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Crítica

"Lov3": série da Amazon tem sexo como jornada de libertação

Série brasileira "Lov3", da Amazon Prime Video, acompanha a jornada de autoconhecimento de três irmãos em relacionamentos não-convencionais

Publicado em 17 de Fevereiro de 2022 às 22:24

Públicado em 

17 fev 2022 às 22:24
Rafael Braz

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Rafael Braz

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Série "Lov3" Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação
“Lov3”, nova série brasileira da Amazon Prime Video, começa meio de supetão, com Ana (Elen Clarice), Beto (João Oliveira) e Sofia (Bella Carneiro) em um diálogo pela metade, como se ligássemos a televisão com o filme já em andamento. A impressão não é de toda errada, pois acompanhamos apenas um recorte da vida dos três, as semanas que sucedem a separação dos pais do trio. “A série surgiu da necessidade de falar sobre os novos modelos e formatos de relacionamentos e como eles redefinem a convivência e a experiência entre os jovens”, explicou o diretor Felipe Braga, cocriador do projeto.
Demora um pouco para que a série se livre dessa impressão incial, mas vamos gradualmente conhecendo os protagonistas e nos aproximando deles. Ana, tal qual a mãe (para seu desespero), está em um processo de separação e curtindo a recém-adquirida solteirice, mas acaba se reaproximando do ex-marido em uma relação aberta. Já Beto sofre não para se reconhecer como gay, mas para se sentir querido; o jovem só se relaciona com homens que se dizem héteros e que o dispensam logo depois, o que causa um estrago em sua autoestima. Sua irmã gêmea, Sofia, acaba de ser demitida mais uma vez e acaba dividindo o teto com um trisal que não a reconhece exatamente como parte da relação. Todos têm problemas em “Lov3” e buscam o autoconhecimento de maneiras diferentes.
A série, com episódios dirigidos por Mariana Youssef, Gustavo Bonafé e Felipe Braga, inicialmente gira em torno do sexo em sequências bem filmadas e que ajudam a entender a personalidade de cada irmão. “Lov3” nunca torna um ou outro relacionamento como o padrão a ser seguido e consegue discutir de maneira interessante questões como monogamia e poliamor com a mentalidade de que “na intimidade vale tudo”.
“Lov3” tem algumas influências claras, como a estética de “Euphoria”, mas entrega algo original. À sua maneira, a séria brasileira ultrapassa a questão meramente sexual de sua premissa quando entendemos que a sexualidade é parte essencial na construção da identidade. Nenhum dos três irmãos sabe ao certo o que busca, mas todos buscam se libertar de algo não necessariamente sexual - as relações são quase metáforas para amarras que impedem a total compreensão daquelas pessoas sobre quem eles são e quem querem ser.
Série
Série "Lov3" Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação
A relação de Sofia com o trisal, por exemplo, é tratada com naturalidade. “Mostrar essa pluralidade de milhões de maneiras de sentir tesão e amar é muito importante para que todo mundo se reconheça em suas preferências sem discriminação”, disse Bella Carnerio na coletiva de lançamento da série. Elen Clarice completa: “sempre acreditei em várias formas de se relacionar e tudo é possível numa relação quando se tem diálogo”.
Já João Oliveira destacou todo o afeto da série nesse cenário ainda pandêmico de distanciamento. “Depois de um ano e meio de pandemia, encontrar essas pessoas e amá-las diariamente refletia esse aprendizado de ver as diferentes formas de amor e afeto”, disse.
Série
Série "Lov3" Crédito: Amazon Prime Video/Divulgação
O sexo é tão importante na narrativa que a série teve um “coordenador de intimidade” no set, cargo comum às produções internacionais, mas nem sempre presente por aqui. Assim, as cenas de sexo são variadas e sempre naturais, alternando entre algumas mais sensuais e outras de pura intimidade. “Lov3” normaliza corpos e comportamentos sem julgamento e quase sempre sem erotizar as relações.
Gravada e ambientada no período pandêmico que ainda vivemos, a série, assim como “Desjuntados” e “Manhãs de Setembro”, foi gravada no Uruguai. Mesmo que a história se passe em São Paulo, e é possível reconhecer alguns cenários de Montevidéu na série. A primeira temporada tem seis episódios de cerca de 30 minutos que proporcionam um consumo rápido, mas deixam um gancho para ser explorado em uma possível segunda leva de episódios.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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