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Crítico de cinema e apaixonado por cultura pop, Rafael Braz é Jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

"As Passageiras": filme de vampiros da Netflix é sexy e vazio

"As Passageiras" é a história de um motorista obrigado a acompanhar duas sensuais vampiras em uma noite de matança em Los Angeles

Vitória
Publicado em 21/10/2021 às 21h48
Filme
Filme "As Passageiras". Crédito: Kat Marcinowski/Netflix

No ótimo “Colateral” (2004), de Michael Mann, o taxista vivido por Jamie Foxx pega um passageiro que pagará muito bem para que o motorista fique à sua disposição durante toda a noite, período em que farão cinco paradas. Logo na primeira, porém, o taxista descobre que seu passageiro é um assassino profissional que tem cinco assassinatos para realizar naquela noite. O material promocional do filme dizia “tudo começa como uma noite qualquer”.

“As Passageiras”, lançado pela Netflix, se passa na mesma Los Angeles e tem premissa praticamente idêntica: Benny (Jorge Landeborg Jr., de “Bumblebee”) substitui o irmão em uma noite de trabalho como motorista e tem o único trabalho de conduzir Blaire (Debby Ryan) e Zoe (Lucy Fry) por várias festas durante a noite. Na primeira parada já percebe algo estranho, mas é na segunda que descobre a verdade: as duas são vampiras e estão envolvidas em uma disputa de poder. Como em "Colateral", "tudo começa como uma noite qualquer".

Sabe quem também está envolvido na tal disputa? Jay (Raúl Castillo), o irmão de Benny. Como logo aprendemos, existe uma trégua entre vampiros e humanos para uma convivência pacífica na cidade, mas essa trégua foi quebrada quando Victor (Alfie Allen, de “Game of Thrones”) sequestrou a namorada de Jay. Existem também um grupo que caça vampiros e aparece quando o roteiro quer dar uma agitada nas coisas.

Dirigido por Adam Randall (do razoável “À Espreita do Mal”) a partir do roteiro do estreante Brent Dillon, “As Passageiras” tem estilo próprio e um potencial pop interessante na construção de um submundo noturno em cores neons pelo qual os vampiros circulam tranquilamente, como parte de uma sociedade secreta.

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Filme "As Passageiras". Crédito: Kat Marcinowski/Netflix

O texto tenta transformar essa fantasia em algo sensual - não é à toa que as duas vampiras principais são figuras provocantes que criam a dinâmica de uma sexy relação a três com Benny. Da mesma forma, os outros vampiros (Megan Fox, Sydney Sweeney, Alexander Ludwig, em pequenas participações) são todos impecavelmente lindos. “Você não vive tanto tempo sem ficar um pouco louco, não é?”, questiona Zoe em determinado momento.

É quase inevitável, assim, que Benny se sinta atraído por aquele mundo de luxo e luxúria, um cenário que parece muito mais interessante do que a sua vida de latino ralador em Los Angeles. Não demora e o protagonista já está completamente seduzido pelas vampiras (principalmente por Blaire). Tudo isso acontece muito rápido, assim como a didática explicação de toda a trama da guerra entre grupos; o irônico é que a trama é simples e nem necessita de uma explanação tão expositiva.

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Filme "As Passageiras". Crédito: Kat Marcinowski/Netflix

“As Passageiras” é um filme sem foco e que não entende exatamente se quer ser um filme sexy horror sobre vampiros ou um filme de ação genérico. Ao final, é mais genérico do que sexy em suas escolhas de entupir a narrativa de referências e de situações já vistas em outros filmes de vampiros. O roteiro também é recheado de frases de efeito, piadas sobre mordidas ou falas como “você está tomando um coquetel a sangue em um sofá branco e o ousado sou eu?”.

O novo filme de vampiros da Netflix não esconde seu desejo de oferecer uma diversão superficial, mas desperdiça a oportunidade de aproveitar melhor aqueles conflitos. Os personagens têm comportamento errático e algumas de suas escolhas nunca fazem sentido; as mudanças repentinas e sem explicação são comuns no texto, que também entrega uma resolução muito abrupta, com nenhum desenvolvimento de personagem e quase nenhuma construção de tensão até aquele momento.

“As Passageiras” fica entre o horror com pretensões sexy e a aventura com elementos de comédia. O filme não é de todo ruim, apenas não decola. A trama tem uma boa ambientação e os atores parecem ter se divertido bastante durante as filmagens, principalmente o trio de protagonistas. Se ao menos parte dessa diversão fosse sentida pelo espectador, o filme da Netflix seria uma experiência menos esquecível.

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