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Mobilidade

Veículos elétricos exigem readaptação cultural dos motoristas

Nossas cidades e edifícios ainda não dispõem de suficientes pontos de recarga. Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) existem somente 1.250 locais no país, e quase a metade deles em São Paulo

Públicado em 

04 ago 2022 às 02:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Crédito:
“Mas o Cadillac finalmente ficou pronto / Lavado, consertado, bem pintado, um encanto / Mas o meu coração na hora exata de trocar / O Calhambeque, bi-bi / Meu coração ficou com o Calhambeque” (“O calhambeque”, John Loudermilk / Gwen Loudermilk / versão de Erasmo Carlos)
Um dos assuntos que mais vêm tomando conta do noticiário diário, em economia, política, cidades e até cotidiano, é o preço da gasolina e diesel. Talvez devesse também ser matéria na sessão policial, afinal a sensação é que estamos sendo roubados, pois deve ter muita gente graúda ganhando dindim com o valor que pagamos para encher o tanque dos carros...
Mesmo quem não tem carro se vê prejudicado, afinal, com a alta dos combustíveis, o frete aumenta e aumentam o preço dos produtos, inclusive o dos alimentos, e assim temos uma inflação como há muito não se via.
A situação é tão radical – para não usar outro termo – que pela primeira vez o preço do diesel passou o da gasolina.
Sabe-se que a estratégia eleitoreira de governantes e parlamentares para baixar o valor dos combustíveis via ICMS tem data pra acabar, e logo logo os valores elevados nas bombas retornarão e com muita força!
Em algumas cidades e regiões metropolitanas, empresas concessionárias de ônibus já sentem no bolso o desequilíbrio econômico e ameaçam suspender suas operações do sistema de transporte público, deixando a população na mão. Guarapari, no Espírito Santo, e Rio Branco, no Acre, são dois casos recentes, mas não é difícil imaginar que em breve vejamos outras cidades estando na mesma situação.
Enquanto uma parte da população acaba trocando os itens que consumia por outros mais baratos ou deixa de comprá-los quando já não os considera prioritários, a galera mais pobre simplesmente não consegue mais comer, pois não tem dinheiro para ir ao supermercado nem para o gás de cozinha (mais um combustível que vem aumentando constantemente).
Já alguns ricos estão trocando seus carros com motores a combustão por veículos elétricos, cujos modelos já comercializados no Brasil são tão luxuosos quanto aqueles movidos a gasolina ou diesel que eles sempre dirigiram.
A quantidade de carros elétricos vendidos aqui até vem aumentando, mas nada que se compare com o que vem ocorrendo, por exemplo, na Europa, onde os motores a combustão serão banidos em breve.
Tampouco podemos voltar ao tempo das carruagens, afinal o mundo contemporâneo, com um novo olhar respeitoso em relação à nossa fauna, já vem banindo o uso de animais como meio de tracionar veículos.
Uma das características da sociedade moderna e contemporânea é a intensa mobilidade, possibilitada pelos diversos modais de transporte. Já não somos seres sedentários, mesmo que vivamos boa parte da vida numa única cidade. Estamos em constante deslocamento pelos territórios, seja aquele em que temos residência, seja os que nos circunscrevem, ou até mesmo os mais distantes, cuja visão nossos olhos já não os alcançam.
A ideia de liberdade dada pela mobilidade individualizada é algo intrínseco ao mundo atual. E é claro que a mobilidade ativa – dada pelos deslocamentos a pé, de bicicleta ou patins, por exemplo – traz enormes benefícios, inclusive para a saúde das pessoas.
Mas é legítimo querermos ir mais longe que o nosso pé ou a pedalada alcança. Daí a importância dos demais tipos de modais de transporte, entre eles os automóveis, sejam eles movidos a combustão ou por eletricidade.
O motor a combustão foi até agora o grande responsável pela extensa mobilidade alcançada pelas pessoas. Mas isso a um enorme custo ambiental, já posto em xeque. A migração, porém, para a propulsão elétrica não será rápida nem barata.
Os elétricos vendidos no Brasil são sempre mais caros que seus equivalentes a diesel ou gasolina. Os modelos mais baratos, como os que estão chegando da China, são pequeninos e, ainda assim, relativamente caros, de modo que se tornam pouco atraentes à maioria do público, a não ser que seja alguém com muita preocupação com o meio ambiente.
Além disso, nossas cidades e edifícios ainda não dispõem de suficientes pontos de recarga. Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) existem somente 1.250 pontos de recarga no país, e quase a metade deles em São Paulo.
Outro problema é também relacionado ao carregamento, pois são necessárias algumas horas para que a bateria esteja totalmente pronta para o uso do veículo, ao contrário dos poucos minutos necessários para enchermos o tanque num dos inúmeros postos de combustível existentes nas ruas e estradas do país.
É necessária uma readaptação cultural do motorista para que ele possua e faça uso de um carro elétrico. Mas será inevitável...
Ora, não foi assim quando saímos do disco de vinil para o CD e depois para o streaming, ou quando fomos das câmeras fotográficas analógicas para as digitais e, em seguida, para o smartphone com câmera embutida? Mudanças culturais em função de novos padrões tecnológicos sempre existiram e existirão. E o carro elétrico será apenas mais uma delas.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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