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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"The Wilds": ótima série da Amazon não subestima adolescentes

Equivocadamente comparada a "Lost", "The Wilds" é uma jornada de angústias e amadurecimento para um grupo de jovens que acaba em uma ilha deserta

Vitória
Publicado em 10/12/2020 às 22h00
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Série "The Wilds", da Amazon. Crédito: Matt Klitscher

É muito fácil (e até preguiçoso) vender “The Wilds” como uma espécie de “Lost” com jovens protagonistas. A série lançada pelo Amazon Prime Video nesta sexta (11), afinal, tem início com um acidente de avião que coloca as sobreviventes em uma ilha deserta envolvidas em uma trama misteriosa. Não se deixe enganar - ser atraído ou afastado por isso -, “The Wilds” é bem diferente da fantasiosa e complexa trama criada por J. J. Abrams, Jeffrey Lieber e Damon Lindelof, amada por uns e odiada por outros.

Como dito, “The Wilds” tem início com um acidente aéreo. O avião que carregava Leah (Sarah Pidgeon), Fatin (Sophia Ali), Shannon (Dot Campbell), Reign (Rachel Reid), Shelby (Mia Haley), Nora (Helena Howard), Susan (Jen Huang), Jeanette (Chi Nguyen) e Toni (Erana James) para uma espécie de retiro de empoderamento no Hawai cai durante a viagem. Ao acordarem, as meninas se encontram sozinhas em uma ilha deserta, sem saber ao certo onde estão e o que farão para sobreviver ali.

A estrutura narrativa é algo que “The Wilds” pega , sim, emprestado de “Lost” - cada episódio se concentra em uma história pregressa de uma das personagens. Os flashbacks nos ajudam a entender o que as levou àquele momento e também nos leva a conhecê-las um pouco mais, entendendo, assim, as atitudes de cada uma na ilha.

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O grupo é até bem plural. As jovens vêm de classes sociais diferentes, tiveram diferentes experiências na vida, têm interesses sexuais distintos, ou seja, “The Wilds” se encaixa bem nos dramas juvenis modernos  e cheios de representatividade. Alinhada com esses dramas literários ou cinematográficos, a série acerta ao não transformar essas diferenças nos conflitos de cada personagem.

Sem entrar em spoilers, já entendemos nos primeiros minutos que pelo menos algumas meninas saíram da ilha. As histórias são contadas por meio de entrevistas conduzidas por dois detetives que tentam entender o que aconteceu - neste momento, as protagonistas estão tão no escuro quanto nós acerca do real significado de tudo. Tudo o que foi dito até agora, ressalto, é mostrado nos minutos iniciais do primeiro episódio. Seria difícil me aprofundar um pouco mais na trama sem revelar reviravoltas bem interessantes que não demoram a acontecer e funcionam muito bem. Acredite, "The Wilds" é muito mais interessante quando não se sabe nada a respeito dela.

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Série "The Wilds", da Amazon. Crédito: Matt Klitscher/Divulgação

O roteiro tem um discurso feminista voltado para jovens, falando sobre a estrutura patriarcal e os dramas de meninas adolescentes. É curioso ver como a série inicialmente parece seguir as normas dos dramas colegiais, com “castas” distintas de adolescentes, mas logo deixa isso de lado e se aprofunda em questões sobre sexo, homofobia, pais ausentes, drogas e pressões da sociedade. O texto aborda todos esses temas com naturalidade, mas sem relevar a importância e as consequências de cada um deles.

A série pode parecer um pouco adolescente demais em determinados arcos; ela conta, afinal, a jornada de nove adolescentes que se comportam como… adolescentes. Mas é importante notar a maneira como o texto trata as jovens, sem fetichizá-las e respeitando suas diferenças. Isso é muito reforçado pelas atuações do elenco principal, formado por atrizes com pouca experiência - destaque para Sarah Pidgeon.

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Série "The Wilds", da Amazon. Crédito: Matt Klitscher/Divulgação

“The Wilds” pode ser enxergada como uma jornada de amadurecimento sobre o fim da adolescência, uma possibilidade reforçada pelo tom da série. O início é mais leve, bobo, com momentos quase infantis, mas à medida que a trama caminha, ela ganha profundidade, algo surpreendente em uma narrativa com tantas protagonistas - você pode até ter a sua favorita, mas nenhuma das histórias deixa de atrair interesse.

“The Wilds” é uma ótima aposta da Amazon para atrair um público de jovens adultos, que normalmente encontra muito mais conteúdo na Netflix. Ao final dos 10 episódios, a jornada é surpreendentemente agradável. Trata-se de uma série com foco em adolescentes, mas que não subestima seu público alvo e tampouco impede que adultos se interessem pela narrativa. Recomendadíssima para fãs de livro YA (“young adults”, “jovens adultos” em inglês), que encontrarão na jornada das meninas paralelos com suas próprias vidas.

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