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Médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio

Melhor do que as misses, só as mães de misses

Fiz uma entrevista de humor exaltando o que, na época, era mais importante que as misses: a mãe de miss

Publicado em 03/12/2018 às 18h27
Mayra Dias: candidata do Amazonas é eleita Miss Brasil 2018. Crédito: Rodrigo Trevisan/Divulgação
Mayra Dias: candidata do Amazonas é eleita Miss Brasil 2018. Crédito: Rodrigo Trevisan/Divulgação

No ano da graça de 1975, no meio da ditadura composta principalmente por facções fardadas, surge do meio dos bares de Ipanema a resistência armada. Armada de humor, sadismo e coragem, um verdadeiro pasquim. Aliás, “O Pasquim”, em 1975, atingiu a tiragem de 225 mil exemplares. Em 2019, completaria meio século. De fino humor e inteligência, qualificações desconhecidas dos invasores do país, denunciava o que podia e o que não podia, apesar da truculência dos delicados “gorilas”, o que incluía assassinatos e torturas.

Certa vez, a redação de “O Pasquim” foi toda presa por desacato, o que incluía o jardineiro. Mas enquanto durou, mesmo vigiado de perto, e com autocensura, cresceu e era distribuído mesmo depois de censurado por uma certa Dona Solange, uma pessoa perfeitamente idiota e falsa moralista. Sem qualquer regra, cortava, ou não. Via sexo em tudo, a dama tarada.

Mas vamos a nós.

José Carlos Corrêa, nessa época, era secretário de redação de A GAZETA e Claudio Bueno Rocha, o editor. Corrêa resolveu criar uma homenagem ao hebdomadário carioca, criando uma página onde todos nós da redação escrevíamos pisando em ovos notas sobre o terror que nos invadia. E assim saiu a seção “A Opinião do Pessoal”, com todos “textículos” assinados. Naquele período, a censura ainda era risonha e franca, por aqui.

Foi nesse clima que fiz uma entrevista declaradamente de humor exaltando o que na época e no estilo eram mais importantes do que as próprias misses. A mãe de miss, instituição presente em todo o país.

Abordei no meu artigo o tema que aparecia e resplandecia muito mais que as lindas candidatas, “A melhor Mãe de Miss”. Não há miss sem sua mãe assessorando, torcendo, vibrando. Este aleitamento materno dava às lindas concorrentes a segurança necessária. Havia torcida organizada e tudo. E, modéstia às favas, não existem mulheres mais lindas que as capixabas. Contribuí com duas filhas.

Mas não é que o imorrível Milson Henriques envia a minha matéria para o Flavio Rangel, um dos diretores do “Pasquim”, e ele publica para todo Brasil. Flavio justifica para Milson que eu havia esquecido de mandar o nome do autor. Certo dia, Claudio Bueno Rocha e eu comentamos com Ziraldo, ele respondeu: “Bem feito: Eu não dou um ‘pum’ sem assinar”.

O resultado da porfia sobre a melhor mãe de miss, apurado na redação de A GAZETA, é segredo de Estado.

Não sei se entendi direito o conselho do Ziraldo Pinto. Assim sendo, aviso e comunico que se por acaso em um ambiente surgir qualquer odor diferente, confessarei de antemão: fui eu, fui eu!

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