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Crítica

"Golpes de Vingança": filme de artes marciais da Netflix é horroroso

"Golpes de Vingança" desperdiça os talentos de Iko Uwais e Lewis Tan com um roteiro horroroso que mistura ação, artes marciais e fantasia

Publicado em 18 de Fevereiro de 2022 às 19:35

Públicado em 

18 fev 2022 às 19:35
Rafael Braz

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Rafael Braz

Filme
Filme "Golpes de Vingança", da Netflix Crédito: Patrick Brown/Netflix
Não está avisado em lugar nenhum, mas “Golpes de Vingança”, lançado pela Netflix, é uma continuação direta da série “Wu Assassins”, lançada pela mesma plataforma em 2019. Pouco importa, na verdade, uma vez que o filme explica todos seus “conceitos básicos” (as aspas são importantes) logo em seus primeiros minutos em um diálogo no qual Tommy (Lawrence Kao) define seu grupo como uma espécie de “Vingadores, mas asiáticos”.
“Golpes de Vingança” não demora para se mostrar como é, um filme que se preocupa em demasia com o estilo de suas cenas e se esquece de todo o resto. Na trama, o grupo formado por Tommy, Lu (Lewis Tan, de “Mortal Kombat”) e Kai (Iko Uwais, do clássico “Operação Invasão”) busca vingança pela morte da irmã do primeiro. Enquanto “Wu Assassins” mostra Kai aprendendo a usar seus poderes como assassino Wu, o filme traz um grupo poderoso querendo roubar o seu Chi para destruir o universo. Nenhuma novidade.
Dirigido pelo inexpressivo Roel Reiné, diretor holandês sem nenhum crédito de destaque e responsável por alguns episódios da vindoura série “Halo”, “Golpes de Vingança” é um filme completamente vazio e com um roteiro que parece saído de algum jogo de terceira categoria. Os heróis vão de um ponto A ao ponto B enfrentando inúmeros capangas em sequências que nem sempre fazem sentido. Em certo ponto, eles são encurralados por bandidos fortemente armados que de repente abrem mão das armas e partem para a pancadaria contra um assassino com poderes mágicos e um dos melhores lutadores do mundo, uma decisão no mínimo questionável.
O lado fantasioso do filme é quase um desperdício de Tan e Uwais, dois atores com talento de sobra para sequências de ação, mas que acabam reféns de um texto ruim e de coreografias que nem sempre funcionam. Tan já mostrou o que pode fazer na série “Into the Badlands” e Uwais é um dos nomes mais importantes da reinvenção do cinema de artes marciais, o que já rendeu a ele papéis em Hollywood, mas nada ainda que faça jus a seu talento.
Filme
Filme "Golpes de Vingança", da Netflix Crédito: Patrick Brown/Netflix
“Golpes de Vingança”, mesmo tendo esses talentos em mãos, às vezes se aproxima mais das cenas de ação da finada novela “Mutantes”, com luzes saindo das mãos dos personagens como se fossem superpoderes. Esses efeitos tiram a força da ação e dos combates, que também são prejudicados por coreografias pouco criativas e uma edição picotada que torna impossível para o espectador compreender por muito tempo o que está acontecendo.
A história é um amontoado de clichês e frases de efeito que deixariam qualquer “Velozes e Furiosos” no chinelo. Os diálogos são cheios de “fuck”, “bitch” e “shit” ao final ou no meio de cada frase, como se o texto quisesse imprimir um estilo americanizado ao filme estrelado por asiáticos, ambientado na Tailândia e com referências à cultura asiática.
Filme
Filme "Golpes de Vingança", da Netflix Crédito: Patrick Brown/Netflix
Ao fim de “Golpes de Vingança”, nós nem sequer entendemos ao certo o que acabamos de ver. Sim, lembramos haver lutas, ação, magias, traições e explosões, mas o novo lançamento da Netflix é completamente esquecível. Apesar do desejo claro de se criar uma franquia, o cancelamento de “Wu Assassins” após a primeira temporada deveria ser um sinal de que o universo da série, que é bem superior ao filme, descansasse em paz.
Quer assistir a um filme de ação realmente bom e com o mesmo Iko Uwais? “Operação Invasão” e sua continuação não estão disponíveis nos serviços de streaming, mas o ótimo “A Noite nos Persegue” está na mesma Netflix que “Golpes de Vingança” - se ainda der tempo, troque um pelo outro e não se arrependa.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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