Quando escrevi a primeira das duas crônicas sobre Jucutuquara não imaginava que a repercussão – em todas as direções e sentidos - eclodisse com toda a força das paixões. Achei bom, achei difícil.
O que não previa eram os eternos inteligentes comentários. Rapaziada e moçada, aproveito para me desculpar dos erros na língua pátria e de alguns conceitos e brincadeiras. Até o apelido de um grande amigo foi atingido pelo corretor de texto dessas maquininhas diabólicas na qual escrevo. Na maioria das vezes, não corrige, erra mais. Algumas vezes, até deturpam a intenção do locutor que vos fala. Lembro, como dizia meu pai, que escrever é falar em vasto silêncio.
A intenção de mostrar a minha convivência no bairro amado e festejado, Jucutuquara, é eterna, apesar do pouco tempo que passei usufruindo das delícias das relações humanas que pairavam, e ainda pairam, acho, para sempre no recanto.
Desde o Rio Branco Futebol Clube, o músico Atharé e sua dedicação ao ensino do violino, o insólito cinema Trianon, a Fábrica, a delegacia do “seu” Flores, que mantinha sob seu comando a alegria, a moral e os costumes, que a recordação me invade. Relembro que citei em uma das crônicas anteriores o colégio Salesiano, que preenchia de fé, futebol e missa o desejo da garotada nos campos sacros da igreja.
Entre outras correspondências, recebo do insuperável repórter José Barreto de Mendonça, dono de um texto brilhante, além de elogios, informações que só um atento repórter desvenda para enriquecer as minhas duas referências a Jucutuquara com episódios únicos.
E, como se não fosse o bastante, discorre sobre a batalha de informações e lutas do tempo em que trabalhamos juntos na mesma redação, "O Diário", que como já sabem, era o maior jornal da Rua Sete.
Aliás, as minhas parcas lembranças me levam a março de 2020, quando Enivaldo, Erildo e Tinoco dos Anjos, irmãos do grandíssimo Edgard (atualmente falecido e que comandou o célebre “O Diário”), editaram uma revista, na verdade um “Documento Especial”, sobre a saga dessa pessoa que tinha tudo de bom. A revista, “Edgard dos Anjos Renovou a Imprensa Capixaba”, traz o depoimento da fina flor do jornalismo.
Além de textos impecáveis de Lula Vieira, José Casado, Tadeu Teixeira, José Barreto de Mendonça, Alan Medina, José Valdir, Rogério Medeiros, Laerce Machado, Carlos Alberto Esteves, Rubinho Gomes, Eustáquio Palhares, Solange Rezende e Maraci Lyrio. E euzinho.
Lula Vieira opinou com o texto "Nunca levou Ninguém muito a sério, nem a si mesmo”; José Casado, “De bem com a vida”; Tadeu Teixeira, "Meu Primeiro Patrão”; José Barreto, “Ele impôs um jornalismo de excelência”; Alan Medina: “Era magnífico nas ideias e visão de futuro”; José Valdir, “Levou a vida como sempre quis”, Rogério Medeiros, “Foi um gênio da imprensa capixaba”; Laerce Machado, “Pessoa mais carismática que conheci”; Carlos Alberto Esteves, "Almoçamos juntos diariamente”; Rubinho Gomes, “Edgard sempre apostou na inteligência e juventude”; Eustaquio Palhares, “Foi um ícone da imprensa”.
Como é bom recordar os tempos de “O Diário” e ao mesmo tempo da revista “Agora”. Como era bom.
A redação do jornal da Rua Sete contava com poucos, mas excelentes jornalistas e fotógrafos: Cláudio Bueno Rocha, Maura Fraga, Miriam Leitão, Mariângela Pellerano, Vinicius Seixas, José Barreto, Milson Henriques, Amylton de Almeida, Tadeu Teixeira, Rogério Medeiros, Joaquim Nunes, José Casado, Marien Calixte, Paulo Makoto, e outros mais, que davam as dicas da enorme experiência. Euzinho aqui era editor de notícias. Já a revista “Agora” contou com a participação de colegas do Rio, como Ziraldo, Jaguar, Mino Carta, entre outros.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, sente saudades.