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Rodrigo Medeiros

Novos tempos e a metamorfose econômica global

O crescimento chinês dependerá cada vez mais do consumo doméstico e do crescimento da produtividade

Publicado em 11 de Janeiro de 2019 às 16:25

Públicado em 

11 jan 2019 às 16:25
Rodrigo Medeiros

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Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

Entre as grandes questões que afetam a frágil recuperação da economia brasileira, o ritmo do crescimento chinês merece alguma reflexão. A economia brasileira sofreu um processo de desindustrialização precoce e sua pauta exportadora é composta majoritariamente por commodities. Nesse sentido, a reflexão proposta por Martin Wolf, comentarista-chefe de economia no jornal “Financial Times”, ganha destaque.

Publicado também no jornal “Folha de S. Paulo”, no dia 2 de janeiro, o artigo de Wolf pondera sobre o futuro da economia chinesa. Citando diversas fontes, Wolf afirma que o período de desempenho forte da China poderá chegar ao fim em breve. Para Wolf, “como no caso do Japão da década de 1980, as políticas de investimento ultrarrápido e a rápida acumulação de dívidas, que permitiram que a China continuasse a crescer muito depois da crise financeira de 2008, tornam o país vulnerável a uma desaceleração igualmente rápida”.

O patamar do investimento chinês, na casa de 40% do Produto Interno Bruto (PIB), é insustentável. Segundo pondera Wolf, “não surpreende que o retorno sobre o investimento tenha despencado. Em resumo, o crescimento puxado pelo investimento vai chegar ao fim, e logo”. A guerra comercial com os Estados Unidos, por sua vez, expõe a dificuldade de um novo impulso do crescimento puxado pelas exportações líquidas.

O crescimento chinês dependerá cada vez mais da elevação da participação do consumo doméstico e do crescimento da produtividade total dos fatores no lado da oferta. De acordo com Wolf, “o maior obstáculo de todos, especialmente para o avanço rápido no crescimento da produtividade, está na virada a um sistema político mais autocrático”. Se tornar uma economia de alta renda no curto prazo será difícil para a China porque as distorções em sua economia são grandes e o ambiente internacional está mais hostil.

Para os países desenvolvidos, Wolf afirma que “a chegada da robótica e da inteligência artificial pode redespertar o crescimento da produtividade do Ocidente, especialmente nos Estados Unidos”. Em relação aos países em desenvolvimento, ele destaca a Índia, que é mais pobre do que a China e por isso possui muito potencial para recuperar o seu atraso econômico. A previsão citada por Wolf é de 5,7% de crescimento ao ano para a Índia até 2040. Conforme argumenta Wolf, “as democracias precisam aprender com seus erros e concentrar suas atenções na renovação de sua política e de suas políticas públicas”.

Rodrigo Medeiros

Rodrigo Medeiros Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

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