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Crítico de cinema e colunista de cultura de A Gazeta

"Um Crime Para Dois", da Netflix, é ótima comédia romântica

Disfarçado de filme de ação, "Um Crime Para Dois" se garante no ótimo roteiro e na química entre os protagonistas Kumail Nanjiani e Issa Rae, que vivem um casal em crise no meio de uma sequência de eventos improváveis

Publicado em 22/05/2020 às 19h07
Issa Rae como Leilani, Kumail Nanjiana como Jibran em
Issa Rae como Leilani, Kumail Nanjiana como Jibran em "Um Crime Para Dois". Crédito: Skip Bolen/NETFLIX

Kumail Najiani foi por anos o coadjuvante engraçado em comédias nem sempre muito boas, como “Sex Tape” (2014) ou, pior, “A Ressaca 2” (2015), por exemplo. Seu status em Hollywood mudou com o ótimo “Doentes de Amor” (2017), filme que contava a história de sua vida, de como um imigrante paquistanês conheceu sua esposa, Emily. O filme, dirigido por Michael Showalter e disponível no Globoplay, é uma excelente dramédia que rendeu a Kumail e sua esposa uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Não levaram, o prêmio ficou com Jordan Peele por “Corra”, mas Kumail já não seria mais o coadjuvante desconhecido.

Após participações em filmes e séries (ele chegou a produzir e criar “Little America” para o AppleTV+), Kumail retoma a parceria com Michael Showalter no ótimo “Um Crime Para Dois”, lançado nesta sexta-feira (22) na Netflix. Originalmente programado para estrear em abril nos cinemas, o filme teve seu lançamento cancelado pela Paramount devido à pandemia do coronavírus e encontrou no streaming uma ótima casa.

“Um Crime Para Dois” deixa a história real do ator de lado para entregar uma comédia de ação focada no casal Jibran (Kumail) e Leilani (Issa Rae, de “Insecure”). Os conhecemos no primeiro encontro, naquele momento de encanto, de sorrisos nervosos em que as inseguranças ainda são charmes, mas logo somos levados quatro anos adiante. Prestes a sair para um jantar, o casal discute sobre um reality show; uma discussão boba se transforma numa briga que ganha grandes proporções até o momento em que um corpo bate no vidro do carro. Jibran e Leilani passam então a ser procurados pela polícia e tentam solucionar o crime para se livrar das acusações.

O filme não vai conquistar por sua originalidade, mas a química entre os atores e os diálogos garantem a diversão e a credibilidade do romance. Toda a trama de ação é construída - e resolvida - como uma grande DR; a cada obstáculo superado ou a cada pista descoberta, eles se entendem mais ou se aprofundam mais na discussão que os levou até ali.

Como comédia romântica, o filme funciona porque Kumail e Issa, em tela durante praticamente todo o filme, são ótimos juntos e convencem como um casal com um pouco de dificuldade de comunicação e cheios de insegurança - a sequência em que eles se enxergam pelo olhar do outro é reveladora. A ação, no caso, está no ritmo acelerado com que os eventos se encadeiam e na sensação de perigo dos personagens, que não fazem a menor ideia do que está acontecendo ou de como agir.

Issa Rae como Leilani, Kumail Nanjiana como Jibran em
Issa Rae como Leilani, Kumail Nanjiana como Jibran em "Um Crime Para Dois". Crédito: Skip Bolen/NETFLIX

Os acontecimentos são todos absurdos o suficiente para que temamos pelos protagonistas, mas dentro de um limite para que tudo não saia do da área da possibilidade, do campo do “poderia acontecer comigo”.

“Um Crime Para Dois” é a comédia romântica perfeita justamente por recorrer a clichês de outros gêneros para construir seu romance e disfarçar seu conflito em meio à correira de um filme de ação. Os protagonistas se completam, têm carisma, passam verdade em suas discussões e em seus problemas sem nunca eliminar a tensão sexual, a faísca entre eles. O roteiro é esperto e, exceção feita a uma solução ex-machina, ele é todo bem amarrado, com pistas plantadas do longo do texto preparando o público para a conclusão.

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