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Transtornos

Vitória: uns têm gentilezas urbanas, outros sofrem com falta de água

Tem como viver sem água? O que parece uma pergunta retórica faz parte do cotidiano difícil e sofrido de parcela significativa dos moradores de bairros da Capital capixaba

Publicado em 04 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

04 mai 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Torneiras abertas: acesso à agua ainda é restrito
Nunca a água fez tanta falta como agora na pandemia Crédito: Pixabay
Tem como viver sem água? O que parece uma pergunta retórica faz parte do cotidiano difícil e sofrido de parcela significativa dos moradores de bairros da Capital capixaba. Se a falta de água em um dia traz transtornos, pense como fica a vida de uma família se faltar uma semana, duas seguidas e até 6 meses. Pois é isso mesmo que acontece na cidade de Vitória.
Não é novidade que vai faltar água na Grande Vitória se não forem feitas medidas de controle do uso correto pela indústria e pela agricultura, que consomem de forma excessiva, e o desperdício pela população não forem contidos. Pelo menos é o que divulgou em 2019 o World Resources Institute (WRI) no atlas Aqueduto de Risco Hidrico, sobre a falta de água no mundo. Ele coloca a Grande Vitória como uma das regiões que vai faltar água em um futuro breve.
Só que a falta de água nestes bairros é localizada e não sistêmica, já o abastecimento é regular e não há falta de água em outros bairros na Grande Vitória. É o que denuncia as lideranças de varias bairros da Capital. A falta de água atinge os moradores dos bairros da região periférica, conhecida com o nome de Território do Bem, e faz parte do dia a dia das comunidades há décadas. Mas o sofrimento e os transtornos ocasionados pela falta de água pioraram nestes últimos anos.
Nesta situação, como fazer higiene básica, lavar as mãos, fazer comida, limpar a casa e tomar banho? Nunca a água fez tanta falta como agora na pandemia. Ela se tornou um elemento escasso para os moradores dos bairros São Benedito e Da Penha. A pedido de lideranças, a Defensoria Pública do Estado apura o caso, segundo a coluna de Leonel Ximenes publicada em A Gazeta na semana passada.
O líder comunitário Valmir Rodrigues Dantas, um dos coordenadores do Fórum de Moradores do Território do Bem, morador há mais de 30 anos da região, denuncia que não se trata de falta de água, mas de falta de manutenção da estrutura que já está no local. Segundo ele, a estrutura que deveria levar água para os bairros é a mesma há 10 anos. Os moradores aguardam até hoje a construção de um reservatório que ficou só na promessa.
Todos os moradores sabem que “a Cesan não tem interesse em resolver este problema grave do Território", disse Valmir. São mais de 35 mil moradores na região que sofrem com a falta de água em algum grau. Mas há em média 1.000 pessoas que não têm água em suas casas para fazer o cuidado básico. No entanto, a conta chega para todos e com valores considerados abusivos. Tem talão de R$ 150 em casa que falta água um dia sim e outro também.
Mas é no mínimo estranho isso acontecer em uma cidade como Vitória, que desde 2013, conforme informação do site da prefeitura, se destaca no país. E neste tempo acumula títulos e prêmios por adotar medidas que visam ao bem-estar coletivo. Prêmio Cidades Sustentáveis 2019, 1º lugar em Saúde no Brasil pelo 5º ano seguido, cidade saudável em 2018. E ainda figurou em 1º lugar em ranking de bem-estar urbano entre as 27 capitais e dentre outros prêmios, é a 3ª melhor capital do país para se viver.
Enquanto vive de prêmios, há crianças e adolescentes adoecendo com consumo de água contaminada com impurezas. “O que sobra na caixa é um resíduo”, o líder comunitário completou. “Eu tenho certeza que ele bebeu água suja”, afirmou ao citar o caso de uma criança que foi internada às pressas. Valmir disse ainda que “tem gente que não toma banho” e que “não tem água na geladeira”.
Espera-se que a Cesan atenda com urgência o clamor dos moradores dos bairros São Benedito e Da Penha. E que o acesso à água tratada se torne de fato uma política pública para os que mais precisam. E que a Prefeitura de Vitória amenize a dor dos moradores que já sofrem com o desemprego, a fome, o custo excessivo do aluguel, sem falar no preço alto dos produtos da cesta básica e o gás de cozinha.
A Vitória do verde e azul, santuário urbano que pulsa qualidade de vida, não pode ser privilégio para poucos. E o cenário de cartão postal não pode esconder a dura realidade da vida urbana. Para que o atual gestor possa deixar um legado para as próximas gerações de uma vida melhor para todos, ele precisa antes de tudo buscar parceria forte para investir em pessoas e não só ofertar gentilezas urbanas aos que mais têm.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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