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Médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio

O Brasil precisa unir suas diferenças e instâncias em movimento

A verdadeira análise da atual conjuntura é feita nos bares. Quando há discordância, troca-se de bar. A criatividade nacional é insuperável

Publicado em 31/12/2019 às 04h00
Atualizado em 31/12/2019 às 04h01
Bandeira do Brasil. Crédito: Divulgação
Bandeira do Brasil. Crédito: Divulgação

Cautela, idiotas. Estão sujeitos, de uma hora para outra, a serem abduzidos para um ministério ou algum cargo de importância que exigiria ampla formação técnica. O critério de “seleção” dá gosto de ver. Nada a ver com nada. Os escolhidos para as altas cúpulas, dos altos poderes, só precisam de um certo prestígio e muita cara de pau.

A toda hora rola uma obsessão legal abrigando extrema arrogância, claro, a quem se dispuser a ajudar o comando e ordem unida do país. Sequer respeitam o tempo de verbos e muito menos concordância, sem falar no assunto em si. A pobreza de vocabulário faz Drummond de Andrade dar voltas no túmulo. São convocados para manipular a já manipulada legislação de modo a fazer dela o que quiserem.

A maioria do povo não cumpre a lei. Primeiro, porque não sabe ler ou escrever. Na segunda instância, porque não tem o que comer; na terceira, morreu em tiroteio; na quarta, matou em tiroteio.

A verdadeira análise da atual conjuntura é feita nos bares. Quando há discordância, troca-se de bar. A criatividade nacional é insuperável. A turba ignara que sai às ruas para impor sua vontade, não foca qualquer assunto. Um grupo xinga o líder do outro.

Até na revolta, o bravo povo brasileiro tem que ser intermediado. A nação tupiniquim não sabe o que é “instância”, por exemplo. Somos todos engabelados pelas palavras que ninguém entende e ainda tem que saber da réplica, da tréplica, do transitado. A senhora sabe o que é transitado em julgado?

Até Napoleão Bonaparte, que nunca foi propriamente um gênio, lança o seu protesto contra a facilidade do empurra-empurra nos trâmites das autoridades. Napoleão, que viveu de 1769 a 1821, e se intitulava imperador militar, deixou esculpido: “Há ladrões que não se castiga, mas que nos roubam o que é mais precioso: o tempo”. Jorge Luiz Borges foi genial no tema: “Tempo é a substância da qual sou feito” (Pedro Maia achava que a única façanha de Bonaparte foi inventar o conhaque).

O imperador Calígula, que passou para a história por ridicularizar a genitalidade, levou-a próxima ao sagrado. Entre outras taras, nomeou o próprio cavalo, a excelência Incitatus, senador da República. Mas dr. Incitatus jamais pronunciou algo contra o cidadão, nem mesmo enriquecimento ilícito. Continuou trabalhando, dando sustentação para Calígula que logo formou um partido e tinha maioria absoluta. A nação romana jamais viria, a saber, nem a minha principal fonte – os filmes de Cecil B de Mille – o que fez na vida este tal senado.

Outro dia a TV noticiou o pagamento a uma juíza de seus direitos a mais, tipo gratificação, adquiridos enquanto estava “afastada”. A pobre senhora recebe mensalmente R$ 33 mil e mais um montão de coisas. E não é a única. Para isso não tem reforma. Sem falar que falta dinheiro para todas as outras coisas.

Ninguém me pergunta nada, mas eu sei. O Brasil precisa unir suas diferenças e instâncias em movimento - isso se chama caos no bom sentido – e criar uma única nação, feito fez o Flamengo.

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