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Ironizou vacina

Tem que escolher: não dá para ser enfermeira e 'bolsominion' raiz

Já soa bem incoerente ser "bolsominion" e ser profissional da saúde. É como água e óleo. Uns defendem a vida; os outros não estão nem aí para a vida das pessoas

Publicado em 26 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 jan 2021 às 02:00
Paulo Brandão

Colunista

Paulo Brandão

Enfermeira/Instagram
Enfermeira debochou de vacina e publicou vídeo em que aparece sem máscara no trabalho Crédito: Reprodução/Instagram
No vídeo público, postado nas redes sociais, Nathana em momento algum se identificou como enfermeira. Aliás, o nome usado para se identificar, ao falar sobre vacina foi “bolsominion” e “bolsonarista.” Foi na frase: “como uma boa bolsominion, bolsonarista que eu sou, não nego”, que ela assumiu sua identidade política.
A frase “Eu sou”, remete ao verbo ser, de existir, o que deixa mais claro, como em todo o vídeo, que Nathana "existe”, no vídeo, como 'bolsominion' e que, portanto, a profissão enfermeira é colocada em segundo plano e, por isso, nem foi citada. Isso mostra uma falta de preocupação e responsabilidade como profissional de saúde. Destacar um feito, ruim e negativo, é mais importante para a sobrevivência política da militante raiz do bolsonarismo. É como um prêmio de reconhecimento. Sem exageros, o seu ato se assemelha aos homens-bomba, que se matam e atingem muitas pessoas, para ter mil virgens no céu.
A sua existência como seguidora fiel do presidente Bolsonaro precisou de todo destaque. Por isso, além de fazer o ato de escárnio à vacina e a toda a população capixaba, ela foi além. Riu do ato, criou um vídeo, se identificou como alguém que merece atenção pelo que fez. Afinal, o seu ato público poderia ser o último como profissional de enfermagem. Ela sabia do risco.
Ela tinha conhecimento do que fazia. Pois ninguém em sã consciência, ao se formar enfermeira, e fazer o juramento de salvar vidas, como profissional, atenta contra a própria vida de milhares de pessoas. Não dá para agir assim e sair tranquila, sem sofrer as consequências. Segundo o Coren-ES, a conduta da enfermeira compromete a ciência, a saúde e a vida das pessoas e implica penalidades como a cassação do registro profissional.
No entanto, nada disso parece ter sentido para a enfermeira em questão. O mais importante foi enfatizar o fato de ser "bolsominion" e bolsonarista, que para ela são a mesma coisa. Mas na tela do vídeo tinha outra definição que vale a pena enfatizar: “bolsominion RAIZ”, com a palavra RAIZ escrita em caixa alta. Para entender melhor esta expressão, que na fala da enfermeira se tornaram sinônimas, vale a pena apresentar o resultado de uma breve pesquisa.
Já soa bem incoerente ser "bolsominion" e ser profissional da saúde. É como água e óleo. Uns defendem a vida; os outros não estão nem aí para a vida das pessoas. Uns são a favor da vacina; os outros são antivacinas. Mas no caso da enfermeira, a situação se agrava, pois ela se autodenomina RAIZ. Afinal o que significa ser uma "bolsominion" RAIZ? Para a pesquisadora Esther Solano, bolsonarista raiz, o autêntico, é um sujeito agressivo que enxerga o outro como inimigo político e apela sempre para um tipo de violência político-institucional em nome da sua ideologia.
Ser "bolsominion" RAIZ é querer se assemelhar ao mestre Bolsonaro. Ele liberou armas. É homofóbico e deixa claro isso em várias declarações. Bolsonaro fez citações racistas e de xenofobia. Muitos dos seus seguidores, de modo especial os RAIZ, odeiam negros e homossexuais. Bolsonaro mal consegue articular um discurso. Os seus seguidores também não estão interessados em conversar e debater assuntos importantes. São superficiais e rasos.
Por fim, pasmem, para um mulher defender isso, o bolsonarismo RAIZ: Bolsonaro mostrou que ataca mulheres e se revelou misógino. Os seus seguidores, mesmo mulheres, são capazes de zombar e rir do sexo considerado uma fraquejada. Bolsonaro defende uma ditadura. Os seus seguidores acham que já demorou e que o STF e o Congresso deveriam ser fechados.
O mais sério é que ela assumiu uma identidade política, por mais que até então o termo "bolsominion" seja considerado pejorativo, negativo, ao assumir publicamente esta identificação “eu sou bolsominion”, ela torna esta identidade positiva pra si mesma e para os seus fãs "bolsominions". É algo que tem orgulho: “como uma boa bolsominion que sou”.
O termo agora passa a ter uma conotação relevante e positiva para os defensores do “presidente amado”. Mas o seu ato não deveria ficar impune. Cabe aos órgãos competentes punir este tipo de abuso à vida e à sociedade capixaba. Ela, a enfermeira, teria que escolher, pois é impossível exercer a profissão de enfermagem, cuidar das pessoas, salvar vidas e ser "bolsominion" RAIZ.

Paulo Brandão

É bacharel em Filosofia. Com um olhar sempre atento para as ruas, reflete sobre as perspectivas de cidadania diante dos problemas mais visíveis da Grande Vitória

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