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Crítica

"Meu Nome é Vingança": bom filme da Netflix é violento e certeiro

Apostando na simplicidade e em uma violência crua, "Meu Nome é Vingança" traz escalada interminável de violência com boas cenas de ação

Publicado em 01 de Dezembro de 2022 às 02:04

Públicado em 

01 dez 2022 às 02:04
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme italiano
Filme italiano "Meu Nome é Vingança", da Netflix Crédito: Emanuela Scarpa/Netflix
Os filmes de “um homem contra o mundo” são influência direta dos faroestes no cinema pop hollywoodiano. Normalmente tínhamos um homem “quebrado”, com cicatrizes de um passado que preferia esquecer (a Guerra Civil, a Guerra do Vietnã, Iraque, Afeganistão…) levado de volta à violência por um senso de honra ou justiça. Charles Bronson, por exemplo, fez carreira assim, com os filmes “Desejo de Matar”.
O gênero, por desgaste da fórmula, perdeu força nos anos 1990 e permaneceu como um subgênero antes dos franceses Pierre Morel e Luc Besson pensarem: “e se a gente colocar um homem mais velho, um sujeito comum, pra protagonizar cenas de ação no estilo Jason Bourne?”. O resultado foi “Busca Implacável”, com Liam Neeson, um filme pelo qual ninguém dava nada e que até mesmo seu protagonista pensava que seria lançado direto para as hoje finadas locadoras.
Depois de “Busca Implacável” vieram vários filmes que tentavam inserir algo novo ao gênero: “John Wick”, “O Protetor”, “Atômica”, “Jack Reacher” e outros muitos filmes com o próprio Neeson. A fórmula, é fato, está no limite do desgaste, como provado por “Lou”, sucesso na Netflix, mas um filme que beira o constrangimento. “Meu Nome é Vingança”, também da Netflix, não inova ou acrescenta algo novo à fórmula, mas tampouco é tão ruim quanto seu colega de plataforma.
“Meu Nome é Vingança” tem seu grande mérito em se ater ao que faz bem. Conhecemos Santo (Alessandro Gassmann) e sua filha, Sofia (Ginevra Francesconi), de 17 anos, quando ela participa de um jogo de hóquei importante. É interessante como essa sequência, mesmo com poucos diálogos, já estabelece a premissa do filme e dialoga diretamente com sua cena final. Quando, pouco depois, Sofia posta uma foto do pai no Instagram, sua localização é revelada e cai na mão da Ndrangheta, a máfia da região da Calábria - o problema é que Santo tem um passado de ligação com uma família rival à que atualmente comanda a organização, então ele se torna um alvo. Santo agora tem uma dúvida: fugir ou atacar para colocar um ponto final àquela história?
Filme italiano
Filme italiano "Meu Nome é Vingança", da Netflix Crédito: Emanuela Scarpa/Netflix
Com menos de 90 minutos de duração, “Meu Nome é Vingança” está sempre em movimento a não perde muito tempo com nada, deixando claro, assim, que não são os personagens e suas relações que importam, mas a ação, a violência. Apenas Santo e Sofia têm algum traço de desenvolvimento, o que é essencial para que o filme funcione.
Sem as elaboradas coreografias de um “John Wick” ou a grandiosidade urbana de “Busca Implacável”, “Meu Nome é Vingança” acerta ao ter grande parte de sua ação em ambientes isolados no interior da Itália, com alguns belos cenários, e guardar um cenário um pouco mais urbano para o clímax. Ainda assim, a ação do filme de Cosimo Gomez é eficiente; o diretor é gráfico sem ser gore, mas dando o devido peso aos ferimentos dos personagens.
Filme italiano
Filme italiano "Meu Nome é Vingança", da Netflix Crédito: Emanuela Scarpa/Netflix
É na crueza dessa violência que o filme se destaca. Ao não glamourizar a violência, o texto tampouco romantiza Santo, criando um protagonista falho, ciente de todo o mal já causado por ele e também do custo disso. No que entende ser seus últimos momentos, ele tem apenas uma missão, salvar a filha, o que torna a construção da relação deles essencial ao filme.
“Meu Nome é Vingança” é, obviamente, um filme de vingança, mas não é necessariamente apenas sobre a vingança de Santo contra quem ameaça sua família, pelo contrário, é sobre a vingança que retroalimenta uma interminável escalada de violência. Apostando na simplicidade, o lançamento italiano da Netflix, apesar de não trazer nenhuma inovação ao gênero, se esforça para ser um bom filme (e até consegue ser bem razoável) ao não subestimar a inteligência do espectador com viradas ruins e buracos no texto apenas pela necessidade do impacto.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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