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PsiMama

Alerta aos pais: "Compassividade não é permissividade"

A psicológa Nanda Perim sugere que os pais devem exigir respeito, mas permitir que a criança possa dizer o que pensa

Publicado em 20 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 ago 2020 às 05:00

Colunista

Pais devem impor limites aos filhos
Pais devem impor limites aos filhos Crédito: Unsplash
Durante toda nossa infância ouvimos que criança não tem que querer, que não tem que achar mas fazer, que manda quem pode obedece quem tem juízo. Ouvimos que as crianças precisam respeitar os adultos, obedecer sem nem um pio, e aprendermos que qualquer coisa diferente disso é permissividade e ‘passar a mão na cabeça’. Aprendemos que quem é criado assim se torna reizinho da casa, criança mimada, mal educada e que, por não apanhar, acabam sendo quem bate. Achamos que a única alternativa para a educação autoritária é a permissiva, e então decidimos entre ambas considerando se queremos a criança que sofreu ‘mas é educada’ ou a criança que não sofreu e é mal educada. Certo?
Percebo isso porque diariamente recebo comentários diversos nas minhas mídias sociais de pais dizendo algo como ‘quero ver essa geração ai no futuro” como se estivéssemos sugerindo deixar crianças imaturas fazendo o que bem entendem para não chateá-las. Eu entendo ser o que eles entendem do que estou defendendo, afinal, foi colocada uma lente em que eles enxergam a criação de filhos de forma binária: o autoritário e o permissivo, o que educa e o que deixa fazer tudo, o que tem trabalho e o que deixa pra lá. As pessoas enxergam apenas essas suas opções e ao constatar que não defendo uma, automaticamente me jogam pra outra.
Já recebi, inclusive, comentários de pessoas que defendem o mesmo que eu me colocando na classificação autoritária por uma ou outra palavra, deixando claro que - apesar de defender uma terceira opção- ela ainda enxerga a educação de forma binária.
O que proponho aqui é enxergar uma terceira opção, mas que não é uma coisa exata, visto que cada família vai colocar em prática de uma forma, à sua maneira. Não é uma terceira opção, mas sim a possibilidade de enxergar um leque de opções dentro de uma filosofia. Ao entender a filosofia, cada pessoa conseguirá colocar em sua vida de acordo com seus valores, crenças, cultura e hábitos.
E para entender a filosofia é necessário, primeiro, que se tenha a compreensão do tanto que é necessário desconstruir do que você traz na sua bagagem, do que te falaram, do que acreditavam e exerciam na sua infância. Não é só entender a filosofia, mas dia após dia exercitar e construir devagar pequenos novos hábitos, desconstruindo crenças e deixando claras muitas dificuldades. Isso acontece porque a criança que nós fomos não aprendeu muitas coisas que será necessário ensinar para a criança que temos em casa. Portanto, muita vezes dói. Muitas vezes entramos em contato com coisas que sempre estiveram lá, mas que nunca olhamos para elas. Dar o que não tivemos dói, sim, mas nos cura também de coisas que nunca soubemos que precisavam ser cuidadas, mas que sempre sentíamos que não estavam bem.
"Reaprendemos nosso valor, o respeito que merecemos, o respeito que devemos."
Nanda Perim - Psicóloga
Portanto, qual é essa tal filosofia? Sermos respeitosos e compassivos. A idéia é entender que crianças estão em constante evolução, explorando e aprendendo não só sobre seus próprios pequenos corpos, como todo o mundo à sua volta, toda a interação social que a cerca, todas as habilidades novas que precisa dominar. E nesse processo ela também tem limitações desse mesmo corpo, com mente e membros em constante maturação, em que haverá sempre a necessidade de errar até dominar cada pequena e grande coisa. É entender que esse ser precisa de amor incondicional, cuidados e proteção, com espaço suficiente para aprenderem livremente, para serem autônomos em suas descobertas e conquistas. Além disso, e também muito importante, entender que criança tem sim que querer, e muito. Que a motivação de aprender e se comportar dessa ou daquela maneira precisa vir de dentro, assim como a necessidade, desejo e prática da disciplina, e que isso só será possível quando for sugerida e não imposta, quando for opção e não coerção para não ser machucada ou punida. É aceitar que crianças merecem e demandam respeito tanto quanto adultos, que precisa ser vistas, ouvidas e também consideradas. E então finalmente entender que ouvir e considerar uma criança não é o mesmo que obedecê-la, mas sim enxergá-la como um ser humano como qualquer outro, em que o poder das relações são compartilhados, em que decisões são tomadas em conjunto, em que democraticamente se decide tudo.
Ao conseguir enxergar a criança como protagonista de sua própria infância, enquanto alguém empático e bom que precisa de apoio e respeito para se manter assim, então começamos a deixar de ser a causa da criança deixar de ser.
E como saber diferenciar isso da permissividade? Segundo Dra Jane Nelsen, criadora da Disciplina Positiva, é através do respeito que conseguimos diferenciar. Na relação é necessário respeitar e ser respeitado. Então, quando estiver em dúvida, se pergunte: ‘estou respeitando? Estou sendo respeitado?”.
Mas lembre-se de não confundir respeito com aquela coisa autoritária da criança não poder dizer o que pensa.

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