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Níveis recordes

Homicídios no Espírito Santo: Estamos no mesmo barco?

Cabe ao Estado pensar outras estratégicas e formas de costurar as táticas de segurança com os equipamentos de atuação das áreas de saúde, educação, assistência, renda e trabalho, construindo uma Política Pública de Segurança Cidadã

Publicado em 11 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 abr 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra
Homem é morto a tiros em Santa Martha, em Vitória
Homem é morto a tiros em Vitória: números de homicídios voltaram a crescer no ES Crédito: Fernando Madeira/Arquivo
Os números dos homicídios no Estado do Espírito Santo no primeiro trimestre deste ano, mas sobretudo os dados de março, chamam a atenção para uma velha conhecida dos capixabas: a violência. Durante os três meses de 2020, foram contabilizados 347 homicídios, de acordo com A Gazeta a partir dos dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Somente no mês de março, foram 143 assassinatos. Os números são elevados quando estávamos com o decréscimo dessa estatística.
A matéria que veicula os dados apresentados pela Segurança Pública, bem como a manifestação de alguns especialistas, traz o recorte de análise dos dias mais violentos, hora mais perigosa, região do Estado mais arriscada e comparação com anos anteriores. Contudo, não temos o recorte mais fino desses números, para além dos discursos sobre as motivações das ocorrências, que em sua maioria reverberam o mantra de que os homicídios têm, em sua maioria, a motivação de ligação a questão das drogas.
A maioria dos especialistas tem a consciência de que as mudanças nas dinâmicas das criminalidades existem, sejam por questões estratégicas ou econômicas, dado que é uma forma de movimento própria do fenômeno da violência a partir da alteração de cenários, como é o caso em que vivemos de pandemia.
Neste ínterim, caberá ao Estado pensar outras estratégicas e formas de costurar as táticas de segurança com os equipamentos e formas de atuação das áreas de saúde, educação, assistência, renda e trabalho, construindo assim, uma Política Pública de Segurança Cidadã, que alcance a todos, principalmente, aqueles que mais sofrem com a violência, atuando em uma dimensão prévia da ocorrência das violências.
Como já é sabido, as áreas mais atingidas pela violência estão longe dos lugares onde as políticas públicas e privadas chegam e cumprem seu papel constitucional. Nesse quesito, como ouvi Carbonari dizer que: “não estamos todos no mesmo barco”, podemos até estar no mesmo mar, mas, com embarcações diferentes”. E nesse mar, cada um tem seu barco, e tem aqueles que nem barco tem, precisando sobreviver dando braçadas para não se afogarem em meio a tanta ausência de direitos.

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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