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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

Indicada a prêmio na MTV, capixaba Morenna vive um sonho

Uma das revelações da música pop brasileira recente, Morenna fala sobre a carreira, sonhos, sucesso e a indicação ao prêmio MTV MIAW 2021

Vitória
Publicado em 15/09/2021 às 00h25
Cantora capixaba Morenna
A cantora capixaba Morenna, uma das revelações da música brasileira, está indicado ao prêmio MTV MIAW. Crédito: Rodolfo Magalhaes/Divulgação

Conheci Morenna quando ouvi o Solveris pela primeira vez, no clipe de "Cherry Blossom". Pouco depois, o grupo de rap foi o primeiro convidado do projeto Live Sessions, que tive a honra de apresentar. O Solveris era uma engrenagem que funcionava perfeitamente bem, mas Morenna, assim como seus companheiros de banda, já era uma artista solo antes. Por isso, não foi uma surpresa quando ela lançou o EP "Blá Blá Blá", em 2019, com uma sonoridade um pouco diferente, mais voltada para a música pop, mas com uma identidade própria e forte.

"Eu sempre bebi nas referências do pop, ouvindo Michael Jackson, Beyoncé, Rihanna, fazendo coreografias, aulas de dança, sempre gostei de street dance. A dança foi minha primeira experiência e eu queria ser igual o Michal Jackson (risos)", conta, em entrevista à coluna. Como artista solo, Morenna se dedicou mais às coreografias em canções animadas, mas ainda com aquela pegada de trap. Não demorou para que ela chamasse a atenção da Warner Brasil, mesma gravadora de nomes como Anitta, Iza e Ludmilla. Em fevereiro de 2020 o contrato foi assinado, mas a pandemia atingiu em cheio os planos construídos para a cantora canela-verde.

Durante a pandemia, o trabalho continuou. Morenna relançou "Blá Blá Blá" em versão deluxe e também ótimos singles como "Açaí" e "Me Acabo". Agora, indicada ao prêmio MTV MIAW na categoria "PRESTENÇÃO", que destaca promessas e revelações do pop nacional, a capixaba se diz no melhor momento da carreira. "Eu acompanhei a geração MTV, de ver vídeo clipe, de acompanhar os VJs desde criança, então é um momento muito marcante da minha vida, o momento mais importante da minha carreira". Quer votar? Clique aqui, selecione a opção "Morenna" e vote quantas vezes quiser na primeira mulher capixaba indicada a um prêmio na MTV. A votação vai até o dia 17 e os vencedores serão conhecidos dia 23.

Na entrevista abaixo, Morenna fala sobre a carreira, a pandemia, a importância de se ter uma atuação forte nas redes sociais e também sobre as dificuldades de se buscar uma carreira nacional na arte estando longe dos grandes centros. Confira.

A última vez que a gente se falou foi quando assinou com a Warner. O que mudou pra você desde então?

O que mudou é que foi ficando tudo cada vez mais corrido. A gente às vezes tem uma imagem de fora de que quanto mais o artista vai trabalhando, mais vai se expandido, a gente acha que vai ficando mais simples, mais fácil, mas é o contrário, só vai ficando mais difícil, mais complicado pra dar conta de todas as demandas. É super corrido, produções e mais produções, uma em cima da outra, aquela correria. Eu só tenho a agradecer a oportunidade de executar e continuar meu trabalho em um cenário tão complicado de pandemia, com tanta gente sem conseguir trabalhar. Tenho muito a agradecer por essa oportunidade de fazer o que eu amo junto a uma grande gravadora. O que mudou é ter expandido mais o meu trabalho, o meu público, principalmente no último semestre. Os últimos dois meses foram muito icônicos, muito importantes na minha vida. A gente saiu em veículos gigantes, de forma espontânea, veículos como a "Vogue", "Marie Claire", "Revista L", fomos no programa do Raul Gil, muita coisa aconteceu. O mais importante é cada vez mais alcançar o reconhecimento e me conectar com outros artistas que eu admiro com o RDD, baiano do grupo Àttøøxxá, que foi meu último feat.

Eu acompanhei os lançamentos, adorei “Açaí”, e te acho cada vez mais com uma identidade forte como artista solo (vi até uma treta dia desses no Twitter). Tem sido uma busca pra você? Encontrar um lugar pra chamar de seu, uma assinatura?

Geralmente a gente tem essa questão que se repete em pessoas que acompanham nosso trabalho. Às vezes as pessoas ficam muito apegadas ao início do nosso trabalho, da nossa carreira. Muita gente me conheceu já em carreira solo, mas muita gente me conheceu no Solveris. Eu vim disso, vim o rap, da música underground, do hip hop, com as minhas influências do samba também. Eu comecei como cantora profissional no samba. A gente traz muitas referências e muita gente acha que agora eu faço uma coisa pra vender ou por estar em uma gravadora, mas, na verdade, eu que concebi a minha carreira solo, sem gravadora, com meu primeiro EP, em 2019. Mesmo antes do Solveris eu já era uma artista solo. A gente nunca teve a intenção de ser um grupo, todo mundo tinha os trabalhos solos encaminhados e a gente se juntou pra fazer algumas músicas. Deu muito certo e acabou virando um trabalho, foi um momento muito especial, meu primeiro trabalho autoral. Mas eu sempre bebi nas referências do pop, ouvindo Michael Jackson, Beyoncé, Rihanna, fazendo coreografias, aulas de dança, sempre gostei de street dance. A dança foi minha primeira experiência e eu queria ser igual o Michael Jackson (risos). Isso conversa muito no hip hop e no pop. O pop que eu faço tem muita influência do rap, tanto que a maioria dos meus feats vem da música urbana, o Dalua, o Rodrigo Cartier... Eu jamais vou deixar isso pra trás, mas hoje faço uma música que tem mais a minha cara como artista solo, como artista mulher, músicas dançantes. Eu falo que faço música pra todos os momentos, não é só dançante, farofa (risos), músicas de pista, não faço só love songs ou trap, eu tenho músicas com vários estilos e várias facetas. "Videogame" é um trap, "Blá Blá Blá" também é um trap. A galera acha que eu parei de fazer o que eu gostava porque entrei na gravadora, mas é muito o contrário: a gravadora me contratou porque eu estava fazendo exatamente o que eu gostava. Agora continuo fazendo meus trabalhos e com recurso pra botar em prática minhas ideias. Com o Solveris eu não tinha recurso pra grandes produções, então tudo era feito de forma muito simples, do jeito que dava e com muito amor. Cada vez mais, agora eu consigo ser mais eu e reproduzir as ideias que eu consigo e quero fazer.

Logo depois do contrato, veio a pandemia. A mudança de planos foi grande? Como foi trabalhar dessa forma? Muita gente criou, mas conheço muito artista, escritor etc. que ficou muito tempo sem conseguir criar…

Eu iniciei o contato com a gravadora em 2020, pouco antes da pandemia. Fiz o show de carnaval e depois parou tudo. Nisso eu já comecei a me movimentar enquanto via estúdios e casas de shows fecharem. A minha presença virtual aumentou muito, além de ter desenvolvido uma coleção de máscaras no início da pandemia. Vendendo as máscaras eu consegui construir meu home studio. Eu sabia que teria que gravar em casa, comecei a me gravar, a gravar uns covers em casa e virei uma cantora muito presente nas redes, virei uma blogueira (risos). Fiz muitas lives, show em live, conversas, tutoriais, reels de dança, coreografias, challenge e até maquiagem, mas o foco sempre foi a dança. A gente teve que manter o contato com as pessoas pela internet e graças a Deus que a gente tem isso pra criar conteúdo mesmo com a pandemia. Me movimentei muito e mais que dobrei meus números nas redes com a produção de conteúdo em casa durante a pandemia. Mesmo assim produzi três vídeo clipes com protocolos de segurança, distanciamento, testes, máscaras... E também tem a falta do show. Artista, como diria a Lady Gaga, vive pelos aplausos mesmo. Eu passei muitos momentos nos quais eu queria criar muito, mas tava completamente travada com as minhas criações. Estão sendo quase dois anos de uma montanha russa. Mantenho a constância na criação, mas sempre respeitando meus limites, meus tempos. Quando realmente vira um trabalho, a gente tem que ter uma regularidade a manter e acaba aprendendo a criar a inspiração mesmo quando ela não vem fácil. Foram muitas transformações.

Como recebeu a indicação ao prêmio na MTV? Acha que te colocou em uma vitrine a qual você ainda não tinha acesso?

Recebi a indicação do prêmio da MTV pela minha equipe umas duas semanas antes da indicação oficial. Foi um choque, um baita choque! Foi a maior gritaria com a minha mãe (risos), um momento de muita alegria mesmo e muita surpresa. Eu jamais imaginaria ser indicada a prêmio na MTV. Eu acompanhei a geração MTV, de ver vídeo clipe, de acompanhar os VJs desde criança, então é um momento muito marcante da minha vida, o momento mais importante da minha carreira. Acessamos uma plataforma muito importante e um acesso que a gente não tinha. Eu sou a primeira mulher capixaba a ser indicada a um prêmio na MTV, então demonstra que a gente ainda tem muitas portas pra abrir. É uma jornada longa, mas estou muito feliz de ser indicada e concorrer ao prêmio.

Por ser um prêmio de votação popular, é fundamental o trabalho nas redes. Como você tem trabalhado isso?

É fundamental estar nas redes. É um prêmio de votação popular. Eu tenho grupos de WhatsApp e os fãs que me acompanham participam. Eu tenho conversas diárias com eles e eles votam muito. Meus fãs são muito engajados, empenhados com toda espontaneidade. Fico muito feliz com esse apoio dele, de estar lutando por mim, pela visibilidade do nosso Estado. Fico muito feliz que eles me achem merecedora de tanta atenção, tanto amor, tanta dedicação... A gente faz vigília, sorteios, lives, mutirão, um monte de coisa (risos). Tem sido um processo muito legal viver isso, quase uma gincana. Eu tô concorrendo com artistas muito grandes, com muitos seguidores, então vai ser uma briga grande, mas já tá servindo pra eu divulgar meu trabalho e ter contato com outras pessoas.

Morenna

Cantora

"A galera acha que eu parei de fazer o que eu gostava porque entrei na gravadora, mas é muito o contrário: a gravadora me contratou porque eu estava fazendo exatamente o que eu gostava"

A questão do “sucesso” hoje é muito diferente do que era antes. Você já deu passos pra isso, tem uma qualidade musical grande, tem equipe... Como trabalhar esse próximo degrau?

Esse lance do sucesso é muito relativo. A gente vive uma geração muito focada nos números. Eu acredito que hoje uma pessoa que consegue se manter na profissão, executar seus processos, seus trabalhos, lançar seus discos com regularidades, ter uma equipe e bancar isso já é uma grande vitória. Eu considero que eu já tenho sucesso na minha profissão, já consegui alcançar o patamar de ter uma profissão, de ter um lugar ao sol. Esse sucesso que a gente sempre almeja é sempre querer mais. O sucesso é um processo eterno.  Sucesso mesmo pra mim vai ser quando eu puder dar uma vida melhor para a minha família. Já faço a minha parte no que eu posso fazer, mas sucesso vai ser melhorar a vida das pessoas que estão próximas a mim, família, amigos, pessoas que trabalham comigo e me apoiam. Esse é o verdadeiro sucesso, melhorar no nosso ambiente e atingir o máximo da vida das pessoas, levando uma mensagem boa, encorajar, servir de referência a outros artistas, jovens, e ajudar a vida desses artistas que precisam de portas abertas, poder fazer por outros artistas o que não fizeram por mim quando eu comecei e quando precisei. A consequência disso é o reconhecimento, o público, os holofotes, é tudo consequência de um trabalho bem feito, além de um pouco de sorte.

Você fez poucos shows como artista solo, né? Imagino que esteja ansiosíssima pra voltar aos palcos.

Fiz poucos shows. Tive uns que eu amo de paixão. O Carnaval de Vitória, na Beira-Mar, a orla, o Bekoo das Pretas...  Foram eventos muito especiais pra mim, casas lotadas. Bekoo das Pretas com mais de cinco mil pessoas, Carnaval da orla puxando um trio que nem sei quantas pessoas tinham atrás. É até um gatilho falar de shows. Estou muito ansiosa com o show pronto pra sair pro verão e entregar o meu melhor, a melhor experiência, muita diversão e muitas sensações boas. Espero conseguir voltar logo aos palcos e estou me preparando muito pra viver esse verão da melhor forma possível, com saúde, segurança e com todo mundo bem. É meu maior desejo hoje.

É historicamente sabido ser complicado ser artista fora de grandes centros. Quase todos os meus amigos que vivem de música foram pra São Paulo. É algo que está nos seus planos?

Sobre esse movimento de grandes centros é uma verdade. Quando a gente vai pra Rio de Janeiro ou São Paulo percebe que as pessoas não sabem o que é o Espírito Santo e nem onde fica. A maioria nunca ouviu falar de Vila Velha e também não sabem muito de Vitória, confundem muito com Vitória da Conquista, na Bahia. Pra mim, é muito chocante perceber que as pessoas não conhecem o nosso Estado. Entristece ter que passar por essas experiência inevitáveis de ir para um Grande Centro e estar "competindo" por um espaço com artistas estabelecidos. A gente não deveria precisar disso, o mercado deveria ter espaço suficiente para todos, mas é uma grande corrida. Eu ainda não tenho previsão de ir definitivamente pra Rio ou São Paulo, estou vivendo essa ponte aérea. Faz diferença estar nesse lugares por conta das manifestações culturais, das agendas, das conexões... Faz muita diferença para o artista. Pra minha história, desde 2012 trabalhando no movimento cultural, desde 2017 lançando música autoral, são muitos anos trabalhando aqui. A gente vai sentindo que o trabalho alcança um teto quando se está fora desse "eixo", mas a minha intenção é trabalhar o máximo que eu puder no Espírito Santo e expandir meu trabalho por muitas regiões do Estado que ainda não me conhecem. A minha intenção hoje é trabalhar bastante por aqui. O futuro a Deus pertence. Nunca sabemos o que vai acontecer e quais serão as nossas necessidades. Não é uma opção que eu descarto, ir para Rio ou São Paulo, até porque a gravadora está no Rio, mas não é nada confirmado ou que tenha previsão. Por enquanto mantenho as minhas pontes aguardando e trabalhando muito por oportunidades de poder estar em mais partes do Espírito Santo de todas as formas que eu puder. O meu maior objetivo é espalhar a cultura do nosso Estado.

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