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Falta de zelo?

Morte do menino Miguel reforça o cuidado que devemos ter com as crianças

É em questão de instantes que a vida da gente pode dar uma guinada, e as perdas irreparáveis acontecerem, sem ter como voltar atrás. É imprescindível que fiquemos sempre alertas a todas as situações

Publicado em 20 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 jun 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra
Crianças lendo
Crianças lendo Crédito: Freepik/Divulgação
No início do mês, a morte do menino Miguel, de apenas 5 anos, chocou o país, ao cair de uma altura de 35 metros no Recife. O menino teria ido à procura de sua mãe que estava passeando com o cachorro de sua patroa. Relatam os diversos meios de notícias que o menino teria ido para o trabalho de sua mãe, e, ao ver a mãe na parte inferior do prédio, teria pedido para ir ao encontro dela. A patroa de sua mãe o colocou no elevador, sozinho, sendo o suficiente para o mesmo ir até o nono andar do prédio, acessar o hall de condensadores e cair, vindo a óbito.
O referido caso precisa, para além de causar tristeza e indignação, suscitar em cada um de nós algumas reflexões acerca da vida, de direitos e cuidados para com nossas crianças. Primeiramente, perguntar se em tempos de pandemia essa mãe não poderia estar em casa com sua família se preservando da doença? Com o filho sem aula e sem ter com quem deixar, fora obrigada a levá-lo para o trabalho? Quantas mães e pais estão passando por essa situação?
Ao desejar estar com sua mãe, o menino não poderia ter sido acompanhado pela patroa ou, então, a mesma poderia ter pedido para esperar sua mãe retornar? Nesse ponto, o fatídico episódio nos ensina que somos responsáveis por todas as crianças e não podemos deixá-las expostas, sendo primordial o cuidado. Quantas vezes nos descuidamos das crianças ao nosso entorno e em diversos aspectos?
É em questão de instantes que a vida da gente pode dar uma guinada e as perdas irreparáveis acontecerem, sem ter como voltar atrás. É imprescindível que fiquemos sempre alertas a todas as situações para que não haja a ameaça a vida ou aos direitos. Quantas vezes não nos damos conta que a vida de nossas crianças segue ameaçada, assim como os direitos?
O direito ao futuro do pequeno Miguel foi roubado em questão de segundos. Uma situação que se repete com outras crianças que estão na mesma situação, ou seja, vidas que restam vulnerabilizadas e expostas, e que são classificadas como vidas matáveis.
O caso do menino Miguel nos leva a refletir se estamos observando o Estatuto da Criança e Adolescente, que se ancora no princípio da proteção integral. Nos leva a pensar, de uma forma geral, o quanto a infância ainda está exposta, o quanto ainda as crianças são submetidas à exposição ao trabalho infantil e à exploração sexual. O quanto ainda negamos o convívio familiar saudável, acesso à educação de qualidade, um ambiente seguro e o direito a brincar livre e feliz.

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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