"Irmandade" está na Netflix desde a última sexta-feira, 25 de outubro (confira a crítica). A série criada e dirigida pelo cineasta Pedro Morelli acompanha uma facção criada dentro de um presídio em São Paulo, nos anos 1990, com o intuito de melhorar as condições de vida dos presos.
Com oito episódios em sua primeira temporada, "Irmandade" tem clima, ritmo e qualidade de thrillers policiais que estamos acostumados a ver em produções estrangeiras. A tal facção é comandada por Edson (Seu Jorge, confira a entrevista com ele aqui) e Carniça (Pedro Wagner), que, ao lado de Lee Taylor, que vive Ivan na série, se sentou comigo e alguns outros colegas de imprensa para bater um papo sobre a série.
Pedro é de Guaranhuns, Pernambuco, e mesmo já tendo feito trabalhos como a supersérie "Onde Nascem os Fortes" e a minissérie "Treze Dias Longe do Sol", ambas da Globo, ainda é um rosto não tão conhecido. Ao estar na presença do ator, percebe-se como sua atuação na série da Netflix é gigante. Apesar de ter emprestado sua nordestinidade ao Carniça, Pedro é sujeito calmo, simpático e de fala mansa, bem diferente do intimidador personagem.
Já Lee Taylor é mais conhecido. Também esteve em "Onde Nascem os Fortes", mas filmou novelas como "Velho Chico" e pode ser visto atualmente em "A Dona do Pedaço". Na mesma Netflix que lançou "Irmandade", Lee esteve em "O Mecanismo", na qual viveu o personagem inspirado no procurador Carlos Fernando dos Santos Lima. Confira abaixo a entrevista.
Pedro, você tem consciência de que esse trabalho pode ser um clique, uma mudança na sua carreira?
Lee, você faz um policial na novela ("Dona do Pedaço") e agora faz um cara que sai da prisão. Como é passar por esses personagens e trazer, emprestar algo de autêntico e diferente ao Ivan, que é um cara que não é um bandidão, mas vai se transformando a cada episódio?
Vocês dois têm idade para lembrar de 94. Como foi reviver esse período na série? Acontecimentos como a Copa do Mundo, a morte do Senna...
Quando você falou do "Pulp Fiction" veio a minha lembrança de ver o filme no cinema...
A série tem uma questão política. Tem o contexto dos anos 90, tem a cena em que o Edson está sendo torturado e o bastão tem escrito "direitos humanos"... Tem essa questão sobre a dignidade ou a falta dela em relação às pessoas negras. A gente vive um momento político em que essas questões voltam à tona. A série trazer isso, neste momento, me parece muito ousado. Vocês conversaram sobre isso, sobre a possível recepção, a potência da série?