Ricardo Medeiros
Comprar o
primeiro imóvel nunca foi exatamente fácil. Mas a conta ficou mais apertada. Vitória
chegou a um patamar de preços que fala por si. O metro quadrado médio da cidade
passou dos R$ 15 mil. Em bairros consolidados, comprar um apartamento novo de
60 ou 70 metros quadrados já exige um patrimônio que boa parte da classe média
simplesmente não conseguiu formar.
A alternativa
óbvia seria o usado. E existem excelentes oportunidades. O problema aparece
quando entra o financiamento. Você dá a entrada, financia o restante por
décadas e descobre que juros, prazo e saldo devedor transformam aquela
prestação possível numa conta enorme ao longo dos anos.
Então acabou
o sonho do primeiro imóvel? Não. Talvez seja preciso mudar o mapa.
Durante anos
o brasileiro aprendeu a procurar investimento imobiliário nos mesmos lugares.
Mais recentemente veio a febre dos estúdios em São Paulo. Só que 70% dos
lançamentos paulistanos em junho foram de compactos. Quando todo mundo corre
para o mesmo produto, gosto de olhar para o outro lado. E o outro lado pode
estar dentro de casa.
O Espírito
Santo tem mercados que ainda percorrem uma curva que bairros hoje consolidados
de Vitória percorreram no passado. Campo Grande, em Cariacica, é um bom
exemplo. No Alto da Dona Augusta estamos vendo praticamente um bairro nascer,
com edifícios novos, comércio, fachadas ativas, praça e projetos arquitetônicos
que poderiam perfeitamente estar em regiões muito mais caras da Grande Vitória.
Cachoeiro de Itapemirim é outro caso interessante. Depois de anos com poucos lançamentos, recebeu uma nova geração de empreendimentos. E existe uma diferença importante entre o preço do imóvel no início da obra e o preço de unidades semelhantes quando o prédio se aproxima da entrega.
É aí que entra uma possibilidade que pouca gente considera. Talvez seu primeiro imóvel não precise ser, imediatamente, o imóvel onde você vai morar. Você pode comprar na planta em uma região ainda em desenvolvimento, escolher uma construtora sólida, verificar patrimônio de afetação, estudar o projeto, localização e preço, pagar durante a obra e deixar o tempo trabalhar junto com você.
Quando o prédio ficar pronto, existem caminhos. Morar, alugar ou vender. E, neste último caso, utilizar o patrimônio formado para comprar aquele apartamento usado no bairro onde você realmente queria viver. Bingo!
Para o investidor, o raciocínio é parecido. Muita gente olha somente para o aluguel e faz uma conta de 0,3%, 0,4% ou 0,5% ao mês. Imóvel não pode ser analisado apenas assim. Existe renda, mas existe também o principal. E um bom investimento imobiliário precisa ser observado pelas duas pontas: quanto ele produz e quanto o patrimônio pode crescer.
O mercado imobiliário brasileiro está mudando. O aluguel ganhou espaço, o crédito ficou mais difícil e morar bem ficou mais caro e no futuro vai ficar mais ainda, basta ver o que aconteceu em outros países.
As oportunidades sempre estarão existindo, basta saber onde procurar, e com auxílio de um professional que entenda muito bem do mercado e, principalmente, que entenda a sua demanda.
O sonho do imóvel próprio pode estar ao seu alcance. Para tanto, usar o movimento de mercado a seu favor pode te levar ao imóvel dos sonhos antes que você pense. O caminho não está no óbvio, e sim na orientação de um corretor que entenda sua demanda, entenda de mercado e saiba onde estão as verdadeiras oportunidades. Que não opere como um vendedor de imóveis, isto qualquer um faz, mas sim como um orientador de futuro para seu patrimônio.