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Memória

Unidos em Jucutuquara: mais algumas histórias de amor e samba

Sob a assessoria que Leomar Barreto me presta, incluo pessoas que não conheci, mas são marcas indeléveis de Jucutuquara e seu significado: “Pássaro da Pedra dos Olhos”

Públicado em 

12 out 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Avenida Paulino Muller, Jucutuquara
Avenida Paulino Muller, Jucutuquara: passado e presente Crédito: Vitor Jubini
Quando tornar a vir o outono talvez eu não me encontre no mundo assim como vocês. Como dizia o outro, só tenho duas datas, a da minha nascença e da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus. Assim deixa eu ir falando o que minha memória permite, em parceria e cumplicidade do arquivo secreto de Leo Barreto...
Falar nisso, os que amavam e têm até hoje orgulho de Jucutuquara, tema que cometi na semana passada: recebi com os olhos rasos d’água mensagens com lembranças, correções, inclusões provenientes de moradores históricos muito mais próprios da nação citada do que eu, um poeta mundano que morou pouco tempo lá e adorou, especialmente por seus habitantes. Cumpro o doloroso dever de informar que meu escrito é apenas uma metáfora, o humor. Senti no peito as correspondências que me reconheciam como esforçado tecladista de paixão. Vamos falar mais.
Escrever é falar em silêncio.
Sob a assessoria que Leomar Barreto me presta, incluo pessoas que não conheci, mas são marcas indeléveis de Jucutuquara e seu significado: “Pássaro da Pedra dos Olhos”
Como esquecer da sutileza de Fernando Baiacu. Ao encontrar Leomar que devorava, em companhia de Dona Eliete, sua esposa, o famoso bolinho de bacalhau na Praia do Canto, faz uma perversa observação: "Você é feio, mas sua mulher é linda”. Ela, como faz sempre que a sua paixão é atingida, cortou a onda: “Não acho, não”. Acontece.
Como esquecer da juventude Borges: Buraco, Cacau, Luiz Henrique? Moravam bem ao lado do Cine Trianon, e seu gato sonoplasta  interrompia aos miados estridentes a sessão, bem no meio da fita. Acendiam-se as luzes, e os “ lanterninhas” tentavam caçar os bichanos, sem sucesso. Até a presente data não se sabe a identidade secreta do inimitável imitador do “gato de Hollywood”.
E Ditão, que atingiu o posto de presidente da Unidos de Jucutuquara, com a sua perícia no bumbo. Morreu no carnaval.
Vai mais escusas: “A crônica anterior não incluiu Boca Negra, Marco Aurélio, os Fontana, Zezé, Paulinho, Macaco-Prego, Baiacu.” Tião Encarnação, autor da observação, também esqueceu um monte. A célebre Pensão de Dona Malvina, que abrigava Paulo Torre, Paulo Tavares, a clínica da Roberta Giovanotti, Bar Copa 70, de onde se editava um programa de rádio sobre futebol da semana passada, mas o caranguejo era ao vivo, e o chope da semana passada. Lembram da camisaria sob medida do Perim. Os chiques da cidade preferiam a marca Lacoste. Eu e todo o bairro provávamos e vestíamos grife Perim. Melhor que os jacarés caríssimos, podem crer.
Todos os moradores históricos citaram a frase do Mestre Aldir de Freitas Borges: “Recordar é viver”, por isso me deu a presente vontade de citar. Os Monjardim, e seu museu histórico, bem naquela esquina que subindo ia dar no Bairro de Lurdes, ou onde quisesse.
Encantava-me o Observatório Geral em cima da pedra. Dali assistimos a muitos jogos no Campo do Rio Branco, bem abaixo, confortavelmente. Cortesia da natureza.
Do grupo dos Salesianos foram lembrados os nomes de Bicão, Rogério Botechia, Celso Arlindo, Luiz Henrique Penedo, Aldo Barroca, o time dos Fontanas, Paulo Sonegheti, Carlos Galo Cego (consta uma observação: ele se emputecia com o apelido, por que será?) Vidinho, craque de bola, Bicão, idem. Ewerton e Fred Guimarães. Yamara Torre, minha querida amiga, vai aqui nessas mal traçadas representar a classe feminina do bairro. Meu grandessíssimo amigo Moacyr Dalla Filho nasceu aí, também.
Não podemos esquecer do padre Fuchy, capelão da igrejinha do bairro, apelidado de, por obra do diabo, padre Fusca, que segundo a lenda foi citado quando da visita da primeira-dama Maria Tereza Goulart ao Colégio do Carmo. Inocentemente, a primeira-dama foi mostrando às freiras da sagrada instituição de ensino, suas caríssimas joias sempre que solicitada, e declinando a cortesia de quem presenteou.
Contam que uma contrita religiosa do Carmo, crente no amor ao próximo, não pôde evitar o comentário: “Padre Fuchy só me dá santinho”. E correu para o confessionário.
De vez em quando caminho pela cidade mapeando de cabeça as recordações, à moda e maneira de Marien Calixte, meu querido amigo e colega de jornal e boates.
Ao mesmo tempo, Paulo Torre, que dirigia A Gazeta, montou uma peça no Teatro da Escola Técnica, "Testemunha de Acusação", de Agatha Christie, entre outras.
Seu derradeiro sucesso na Terra.
Agora que chegou Beth Rodrigues no espaço extraterrestre, deve estar fervendo por lá. Precisando, me chamem.
Sem pressa, pressa.
Dorian Gray, meu cão vira-latas, achou o texto repetitivo

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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