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Crítica

"Caça Invisível": terror da Netflix é uma grande perda de tempo

Filme alemão "Caça Invisível" coloca cinco amigos sendo caçados por um atirador misterioso em uma aventura na floresta

Publicado em 13 de Setembro de 2021 às 20:04

Públicado em 

13 set 2021 às 20:04
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Filme alemão
Amigos vão para uma trilha na floresta e acabam caçados em "Caça Invisível" Crédito: ANKE NEUGEBAUER/Divulgação
“Caça Invisível”, lançado pela Netflix, é um filme curioso. Ele tem menos de 90 minutos de duração, mas parece ter mais de duas horas. O thriller alemão de sobrevivência tem uma boa ideia e uma ambientação interessante para um filme produzido durante a pandemia: cinco amigos partem para uma despedida de solteiro na forma de aventura de trilha no meio da floresta, mas não demora e são surpreendidos por um misterioso atirador sniper aparentemente disposto a eliminar um por um. Eles aparentemente estão sendo caçados.
O cenário é uma atração desde o primeiro momento, com a tranquilidade inicial da floresta posteriormente contrastando com o desespero do grupo, mas pouco se salva além disso. Roman (David Kross), seu irmão Albert (Hanno Koffler) e os amigos Peter, Vincent and Stefan (Robert Finster, Yung Ngo e Klaus Steinbacher, respectivamente) são pouco ou nada interessantes, se encaixam em diversos clichês do cinema de terror e não têm profundidade nenhuma - eles estão em tela para serem alvejados e, no momento em que o primeiro tiro é disparado em direção ao grupo, tudo se transforma.
“Caça Invisível” tem protagonistas irritantes, pouco desenvolvidos e que não funcionam bem juntos. Nunca parece, por exemplo, se tratar de um grupo de amigos. Assim, não nos preocupamos nem um pouco com quem será a próxima vítima - na verdade, às vezes até torcemos pelo atirador - e eles também não parecem se importar uns com os outros. A opção por uma ameaça invisível deveria criar um clima de tensão constante, mas o roteiro descarta essa possibilidade ao logo revelar quem está atirando no grupo. O texto nunca aproveita também para explorar o luto dos personagens ou a culpa de verem um amigo sendo morto e ainda assim terem que seguir em frente.
A narrativa do filme escrito e dirigido por Thomas Sieben é inconstante e nem sempre faz muito sentido. Em alguns momentos, “Caça Invisível” dá mostras de que poderia ser um bom suspense de sobrevivência, tenso e com todos os personagens em risco constante. Na maior parte do tempo, porém, é um filme cansativo, que parece andar em círculos pelo meio da floresta apenas esperando o próximo tiro. O texto ainda tenta dar pistas ao espectador sobre o que está acontecendo por lá, mas o recurso não funciona.
Filme alemão
Amigos vão para uma trilha na floresta e acabam caçados em "Caça Invisível" Crédito: ANKE NEUGEBAUER/Divulgação
O filme recorre a alguns flashbacks para conferir uma suposta profundidade a um dos personagens e deixa subentendido que ele é o elo entre tudo o que ocorre em tela. O problema é que os flashbacks nada acrescentam e tampouco se conectam à história - parece uma trama particular, mas é mal construída e serve apenas uma virada de roteiro pouco interessante.
“Caça Invisível”, durante a maior parte de seus quase 90 minutos, é irregular. Há alguns bons momentos quando o atirador resolve aparecer e algumas mortes são impactantes. Em contrapartida, além da já citada repetição, o filme de Thomas Sieben termina com deixando no espectador a sensação de ter sido enganado, de ter acompanhado a jornada daquelas cinco pessoas e não obter nenhuma recompensa no final.
Isso acontece em função da falta de conexão entre as tramas e principalmente pela forma superficial como o antagonista é construído. O roteiro não faz questão de esconder por muito tempo as motivações do atirador e as revela em uma cena que, se friamente analisada, não faz sentido.
“Caça Invisível” é um filme razoável, mas que deixa um gosto amargo e uma certa revolta após o término. Os personagens são irritantes, mal construídos e fazem escolhas nada inteligentes o tempo todo; o vilão, por sua vez, é onipresente quase como em um filme slasher dos anos 1980, mas é difícil saber se a referência é intencional, visto que "Caça Invisível" se leva bem a sério. Ao fim, o lançamento da Netflix é uma grande perda de tempo. Se o objetivo é enganar o público, ao menos o faça de modo a não subestimar a inteligência de quem assiste ao filme.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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