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Crítica

"Paraíso", da Netflix, é razoável, mas poderia ser um ótimo filme

Filme alemão de ficção científica lançado pela Netflix, "Paraíso" se passa em um futuro próximo no qual as pessoas compram e vendem tempo de suas vidas

Públicado em 

27 jul 2023 às 22:50
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme alemão
Em "Paraíso", pessoas podem vender anos de suas vidas Crédito: Andrej Vasilenko/Divulgação
E se pudéssemos comprar tempo e rejuvenescer? Uma troca comercial simples, uma pessoa dá o dinheiro e a outra, os anos de vida; uma fica jovem e a outra envelhece. O que aconteceria? O filme alemão “Paraíso”, da Netflix, traz essa possibilidade em uma premissa interessantíssima, mas com uma execução nem sempre eficiente.
Dirigido por Boris Kunz, Tomas Jonsgården e Indre Juskute, “Paraíso” se passa em um futuro próximo no qual uma tecnologia permite esse comércio de anos entre pessoas compatíveis, algo simples, como uma doação de medula. O filme tem início com Max (Kostja Ullmann) negociando a compra de 15 anos com um jovem que recém completou 18 – Max é um gerente de doação, responsável por mapear doadores e convencê-los a realizar a venda. Ele é funcionário de Aeon, a startup responsável pela nada barata tecnologia. Assim, os ricos conseguem comprar os anos dos jovens, que vendem o tempo em busca do sonho de uma vida um pouco melhor. Claro que o alto custo do procedimento deu origem também a um mercado ilegal e a um grupo revolucionário cujo lema é “quem roubar a vida de outra pessoa será executado por nós”.
O início do filme ambienta o espectador nesse mundo desigual; o próprio Max diz ter vendido cinco anos de sua vida para pagar por seus estudos, “cada um deve ter o direito de fazer o que quiser com o corpo”, defende (como quem defende o direito de se vender os próprios órgãos). Logo conhecemos também Elena (Marlene Tanczik), esposa de Max, uma mulher cheia de planos para o futuro do casal. Após um acontecimento, eles ficam sem ter como pagar pelo financiamento do apartamento em que moram e os financiadores cobram a execução do que foi dado como garantia, 40 anos da vida de Elena.
“Paraíso” introduz sua premissa e seu único arco com muita rapidez, despertando a curiosidade do espectador para aquele universo interessantíssimo. Os detalhes que o cercam, no entanto, são deixados de lado quando o filme se transforma em uma espécie de thriller, com Max e Elena em busca de recuperar à força o tempo roubado dela.
Filme alemão
Em "Paraíso", pessoas podem vender anos de suas vidas Crédito: Andrej Vasilenko/Divulgação
O texto, que suscita discussões sobre complexos dilemas éticos e críticas ao capitalismo exploratório legitimado pelo argumento neoliberal, opta por um caminho mais simples. Após o primeiro ato, não é difícil imaginar alguns rumos, mas o roteiro surpreende ao entregar uma virada logo de cara. Não demora, assim, para o grande mistério ser revelado e o filme ganhar novos contornos.
“Paraíso” é bem feito e parte de uma boa ideia, mas essas boas ideias se esvaem com o tempo. Ao ignorar o que poderia lhe conferir profundidade, o roteiro também perde força – Max e Elena não são interessantes o suficiente e pouco sabemos para nos importarmos de fato com eles. Da mesma forma, há vários coadjuvantes que poderiam ser mais bem trabalhados pelo texto, até para potencializar o final; o Grupo Adão, por exemplo, é pouco explorado e utilizado apenas como contraponto a Aeon, mas nada sabemos dele.
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Em "Paraíso", pessoas podem vender anos de suas vidas Crédito: Andrej Vasilenko/Divulgação
É interessante como os problemas de “Paraíso” são muito mais relacionados ao que ele poderia ser do que ao que ele é. Além das já citadas boas ideias, há uma linguagem narrativa que funciona sem didatismo ou diálogos expositivos, como fica claro no quase silencioso e bom epílogo.
Algumas escolhas dos roteiristas fazem pouco sentido quando analisadas com mais afinco, mas quem se importa? O filme da Netflix não é ruim e até traz boas discussões que, se tivessem sido bem trabalhadas, elevariam o filme a outro nível.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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