uma vida plena. Eleita reitora da Universidade Federal do Espírito Santo, nossa homenageada perigosa se viu diante da inacreditável não nomeação, com a materialização total da falta de respeito aos princípios democráticos que solapa nosso ordenamento jurídico e esgarça o tecido social, em uma reprodução sistêmica e cadenciada de violações de direitos.
Contudo, todas as intempéries suportadas por essa mulher fez com que cada vez mais ela se torna essencial ao povo capixaba e ao mundo. Requisitada para assessorar o governo estadual e cruzando divisas e fronteiras na luta contra o Covid-19, nos enche de orgulho, deixando patente que a competência técnica cientifica e o compromisso com a efetivação de direitos fundamentais, como a saúde, incomodam o poder quando ele não tem compromisso com a vida humana.
Ao longo da história da humanidade, as mulheres aprenderam a nadar contracorrente e a inovar em meio a crises, fazendo a diferença por onde passam, inspirando muitas que ainda não se descobriram potentes. Ethel Maciel é assim. Uma mulher nossa que cruzou o mundo enquanto pós-doutora em Epidemiologia, sendo referência para muitas pesquisadoras, e que sustenta uma luta de resistência feminista em ambientes hostis e misóginos.
Ethel é inspiração, é exemplo, é fortaleza, é coragem. Por isso, perigosa. Por isso, premiada. Mulheres perigosas são a ignição para as mudanças no tempo. Em seu discurso ao receber o prêmio, reafirmou, destemidamente, o seu compromisso, me fazendo lembrar da música de "Sá & Guarabira", quando verseja que “não há pedra em seu caminho, não há onda no seu mar, não há vento ou tempestade que te impeçam de voar”.