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Coronavírus: "Está difícil comprar mantimentos", diz capixaba em NYC

A executiva capixaba Luana Bumachar, que mora há 8 anos Nova York, conta como está o clima da cidade, que virou o epicentro da pandemia do coronavírus

Publicado em 02/04/2020 às 05h02
Atualizado em 02/04/2020 às 15h52
Luana Bumachar, capixaba que mora em Nova York, com o marido João e os filhos  Luke e  Sophie [
Luana Bumachar, capixaba que mora em Nova York, com o marido João e os filhos Luke e Sophie. Crédito: Arquivo Pessoal

A executiva capixaba Luana Bumachar, 40 anos, mora há oito anos em Nova York, com o marido João e os filhos Luke e Sophie. Como gerente geral de e-commerce e marketing digital da Unilever, na América do Norte, ela não só está vivendo a pandemia do coronavírus numa das maiores cidades do planeta, como já observa mudanças no consumo mundial. "O mundo de e-commerce está explodindo. Todas as lojas estão fechadas e o comércio migrou muito para online". Luana não está com medo, mas triste em ver a Big Apple vazia e, mesmo as pessoas respeitando o isolamento social, os casos não param de crescer. 

Como estão as coisas por aí?

Nova York é o epicentro da pandemia. Os casos sobem exponencialmente mesmo depois da maioria das pessoas já estarem de quarentena há duas semanas. Os governadores de Nova York, Nova Jersey e Connecticut decretaram “shelter in place”, quando só os serviços essenciais podem funcionar. Supermercados, farmácias tomaram varias medidas para proteger seus funcionários e a população. Todas as lojas estão fechadas e o comércio migrou muito para online. Está difícil comprar mantimentos e principalmente produtos de limpeza. Por alguma razão, os americanos estocaram o que podiam. Está difícil encontrar papel higiênico (rs). As pessoas estão respeitando o isolamento social, apesar de o  governo federal ter demorado muito a reconhecer a pandemia. É muito triste ver uma cidade como NYC vazia. Mas ver as pessoas se ajudando virtualmente, a sociedade se unindo (o setor privado, setor publico e cidadãos) para combater o vírus, me traz otimismo. Os impactos dessa crise vão mudar o nosso comportamento não só como consumidor mas como seres humanos.  

Você tem saído de casa?

Não. Só para ir ao supermercado no máximo uma vez por semana. Mesmo assim, saímos de luva descartáveis e com álcool gel na mão. Ir ao supermercado nos deixa mais tristes. São muito poucas pessoas na rua, todas de luvas e máscaras. Parece que estamos vivendo num daqueles filmes de ficção científica. Para as crianças, é mais dificil. Compramos vários jogos, Legos, quebra-cabeças para eles se divertirem. Temos um quintal e por sorte adotamos uma cachorrinha há dois meses. Isso tem ajudado bastante.

Como tem sido em relação ao trabalho e à rotina de estudos das crianças?

Está sendo o teste real de balancear o papel de mãe e executiva em tempo integral. Impossível (rs). As crianças estão em home schooling. Eles tem entre 30 minutos a 1 hora por dia de live streaming via Zoom. Depois, tem todas as aulas gravadas com vários exercícios para fazer. A minha filha, de 8 anos,  já jaz quase tudo sozinha, mas o menor , de 5 anos,  já é mais complicado. Então, meu marido e eu fazemos um rodízio entre reuniões e exercícios escolares. Acordamos mais cedo e dormimos mais tarde, para compensar as horas que não estamos trabalhando, As regras para TV e tecnologia tiveram que ser revistas e vivemos com a sensação de não fazer nada 100%. O mundo de e-commerce está explodindo. Então a demanda no trabalho é alta. Mas a Unilever é bem flexível e coloca os funcionários e suas famílias acima de tudo, o que ajuda muito. Mas sempre há um lado positivo. É bom ficar com eles em casa e ajudá-los no dia a dia. Estamos redescobrindo a dinâmica que eu tinha quando criança: eles fazem a cama de manhã, comemos juntos e passamos mais tempo nós quatro conversando, brincando e ajudando uns aos outros. Estamos fazendo coisas que normalmente não fazemos durante a semana. Segunda é a noite de quebra cabeça; quarta é o karaokê e às sextas assistimos um “show” que toda a família gosta.  

Tem clima de pânico?

Não. No início da quarentena, eram muitas mensagens, grupos de WhatsApp e ficávamos completamente imersos, dia e noite, nas notícias. Mas agora já estamos passando para a fase de aceitação. Temos que fazer nossa parte. As crianças já entenderam também e isso ajuda.  É o "novo normal”.  

Como estão as ruas estão vazias? E o comércio?

As ruas estão muito vazias. O comércio todo fechado. As lojas da 5th  Avenue estão com tapume de madeira. Escolas fechadas. Todos os eventos cancelados: desde as maiores exposições de negócio a todos os shows eventos de música. Parques, academias, restaurantes fechados. Só os negócios essenciais funcionam, como supermercados e farmácias. É o momento que as comunidades se unem e tentam ajudar os comerciantes locais.  Está todo mundo se virando como pode.

O que teria a dizer pra quem está aqui ?

Não saiam de casa. A vida nesse momento não é como era antes. Aceite e aprenda a viver nas novas normas. Precisamos que todos estejam seguros ou ninguém vai estar. Mas cuide da saúde mental. Comece aquele projeto que você nunca começou por falta de tempo, volte a ler, ou ligue para os amigos que você nunca tem tempo. Nunca foi tao importante estar perto... mesmo estando longe.

Você está com medo?

Não. Mas é tudo muito surreal. É triste. O impacto vai ser muito maior do que a crise da saúde. Isso me preocupa. Principalmente a saúde mental das pessoas. Normalmente não prestamos muita a atenção, mas agora é mais importante do que nunca. Não importa a hora, faço 30 minutos  de exercício diários (que nem fazia antes) . Mas nos olhos de uma criança as coisas são mais simples e isso me traz otimismo. Como diz o meu filho de 5 anos. “Mamãe, estamos vivendo na História, né? E esta todo mundo se ajudando”.

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