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Capixaba cria cooperativa e une mais de 5 mil brasileiros em Portugal

Amire Tauil, de 38 anos de idade, tem uma rede de cooperação mútua com mais de 5 mil cidadãos e empresários brasileiros que moram em Coimbra

Vitória
Publicado em 21/06/2021 às 06h00
A empreendedora Amire Tauil em paisagem de Portugal. Ela é fundadora do Amigos em Coimbra, cooperativa de brasileiros que moram em Portugal de ajuda mútua
A empreendedora Amire Tauil em paisagem de Portugal. Ela é fundadora do Amigos em Coimbra, cooperativa de brasileiros que moram em Portugal de ajuda mútua. Crédito: Arquivo pessoal

Antes de ir morar em Portugal, há mais ou menos três anos, Amire Tauil buscou referências na internet de como era, para um brasileiro, morar lá. Quando seu mudou com o filho, que tinha 3 anos de idade à época (hoje tem 6), começou a estudar e aos poucos se estabeleceu em Coimbra. Por causa dos posts que fazia nas redes sociais, em pouco tempo ela virou referência para outras pessoas que estavam interessadas em se mudar para a cidade portuguesa e decidiu investir em uma rede de network para trabalhar com as conexões entre Brasil e Portugal.

Hoje, a capixaba de 38 anos de idade, que mora por temporadas em Coimbra e Vila Velha, lidera uma cooperativa de cidadãos e empresários que tem mais de 5 mil participantes que se dividem entre grupos no Facebook, WhatsApp e plataformas próprias. O objetivo dessa união é fazer com que a ida de brasileiros para morar em Portugal seja facilitada.

Entre os participantes, há ações de ajuda mútua para recolocação no mercado de trabalho, indicação de serviços e profissionais e assistência para famílias com documentos e inserção de filhos menores nos colégios públicos. Em outras palavras, o cidadão que faz parte do Amigos em Coimbra pode encontrar, mais facilmente, desde emprego a um aluguel mais em conta.

“É uma rede de cooperação mútua, como nós chamamos, com empresários brasileiros que são microempreendedores em Coimbra e um grupo maior ainda de pessoas que decidiram ir morar lá. Tem capixaba, paulista, nordestino... Gente de todos os lugares. Então todos nós nos unimos. Os empresários, apenas eles, pagam uma pequena taxa para fazer parte do projeto, para manter a estrutura, já que hoje tenho estagiária, o projeto cresceu, e profissionalmente falando eu já me dedico 100% a isso”, declara.

Para a professora, um dos maiores desafios que brasileiros encontram assim que chegam a Portugal é em torno da documentação. “Na lei, diz uma coisa. Mas, na prática, não é fácil assim. Pela lei, todo imigrante brasileiro teria direito a emitir documentação aqui, mas na hora mesmo depende de outros mil fatores, incluindo o humor do atendente naquele dia”, exemplifica.

Por isso o grupo que ela criou é tão bem avaliado dentro da comunidade de brasileiros que moram lá: "Nós viramos referência. Hoje, por exemplo, um dos maiores interesses dos grupos dos moradores é em vaga de emprego. E eu já tenho empresas brasileiras, angolanas e até portuguesas mesmo que me procuram para pedir indicação de gente para contratar. Ou seja, até a recolocação no mercado de trabalho europeu a gente conseguiu se fazer incluir".

Amire Tauil

Idealizadora do Amigos em Coimbra

"Na cooperativa com os empresários, são pouco mais de 30 empresas. E não têm concorrentes entre elas para não estragarmos a proposta do projeto. Empreender em Portugal é ótimo para brasileiros e muitos que fazem isso, fazem sucesso explorando produtos brasileiros. De açaí a cremes para cabelos crespos "

Segundo Amire, até os portugueses já perceberam que a comunidade brasileira é boa fonte de investimento. “É um nicho de mercado excelente. O brasileiro não liga se tiver que pagar para comer bem, morar bem... Ele trabalha a mais só para se dar essa estrutura. Quem vai estudar em Coimbra, por exemplo, não é pobre. E os portugueses entenderam que eles podem explorar isso”, fala.

Amire Tauil

Idealizadora do Amigos em Coimbra

"Quando você vê uma BMW em Coimbra pode ter certeza de que ela é de um brasileiro "

Esse movimento colabora até para o crescimento de pessoas do grupo de Amire dentro do mercado português, como ela mesma diz. “Nós temos no grupo, por exemplo, um morador que foi para Coimbra e decidiu que ia empreender. Quando ele chegou lá, vendia açaí no copo na porta de um comércio. Hoje, ele é o maior distribuidor de açaí de Coimbra com mais de quatro centros de distribuição em todo o país”, celebra.

Depois do boom de brasileiros indo morar em Portugal em 2018, Amire avalia que a ida de conterrâneos para lá sofreu algumas baixas, também provocadas pela pandemia da Covid-19. Mas a procura por microempresários capixabas por informações de como é abrir empresa em Coimbra só cresce. Por isso, ela vai lançar até um e-book explicando o passo a passo para ajudar outros empreendedores a se lançarem no mercado europeu.

“Agora para agosto devem sair esses e-books, que serão como guias para ensinar pessoas a empreender lá em Portugal. A quantidade de brasileiros em Coimbra já é gigante e há um mercado a ser explorado, sendo que a maioria é formada por estudantes”, considera.

E finaliza: “Olha, eu sempre incentivo todo mundo que quer a ir morar lá, sim. Eu estava desempregada e sem perspectiva de recolocação no mercado de trabalho capixaba quando decidi me mudar, mãe solteira e deu certo. A minha sugestão é ir, mas não sem rumo. Procure uma brasileira lá, busque grupos na internet, entenda, pergunte, converse. Saiba tudo antes de ir. E faça um planejamento para se manter por três meses, que é o tempo médio de conseguir o emprego. Depois, é tudo de bom”.

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