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Profissionais de saúde

Quem são os heróis no tempo das diligências na guerra contra o coronavírus?

Nesses tempos de guerra, em que ficam escancaradas a estupidez, a ganância e a incompetência dos chefes, tudo parece combinado, assombrando o mundo ao mesmo tempo

Públicado em 

07 abr 2020 às 05:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Data: 12/03/2020 - Médico com placa do coronavírus alerta para a doença. Freepik
Médico com placa do coronavírus alerta para a doença Crédito: Freepik
Tomara que chegue um dia de semana para eu me divertir um pouco, dizia eu para o secular amigo Lauro Sergio, que nesta data havia preparado café para dois.
- Tu casaste de novo? Decerto perdeste o senso.
- Não é isso não, analisou. É que eu tenho dupla personalidade.
Nesses tempos de guerra, em que ficam escancaradas a estupidez, a ganância e a incompetência dos chefes, tudo parece combinado, assombrando o mundo ao mesmo tempo. De um lado, de outro, em cima e embaixo. Cada vez mais aparece quem manda em você. Apesar da habilidade de qualquer malandro interrogado após um crime, eles se atrapalham. Estabelecem lógicas e realidades que só caberiam naquelas pequeninas cabeças, que operam com um único neurônio (eles são mais eficientes do que qualquer vírus).
Os Três Poderes têm realmente uma única meta: malabarismos perniciosos com o dinheirinho que tiram à força do nosso bolso. Além dos superssalários, para não fazer coisa nenhuma a não ser acumular riquezas e impunidades. Ficam agora elogiando a ação dos médicos e outros agentes de saúde que lutam desesperadamente contra assassinos periódicos, sobre forma de doenças tropicais, infecciosas, viróticas e todas mais.
Todo atendimento médico, por definição, é uma exposição de risco. Por exemplo, em vez de elogio fácil, poderiam discutir a questão da remuneração desses tão “adorados” profissionais. Um médico, concursado, superqualificado, tendo ralado mais de 35 anos em pronto-socorros mal-equipados e tudo mais, que socorre todo mundo, recebe R$ 5 mil por mês. Ao aposentar-se, essa quantia ainda diminui. Afinal, não querem fabricar milionários.
Não canso de denunciar – porque é crime – que um médico nessas condições continue trabalhando após 70 ou 80 anos de idade no consultório para sobreviver. É claro, há exceções, como tudo na vida. O presidente... Não há presidência neste país. Há imperadores.
Dia desses, os chefões ordenaram aos favelados do Brasil inteiro a se recolherem até segunda ordem. Na hora. Esses bandidos mandam em todas as ruas que quiserem, incluindo as vias das cidades. Tal nefasta liderança funciona. Não me diga, Tia Cecy, que é porque os chefões cumprem o que prometem.
Pausa para meditação.
Ouço “Adiós nonino”, de Astor Piazzolla. Boto a cara no sol, arrumo a casa e lavo a louça, como qualquer americano. A necessidade de ter escravos foi herança da Europa. Os americanos lavam até o próprio carro. Aqui há escravos para tudo, bem pagos ou não.
Ou seja, seguindo a lógica do sistema, você se isola, e mantém um escravo que vai e volta, salvo exceções.
Mas é compreensível. A senhora não vai querer que um bando de megalarápios incompetentes, alguns coniventes que ganham fortunas de salários, estejam realmente preocupados com a sua família.
Cadê o dinheirinho roubado e retomado às toneladas que estava aqui, bem aqui na mão do governo? Disso ninguém fala. Pensa aí você, não pode ser. Respeitável público, o bravo povo brasileiro dá-se ao luxo de não pensar.
Cadê as estradas de ferro, a operação Brumadinho, os navios, os portos, a fábrica de carros e um Brasil que funcionava? Pouco, mas funcionava.
Em Vitória, em nome do meio ambiente, temos a honra de portar uma fábrica de pó de minério bem no meio da cidade. Quem precisa de mosquito?
Dorian Gray, o cão, hoje está de mau humor, e rosnando.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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